Teatro da Vida (Causos) e Poesias

O Nobel do Lula

Butadas e Tiradas 

            867

                              Antonio de Campos

O Nobel do Lula
              (O Nobelula)

Lula cotado para o Nobel das Pás

*Clube (Carnavalesco Misto) das Pás, em Campo Grande/Recife,
fundado durante o carnaval de 1888 pelo comerciante Antônio
Português, após contratar homens que, usando pás,
desabasteceram navio carregado de carvão.

março, 2019

Casamento X Obesidade…

Imprime e digita…

 

Poesias

POESIAS

Tigresa

 *Robson Sampaio

Os olhos da tigresa

são esmeraldas incrustadas

nas águas verdes do mar.

Luzes que refletem o brilho

dessa mulher, porém, não

decifram os enigmas da sua

alma…

 

Os olhos da tigresa

são lanças flamejantes de desejo

e de paixão,

a rasgar entranhas e a ferir

com a dor bendita encravada

no coração…

 

Os olhos da tigresa são

a força felina de cada gesto,

a expor também a graça e a leveza,

enquanto o seu corpo resplandece

toda a beleza das fêmeas sensuais

e só domadas pelas carícias

do amor…

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Meninos-fantasmas            

 *Robson Sampaio

 

Meninos sem rosto,

de tênues traços sem cor.

Meninos sem nome,

habitantes de pontes

e marquises.

Meninos-fantasmas,

que se esgueiram por becos

e esquinas desumanos.

Meninos sem rumos,

descaminhos da volta,

vândalos do inconsciente

social.

Meninos de vida na sarjeta,

Meninos da noite, opções do escuro.

Meninos de rua,

Crianças, apenas na idade…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Menina-Santa  

 *Robson Sampaio

   

Menina-criança,

roubaram a tua boneca,

o teu sorriso,

a tua alegria.

 

Menina-moça,

roubaram a tua meiguice,

os teus encantos,

o teu corpo.

 

Menina-mulher,

ainda menina e moça,

não hão de roubar

a tua alma, a tua paz,

a tua vida.

Menina-Santa,

como tantas outras…

* À Casa de Passagem (Recife-PE).

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

O poeta…

Robson Sampaio *

 

 O poeta não morre,

simplesmente, se eterniza

Ele é palavra, verbo, substantivo,

adjetivo, advérbio, pronome,

interjeição, interrogação, exclamação,

preposição, vírgula, ponto e vírgula,

ponto, dois pontos, cê-cedilha.

 

É o alfabeto: vogais – a,e,i,o,u;

consoantes – ch, lh, nh, k, w, y, z.

É poema, prosa, verso, frase,

inspiração, evocação, declamação,

emoção.

 

Ele não morre, eterniza-se

nas palavras da poesia.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

21.10.2017

 

A Inveja

 

Robson Sampaio

 

“A inveja, quando não mata,

aleija os pensamentos e

o estômago vomita as vísceras

reféns da raiva e do ódio”.

Dedilha na viola, o violeiro cego,

um cântico choramingado em

frente à praça da Igreja-Matriz.

E tasca mais versos, no choramingar

da viola: “Sentimento impuro, capaz

de gerar ciúme, insensatez ou ódio,

tamanho é o desatino

e que pode levar ao crime”.

E o violeiro cego dedilha, no

choramingar da viola, o arremate do

cântico: “E Caim matou Abel!”

 

* Jornalista e poeta da Cadeira 22, da Academia Recifense de Letras.

(07.07.15)

 

“Os 7 Pecados Capitais”

 

Robson Sampaio

 

“Avareza: apodrece a alma.

“Gula: Defeito também de pobre.

“Inveja: Pode levar ao enfarte.

“Ira: O caminho da insanidade.

“Luxúria: O espelho dos pobres

de espírito.

“Preguiça: Sombra e água fresca,

pois ninguém é de ferro.

“Vaidade: Todos temos, de mais

ou de menos.

 

* Jornalista e poeta da Cadeira 22, da Academia Recifense de Letras.

