BOLA, TRAVE E CANELA-Lenivaldo Aragão

O técnico Tim (Foto: Terceiro Tempo)
O ex-jogador Ananias – nada a ver com o Galã das Gerais, do Santa Cruz – dirigia a equipe do Bangu. Por ser da casa não tinha sossego. Era todo mundo dando peruada, querendo escalar esse ou aquele jogador. E tome aporrinhação. O todo-poderoso Castor de Andrade, na verdade o dono do time, então nem sem fala.
Às vésperas de um jogo em São Paulo contra o Palmeiras, pelo Torneio Rio-São Paulo, Ananias entregou o cargo. Assumiu provisoriamente Luís Alberto, ex-jogador do próprio Bangu, que trabalhava nas divisões básicas do clube proletário, como era conhecido o alvirrubro carioca.
Na hora do jogo, qual não foi a surpresa de Luís Alberto ao deparar-se com Elba de Pádua Lima, o consagrado Tim, um sábio do futebol. Craque que sabia tudo de bola, apelidado pelos argentinos de El Peon, Tim também consagrou-se como técnico. Era considerado um exímio estrategista. Ele teve que dar várias explicações aos jornalistas, tão espantados com sua presença no banco do Bangu, quanto o defenestrado Luís Alberto:




Castor de Andrade, ‘dono’ do Bangu (Foto: Trivela)

– Eu estava em Rio das Ostras, gozando minha aposentadoria com a família, quando recebi o convite desse meu grande amigo e não pude recusar.
O grande amigo ao qual Tim se referia era Castor de Andrade, o homem do jogo do bicho, do samba, do futebol e gêneros afins, eternamente na mira da Justiça do Rio de Janeiro. Patrono do Bangu, cujo Conselho Deliberativo presidia, Castor de Andrade dava as cartas no clube do bairro de Moça Bonita, onde sua palavra era lei.
Os repórteres quiseram saber de Tim, como seria seu relacionamento com Castor, acusado por Ananias de querer escalar o time. Tim não pensou duas vezes:
– Ah, então, ele gosta de escalar time? Tudo bem, comigo não tem problema. Desde que ele escale os homens que eu quero botar em campo, não me importo.
 







 

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