Teatro da Vida (Causos) e Poesias

*RINDO ATÉ 2075*  – Durante um julgamento em uma pequena cidade, o advogado acusador chamou sua primeira testemunha, uma mulher idosa.  O advogado se aproxima e, para verificar o seu estado mental, ele pergunta: – Senhora Antônia, sabe quem eu sou? Ela, com a calma que os anos dão, respondeu: – Sim, douto Vargas. Eu o conheço desde criança, e francamente, lhe digo que você acabou sendo uma grande decepção para os seus pais . Você  sempre mente, acha que sabe de tudo, é muito arrogante, abusivo, trai sua esposa e, pior de tudo, é que manipula as pessoas, você acha que é o melhor de todos quando na verdade não é ninguém. Sim senhor, eu o conheço muito bem. Um pesado silêncio invadiu a sala… O advogado ficou perplexo, sem saber exatamente o que fazer. Reagindo depois de um momento, ele apontou para a sala e perguntou à velha: – A senhora conhece o advogado de defesa? Novamente e com a mesma calma, ela respondeu: – Claro que conheço o doutor Carvalho, desde criança. A mãe dele, que ficou viúva recentemente, também não se orgulha dele. Ele se parece muito com você, além de ser um escroque, trapaceiro e corrupto. Desde menino ele era fraco e, para a sua infelicidade, tem problemas com a bebida, com meia dúzia de tragos o degenerado cai. Ele não pode ter um relacionamento normal com ninguém e, junto com você,  são os piores advogados da região, sem contar que ele trai a esposa com três mulheres, uma das quais é a sua esposa. Sim senhor, eu conheço o senhor Carvalho. O advogado de defesa quase caiu morto. Então, o juiz chama os dois advogados para irem à banca e diz: – Se algum de vocês, filhos da puta, perguntar a esta velha se ela me conhece, eu mando prender os dois!  Os advogados nunca devem fazer uma pergunta a uma avó se não estiverem preparados para a resposta.

 

É melhor rir… – Não me considere o chefe; considere-me um colega de trabalho que tem sempre razão (Bob Thaves). Quem não tem inteligência para criar, tem de ter coragem para copiar (Rolim Amaro). No Líbano, os livros são lidos de trás para frente. Por isso, a Agatha Christie não vende nada por lá (Eugênio Mohallem). A diferença entre uma relacionação amorosa e a prisão, é que na prisão eles deixam você jogar futebol nos finais de semana. (Bobby Kelton).

 Rir sempre…  – “Cuidado com os drinques”: Um casal se conhece num bar. Depois de uns drinques, ela, na idade da loba e muito vaidosa, pergunta: – Quantos anos você me dá? – Por esse olhar, menos de 25 anos. Pela pele, uns 20… E por esse corpo, 18. – Nossa… Você sabe como seduzir uma mulher! O que você vai fazer agora? – A soma.  “Sogra”: A sogra do cara morreu. Um amigo perguntou: – O que fazemos? Enterramos ou cremamos? – As duas coisas. Não podemos facilitar…

POESIAS

Sinfonia dos Vagabundos

*Robson Sampaio

  

        Vagabundos, uni-vos!

Vinde louvar o Recife e

compor a Sinfonia dos poetas,

boêmios e miseráveis.

Vaguemos pelas ruas sujas e

fétidas, onde chagas de dor

e de desespero são expostas na

Sinfonia de todos os dias.

 

       Vagabundos, uni-vos!

Vinde louvar o Recife e

ouvir a ladainha das devotas

beatas a compor a Sinfonia

dos pecadores de corpo e de alma.

 

       Vagabundos, uni-vos!

Vinde louvar o Recife e

cantar o frevo-canção de dor,

de tristeza e de saudade,

num cântico excêntrico da

Sinfonia dos Vagabundos…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Desabafo

Robson Sampaio            

Eu queria falar

Faltaram palavras

Eu queria gritar

Faltou voz

Eu queria chorar

Faltaram lágrimas

Eu queria sorrir

Faltou alegria

Eu queria ser bom

Faltou compreensão

Eu queria ser mau

Faltou coragem

Eu queria ter fé

Faltou crença

Eu queria ser feliz

Faltou você

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Choramingar da viola                  

*Robson Sampaio

O choramingar da velha e ensebada viola

emite sons que parecem rezas abençoadas

por santos puros e impuros:

Sacrilégio?