(03.09.12)

rsampaioblog@gmail.com

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Homenagem – Recife e Olinda

Eu sou Capibaribe  

*Robson Sampaio                 

 

Dos mangues do rio arranquei

a carne da sobrevivência:

as iguarias das mesas das sirigaitas.

 

Das águas do rio tirei

o som da flauta;

a composição dos pássaros,

a sinfonia de todos os cânticos.

 

Vim de muito longe,

passei por Beberibe;

eu sou recifense,

eu sou Capibaribe.

 

Nas correntezas do rio embalei

os nossos sonhos,

o mergulho profundo:

ora vida, ora morte.

 

Vim de muito longe,

passei por Beberibe;

eu sou recifense,

eu sou Capibaribe.

* A Zé da Flauta

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Saudade danada…  

*Robson Sampaio                 

 

Recife,

cadê teus arraiais,

canaviais, mucamas

e sinhazinhas?

– Casa-Grande

 

Recife,

cadê teu forró,

ciranda, maracatu

e frevo?

– Carnaval

 

Recife,

cadê teu mar,

pontes, praças

e rios?

– Beberibe e Capibaribe

 

Recife,

cadê teus boêmios,

bares, batida gelada

e mulheres?

– Poesia

 

Recife,

não mais te encontro

e sinto uma saudade

danada…

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Recifense…

*Robson Sampaio
Nas águas eternas do Rio Capibaribe,

naveguei sonhos e derramei lágrimas

de tristezas e de alegrias.

 

Nas ondas salgadas da Praia de Boa Viagem,

molhei o corpo e purifiquei a alma.

 

Nas pontes históricas do Recife,

forjei o destino e percorri as trilhas

da vida.

 

E, só assim, me tornei recifense…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Recife (Noturno)

*Robson Sampaio                 

 

Só gosto de ti à noite,

quando os abstêmios dormem

e os boêmios saem às ruas

em busca do nada.

 

Só gosto de ti à noite,

quando batem lembranças

de amor e de sonhos perdidos

no tempo.

 

Só gosto de ti à noite,

quando me debruço sobre

o Rio Capibaribe e, assim, consigo

ver a minha alma e a chorar

a dor do mundo.

 

Só gosto de ti à noite,

quando pertences por inteiro

aos boêmios, vagabundos

e poetas.

 

* À poetisa Cida Pedrosa

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

O Recife              

*Robson Sampaio                 

 

O Recife não é uma aldeia.

– O Recife é um estado de ser…

Suas luzes, naturais ou artificiais,

não são luzes e, sim, o alumiar

dos teus olhos.

 

Reflexos de todos nós,

recifenses ou arrecifensados,

onde as luzes não são luzes,

mas olhos debruçados sobre

o Capibaribe, um traço indivisível

de ser o Recife…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Agosto

 

*Robson Sampaio                 

                               

A ventania varre o Recife todo.

É agosto. Mas, não varre a miséria,

a sujeira e a indignidade.

Porém, prenuncia o calor do verão.

É o mês do desgosto?

Nas ruas, becos e pontes, esvoaça saias,

despe o recato e reimagina vontades,

enquanto as mulheres sonham com

a vadiação…

Alegria?

 

Aos homens, suscita o bem querer

e estimula a bebedeira do dia-a-dia.

Agosto, desgostos, vontades e vadiação…

Apocalipse das tentações?

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

 Poetas do Recife  

 

*Robson Sampaio                 

 

Perfume de poemas no ar,

casario repleto de fantasmas

que saem, quase sempre, em busca

da boemia do Recife Antigo.

São os poetas da vida, das ruas,

do bairro, do mar, dos arrecifes.

Andarilhos em busca

do bálsamo para a desilusão,

dos braços quentes e fogosos das

mucamas dos dias de hoje,

não mais amas das sinhazinhas fidalgas,

mas serviçais dos desejos da carne.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Azul

*Robson Sampaio                 

  

Enigmaticamente, ando só pelas

ruas do Recife.

Apesar do burburinho das pessoas,

no vaivém do cotidiano,

sinto-me ainda mais sozinho.

 

A saudade invade o meu peito e

penso no poeta Carlos Pena Filho.

Paro, olho o Céu e vejo o Azul…

Relembro os seus versos:

“São 30 copos de chope,

são 30 homens sentados,

300 desejos presos e 30 mil

sonhos frustrados…”

 

Saudades…

Mais saudades do Azul

e do Recife-poético.

Saudades recifenses,

sempre azuladas…

* Ao poeta Carlos Pena Filho.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

O Canto do Galo     

   

*Robson Sampaio                 

 

Que canto é esse,

que sacode a multidão?

Que canto é esse,

que mexe com o coração

e que acorda o Recife?

 

É o canto do Galo,

é o som da Madrugada,

é o canto do Galo,

do Galo da Madrugada.

 

É o canto e o encanto

de gente nas ruas, ruas de gente,

mar de frevo, frevo da gente,

frevo do Galo.

* A Enéas Freire (fundador e presidente) e ao compositor José Chaves (autor do Hino do Galo da Madrugada) – O Frevo do Galo.

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Entardecer

*Robson Sampaio                 

 

O mistério do entardecer no verão recifense

ilumina o Capibaribe e reflete a alma:

Pernambuco.

O mistério do entardecer no verão recifense

anuncia o som dos clarins de Momo:

Passo e frevo.

O mistério do entardecer no verão recifense

sugere águas mornas e areias quentes:

Azul do mar.

O mistério do entardecer no verão recifense

reacende o calor das mulheres que brincam de sedução:

Vontades ardentes.

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Recife Antigo  

*Robson Sampaio                 

Nos botequins de ontem,

relembro velhos e novos amores

e carrego, por ruas e becos,

o presente e o passado,

simbiose de eterna saudade.

Então, batem as lembranças:

nada mudou no Recife Antigo,

onde poetas, bêbados e vagabundos

vagueiam, à noite, feitos zumbis.

Somos os sonâmbulos da boemia,

animais sedentos de amor e de paixão,

que recolhem pedaços da carne

só para salvar a alma e, assim,

alcançar o perdão.

Nada mudou no Recife Antigo,

onde as faces sofridas se multiplicam

iguais e com sulcos talhados de dor…

 

Somos os compositores das canções da vida,

os poetas dos poemas passageiros,

os artesãos que juntam trapos e confeccionam,

diuturnamente, o eterno uniforme do Recife Antigo.

Formamos o cordão dos desesperados,

de alegrias furtivas, de sonhos perdidos

e de vontades saciadas, quase sempre,

em corpos estranhos.

Mas, nada mudou no Recife Antigo,

onde a sinfonia prossegue até o clarear dos arrecifes.

E, nós, em passos trôpegos, buscamos a Estrela Guia,

entoando o canto mágico do faz de conta.

Assim, transformamos o nada em tudo

e o imaginário em imaginação,

enquanto a música melosa é ouvida mais forte

nos puteiros do Recife Antigo.

Onde, nada muda…

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Sou arrecifes…      

*Robson Sampaio                 

 

 Sou arrecifes,

de pedra esculpida nos

rebentes das ondas do mar

e na força dos ventos.

 

Sou arrecifes,

de arrebentação

de Sol no rosto

de águas azuis

de gosto de sal

de gente do frevo.

 

Sou arrecifes,

de pedra esculpida

de pontes rochosas

na sinuosidade

do Rio Capibaribe.

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Poetas

*Robson Sampaio
 

Os poetas,

se não são imortais,

pelo menos, são eternos.

 

Os poemas surgem como

relâmpagos em noites de inverno;

ou com o brilho das estrelas em noites

enluaradas.

 

Também, nas mesas dos bares,

na saudade do amor perdido,

na aflição de uma mãe;

ou no sorriso das crianças.

 

E,ainda, nos reflexos prateados

da Lua sobre o Rio Capibaribe,

marco indelével do Recife.

Por isso, digo: os poetas,

se não são imortais,

pelo menos, são eternos.

* Ao poeta Roberto Santos

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Almas do Recife    

 

*Robson Sampaio
Versos, versos e mais versos

a povoar de almas o Recife.

Poemas em cada esquina,

em cada bar, em cada desilusão

enchem e perfumam ruas e bairros:

da Aurora ao Recife Antigo.

São pedaços de cada um de nós,

poetas, vivos ou mortos.