 

O choramingar da velha e ensebada viola

entoa cânticos em dias de festas nas antigas

ruas e igrejas:

Profano e Religioso?

 

O choramingar da velha e ensebada viola

ecoa no oráculo sem perdão dos rituais sacramentos

e dos sentimentos do povo:

Inquisição?

 

O choramingar da velha e ensebada viola

já não alcança a surdez dos desertos de hoje:

A bença, mãe! A bença, pai!

Salvação?

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Eu sou Capibaribe   

 

*Robson Sampaio

(A Zé da Flauta)

 

Dos mangues do rio arranquei

a carne da sobrevivência:

as iguarias das mesas das sirigaitas.

Das águas do rio tirei

o som da flauta;

a composição dos pássaros,

a sinfonia de todos os cânticos.

Vim de muito longe,

passei por Beberibe;

eu sou recifense,

eu sou Capibaribe.

Nas correntezas do rio embalei

os nossos sonhos,

o mergulho profundo:

ora vida, ora morte.

Vim de muito longe,

passei por Beberibe;

eu sou recifense,

eu sou Capibaribe.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Filhos da Caatinga

 

Robson Sampaio

Ôxente, meu fio,

cadê o boi no cercado

e toda aquela plantação?

Foi embora no vento,

sumiu tudo no céu,

feito ave de arribação.

Agora, é só terra em brasas,

ardendo que nem tição.

Do gado só as cabeças,

igual à assombração.

Feito rio escorregadio,

a terra plantada se foi,

levada no deslize do chão.

Ai, que tamanha judiação.

Inhô, num gema não,

basta de choro e reza,

feitos só de lamentação.

A terra é seca e batida,

igual alma sem alumiação,

mas, de gente com fé no Santo,

indo e vindo, solta pelo Sertão.

São os filhos da Caatinga

sofrendo toda humilhação.

Mas, briga, mata, esfola ou morre,

mesmo sem ser Lampião.

Ôxente, sêo Capitão,

Virge, Santa Maria,

pra quê ser tão valentão?

Num tem nem quase a vida

e, muito menos, esse chão.

Cruz Credo, Ave Maria,

dê-me a benção Padim Ciço,

pois, é só dor no meu Sertão.

Mas, juro meu Santo querido,

que de fome, a gente num morre não.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Mulher  

*Robson Sampaio

Mulher-menina

Mulher-amiga

Mulher-briga (ou intriga)

Mulher-amada (ou desejada)

Mulher-amor,

Ah, o amor!

Amor-gostoso

Sem aval (ou endosso)

Amor-verdade

Amor-instinto

Amor-paixão

Amor-amor

Mulher-saudade

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Almas do Recife

Robson Sampaio *

     Versos, versos e mais versos

a povoar de almas o Recife.

Poemas em cada esquina,

em cada bar, em cada desilusão

enchem e perfumam ruas e bairros:

da Aurora ao Recife Antigo.

São pedaços de cada um de nós,

poetas, vivos ou mortos.

Eles, como nós, teimam em poemar

a vida no Recife e a não

dormir com a morte.

Versos, versos e mais versos!

Assim são os poetas

a povoar de almas o Recife.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Ah, essa mulher bonita!

Robson Sampaio

Ah, essa mulher bonita!

Inventa e reinventa modas.

Primeiro, ajustando o corpo

e, depois, a alma,

só para nos agradar.

Por isso, suave é o dia,

doce é essa mulher…

Sorriso delicado, ar atrevido,

espírito irreverente, misto de

mulher e menina, um quê de moleca

com um quê de sensual…

Enigmas em sintonia

com o verde-azul do mar…

Ah, essa mulher bonita!

Por isso, suave é o dia,

doce é essa mulher…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Feliz, ele…    

Robson Sampaio

(* A Paulo Mendes Campos)

 

O poeta teve o bairro, o mar

e o bar.

Feliz, ele…

Desprezou o outrora para que a

rosa não lhe perturbasse os

sonhos.

O mar teve como o amor maior,

onde derramou lágrimas

para que não se perdessem no

tempo.

Como mágico das palavras (ou seria poesia,

coisa só sua, íntima e necessária?), diz que

a vida enganou a vida, o homem enganou o

homem.

E que multiplicou a sua dor e, também,

a esperança.

Feliz, enganou a todos nós, pois teve o

bairro, o mar e o bar.

Feliz, ele… E eu!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

rsampaioblog@gmail.com

 

 

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