Eles, como nós, teimam em poemar

a vida no Recife e a não

dormirem com a morte.

Versos, versos e mais versos!

Assim são os poetas

a povoar de almas o Recife.

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Sinfonia dos Vagabundos

*Robson Sampaio
Vagabundos, uni-vos!

Vinde louvar o Recife e

compor a Sinfonia dos poetas,

boêmios e miseráveis.

Vaguemos pelas ruas sujas e

fétidas, onde chagas de dor

e de desespero são expostas na

Sinfonia de todos os dias.

 

Vagabundos, uni-vos!

Vinde louvar o Recife e

ouvir a ladainha das devotas

beatas a compor a Sinfonia

dos pecadores de corpo e de alma.

 

Vagabundos, uni-vos!

Vinde louvar o Recife e

cantar o frevo-canção de dor,

de tristeza e de saudade,

num cântico excêntrico da

Sinfonia dos Vagabundos…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Águas do Mar

*Robson Sampaio
Há um cheiro de mulher no ar,

uma mistura com o cheiro

das águas do mar.

 

Há corpos seminus,

deitados nas areias mornas

do mar.

 

Há mulheres nas ruas: negras,

brancas, loiras, morenas, mulatas,

todas com o gosto dos frutos

do mar.

 

Há olhares, gestos, promessas e

sorrisos entre homens e mulheres,

em cumplicidade com o sol e

embalados nas ondas

do mar.

 

Há ternura, solidão, juras de amor,

paixões desenfreadas, que só o

verão recifense pode dar

nas águas do mar

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Vou “m’imbora pro” Recife…

Robson Sampaio*

Vou “m’imbora pro” Recife

do mar, das jangadas, das redes,

dos pescadores, dos peixes, do caçuá,

dos mangues, das ostras, dos siris,

dos caranguejos e da minha gente…

Vou “m’imbora pro” Recife

dos caboclinhos, da ciranda,

do maracatu, do baque-virado,

do Galo da Madrugada,

do Homem da Meia-Noite,

do frevo e dos meus foliões…

Vou “m’imbora pro” Recife

dos arrecifes, das pontes, dos becos,

das travessas, dos bares, dos botecos,

dos boêmios, da lua, das estrelas, do vento,

do sol, dos meus sonhos, da minha sina e

do meu Capibaribe…

Eu vou “m’imbora pro” Recife e

vou “m’imbora pra” mim mesmo!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Sombras                  

*Robson Sampaio
Nas esquinas, ,

as sombras,

nas sombras,

cada um de nós:

loucos, bêbados,

miseráveis,

os sem-nada

 

Fantasmas a

se esgueirar por

becos e vielas sombrios,

encobertos pelas vestes

negras da noite.

A fugir do presente,

a esquecer o passado

e sem ter o futuro

 

Nas esquinas,

as sombras,

nas sombras,

eu, você e o Recife…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Recife: Só Cores

*Robson Sampaio
 

Recife…

Dos meus amores e dores

Dos meus sonhos e dissabores

Dos meus quitutes e sabores

Dos meus engenhos e licores

Das minhas certezas e temores

Dos meus jardins e flores

Dos meus perfumes e odores

Dos meus cânticos e louvores

Do meu frevo e compositores

Das nossas Marias e Dolores.

Recife, tu és só cores!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Frevar Olinda                  

*Robson Sampaio
Olha moçada,

é madrugada,

sai da calçada,

vem pra rua,

olha que lua,

escuta o frevo,

vamos frevar.

 

Apesar de tudo,

 vamos cantar,

não fique mudo,

nada de choro,

é hora de sonho,

de brincadeiras,

até de namoro.

 

A esperança é linda,

ela não finda,

vamos frevar,

viver a vida,

cantar (frevar) Olinda.

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Boneco-gente?

 *Robson Sampaio

 

No estrelar da noite olindense,

surge a  cantar e a dançar

uma multidão de brincantes

a sorrir com uma alegria contagiante

sob o compasso de um gigante,

às vezes boneco, às  vezes gente:

é o Homem  da Meia-Noite.

 

Explodem os clarins, o passo,

os amores, as ilusões passageiras,

tão efêmeros, quantos eternos,

no gingado do frevo

de um Carnaval sem fim.

 

É o povo, é o canto, é Olinda,

é o Homem da Meia-Noite:

às vezes boneco, às  vezes gente,

neste ritmo efervescente

do frevo pernambucano

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

e-mail: rsampaioblog@gmail.com

 

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Homenagem ao Dia Internacional da Mulher

Saudade de você

*Robson Sampaio

 

Saudade?

Sim, saudade

do teu corpo.

Só de teu corpo?

Não.

De tua boca

tua pele, teu odor,

teu olhar.

 

Saudade

de tua voz, teus sussurros,

teus abraços, teus gemidos.

 

Saudade

de teu sorriso, tuas mãos,

tuas brigas,

do teu jeito se ser.

 

Saudade,

grande, imensa, descomedida,

a sangrar no meu peito e

a calar a minha voz.

Saudade,

de você…

*À Lucinha (minha mulher).

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Desabafo              

*Robson Sampaio

 

Eu queria falar

Faltaram palavras

Eu queria gritar

Faltou voz

Eu queria chorar

Faltaram lágrimas

Eu queria sorrir

Faltou alegria

Eu queria ser bom

Faltou compreensão

Eu queria ser mau

Faltou coragem

Eu queria ter fé

Faltou crença

Eu queria ser feliz

Faltou você

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Ah, essa mulher bonita!

*Robson Sampaio

Ah, essa mulher bonita!

Inventa e reinventa modas.

Primeiro, ajustando o corpo

e, depois, a alma,

só para nos agradar.

Por isso, suave é o dia,

doce é essa mulher…

Sorriso delicado, ar atrevido,

espírito irreverente, misto de

mulher e menina, um quê de moleca

com um quê de sensual…

Enigmas em sintonia

com o verde-azul do mar…

Ah, essa mulher bonita!

Por isso, suave é o dia,

doce é essa mulher…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Tigresa

*Robson Sampaio

Os olhos da tigresa

são esmeraldas incrustadas

nas águas verdes do mar.

Luzes que refletem o brilho

dessa mulher, porém, não

decifram os enigmas da sua

alma…

 

Os olhos da tigresa

são lanças flamejantes de desejo

e de paixão,

a rasgar entranhas e a ferir

com a dor bendita encravada

no coração…

 

Os olhos da tigresa são

a força felina de cada gesto,

a expor também a graça e a leveza,

enquanto o seu corpo resplandece

toda a beleza das fêmeas sensuais

e só domadas pelas carícias

do amor…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Maria…  

*Robson Sampaio

 

O quadro pintado

em preto e branco

não tinha o colorido

da vida terrena e,

sim, o negro da noite

e o clarão do dia.

Mas aquela mulher,

com a criança nos braços,

bem que poderia ser

a Virgem Maria…

* À minha mãe, Dinah.

* Saudades de Dinah, Zé Neto, Robson, Cézar, Gibson e Jackson

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Mulher

*Robson Sampaio

 

Mulher-menina

Mulher-amiga

Mulher-briga (ou intriga)

Mulher-amada (ou desejada)

Mulher-amor,

Ah, o amor!

 

Amor-gostoso

Sem aval (ou endosso)

Amor-verdade

Amor-instinto

Amor-paixão

Amor-amor

Mulher-saudade

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Mãe…    

 

*Robson Sampaio

 

Palavra-ventre

Palavra-menina

Palavra-moça

Palavra-mulher

Palavra-vida

Palavra-luz

Palavra-Santa

 

Todas mulheres

Todas Marias

Todas Luzias

Todas Santas

Santas Marias

Marias e Luzias

de todos os filhos…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

A bença, mãe…

*Robson Sampaio

 

A mulher é a obra-prima

de Deus.

Mãe, filha, irmã, amiga e

amante.

Todas sublimes.

 

Josefa deu à luz!

Severina pariu!

Maria concebeu Jesus!

 

As sementes germinam:

no ventre a vida,

no coração o amor,

no olhar a ternura e,

na alma, a luz.

 

Todas sublimes,

todas maternas,

todas filhas de Maria.

A bença, mãe!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Menina-Santa    

*Robson Sampaio

 

Menina-criança,

roubaram a tua boneca,

o teu sorriso,

a tua alegria.

 

Menina-moça,

roubaram a tua meiguice,

os teus encantos,

o teu corpo.

 

Menina-mulher,

ainda menina e moça,

não hão de roubar

a tua alma, a tua paz,

a tua vida.

Menina-Santa,

como tantas outras…

* À Casa de Passagem (Recife-PE).

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Cigana encantada…      

*Robson Sampaio

 

Gente sem destino, múltiplos caminhos,

andarilhos, zíngaros, tradição de milênios.

Na leitura da mão, a sorte dos outros

e o próprio destino ao vento. Desatino?

Oh, Carmem, cigana encantada,

amor impossível!

 

A altivez dos machos é reflexo ímpar

e majestoso de um povo sem rumo.

A alvura das carnes nas fêmeas são

tessituras de desejos inatingíveis

e de mistério no ar.

Oh, Carmem, cigana encantada,

amor impossível!

 

Anéis, pulseiras, brincos, colares,

deslumbramentos nos adornos

e sorrisos enigmáticos.

E nas vestes largas e multicoloridas,

a beleza milenar das indianas

e egípcias.

Fascínio, segredo, sedução, exotismo,

fêmeas de vida errante, incerta.

Todas, filhas de Carmem, cigana encantada,

amor impossível…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

  

Santa-Mulher?    

*Robson Sampaio

 

Que mulher é essa,

que vira Santa e move

a fé com a sua força?

 

Que mulher é essa,

que vira Santa e

transforma pagãos

em santos profanos?

 

Que mulher é essa,

que vira Santa e faz

da dor uma fonte de

esperança?

 

Estátua de pedra?

Alma de gente?,

Estátua de pau?

Santa-Mulher?

Estátua de barro?

Mulher-Santa?

 

Pedra de fé?

Fé de vida?

Mãe da gente?

Virgem-Santa?

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Águas do Mar

*Robson Sampaio

 

Há um cheiro de mulher no ar,

uma mistura com o cheiro

das águas do mar.

 

Há corpos seminus,

deitados nas areias mornas

do mar.

 

Há mulheres nas ruas: negras,

brancas, loiras, morenas, mulatas,

todas com o gosto dos frutos

do mar.

 

Há olhares, gestos, promessas e

sorrisos entre homens e mulheres,

em cumplicidade com o sol e

embalados nas ondas

do mar.

 

Há ternura, solidão, juras de amor,

paixões desenfreadas, que só o

verão recifense pode dar

nas águas do mar

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Olhos flamejantes…    

*Robson Sampaio

 

Olhos flamejantes,

os teus…

– Diamantes ou rubis?

Brilho incandescente,

fonte natural de desejo

 

Olhos flamejantes

os teus…

– Diamantes ou rubis?

Luz maior que o Sol

vontade de me queimar.

 

Olhos flamejantes,

os teus…

– Diamantes ou rubis?

Faíscas ardentes,

brasas para me arder.

 

Olhos flamejantes,

os teus…

– Diamantes ou rubis?

Raios a riscar o Céu e

a penetrar nos meus…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Duas lágrimas…  

*Robson Sampaio

 

Amparei as duas lágrimas

em cada uma das minhas mãos

e as beijei.

E elas transformaram-se

em águas do mar…

 

Salgadas, sim!

Dolorosas, sim!

Saudosas, sim!

 

Duas lágrimas nas palmas das mãos

e apenas um coração.

Numa dor que, só na saudade,

se é capaz de sentir em nome do amor…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Minipoemas

 

Lucinha…  

Um simples terraço,

duas cadeiras vazias

e, no meu coração,

o teu nome,

Lúcia Maria…

*À minha mulher, Lúcia. (RS)

 

Adeus…  

Um sorriso

Uma lágrima

Adeus.

Uma saudade a mais (RS)

  

Paixão…

Quando olho pra você,

não tem jeito: estremeço,

me alucino e acho que

vou explodir de paixão… (RS)

  

Frases (RS)

 

 “Se a mulher não fosse a obra-prima de Deus, os homens não existiriam”. “A negra é a avó; a mestiça é a mãe; a mulata é a filha; e a morena é a neta deste País”. “Lucinha não é apenas a minha mulher, há 46 anos. É o anjo que Deus colocou ao meu lado”.“Só covardes batem em mulher”. “Minhas filhas e netos são provas da benção de Deus a mim e à Lucinha”. “Só diga a uma mulher que a ama, se for verdade”. “Nada de Gabriela, cravo e canela. Mas, Gabi, rosas e bem-me-quer”. “Numa briga de marido e mulher, ela sempre tem razão”. “Mulher e doce de coco são sinônimos”.

  

rsampaioblog@gmail.com

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Teatro da Vida (Causos), Poesias, Frases e Minipoemas

 Advérbio vira verbo – O Colégio Carneiro Leão era conhecido, há muito tempo, como “pagou, passou”. E, ainda, tinha o apelido de a “Ponte da Aliança”, uma antiga marchinha carnavalesca com a seguinte letra: “Lá na Ponte da Aliança/ Todo mundo passa/ As lavadeiras falam assim! Todo mundo passa”. Então, certa vez, o professor fez uma pergunta sobre análise gramatical a um aluno. Queria saber o que significava aqui, gramaticalmente falando (advérbio de lugar). Aí, o espertalhão do estudante chutou que se tratava de verbo. O professor arretado com o tamanho do absurdo mandou que ele conjugasse. O garoto pensou, pensou e soltou esta peróla: “Eu aqui/Tu ali! Ele acolá! Nós de banda/Vós de lado / Eles de frente”. A classe inteira veio abaixo e o sem-vergonha burro ganhou um tremendo zero.

 

Poesias 

 

Folião Sem Nome  

 

 *Robson Sampaio

 

Folião sem nome,

perdido no meio do racha,

homem mulher e criança,

passos quase sem graça

 

Olhos eufóricos de sonhos,

suor regado à cachaça,

segue folião sem nome

alegre no bloco que passa

 

Ferver, frever, frevar,

ritmo e dança de uma raça,

vai folião sem nome

frevar o frevo na praça…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

 O Canto do Galo

 *Robson Sampaio

 

Que canto é esse,

que sacode a multidão?

Que canto é esse,

que mexe com o coração

e que acorda o Recife?

 

É o canto do Galo,

é o som da Madrugada,

é o canto do Galo,

do Galo da Madrugada.

 

É o canto e é o encanto

de gente nas ruas, ruas de gente,

mar de frevo, frevo da gente,

frevo do Galo.

  • A Éneas Freire, fundador do Galo da Madrugada

Poema Publicado na Agenda Cultural da Prefeitura do Recife –Fevereiro/Carnaval 2012.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Boneco-gente?

 *Robson Sampaio

 

No estrelar da noite olindense,

surge a cantar e a dançar

uma multidão de brincantes

a sorrir com uma alegria contagiante

sob o compasso de um gigante,

às vezes boneco, às vezes gente:

é o Homem da Meia-Noite.

 

Explodem os clarins, o passo,

os amores, as ilusões passageiras,

tão efêmeros, quantos eternos,

no gingado do frevo

de um Carnaval sem fim.

 

É o povo, é o canto, é Olinda,

é o Homem da Meia-Noite:

às vezes boneco, às vezes gente,

neste ritmo efervescente

do frevo pernambucano

Ao presidente do Homem da Meia-Noite, Luiz Adolpho

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Frevar Olinda                  

 *Robson Sampaio

 

Olha moçada,

é madrugada,

sai da calçada,

vem pra rua,

olha que lua,

escuta o frevo,

vamos frevar.

 

Apesar de tudo,

vamos cantar,

não fique mudo,

nada de choro,

é hora de sonho,

de brincadeiras,

até de namoro.

A esperança é linda,

ela não finda,

vamos frevar,

viver a vida,

cantar (frevar) Olinda.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

  

Folião Sem Nome  

 *Robson Sampaio

Folião sem nome,

perdido no meio do racha,

homem mulher e criança,

passos quase sem graça

Olhos eufóricos de sonhos,

suor regado à cachaça,

segue folião sem nome

alegre no bloco que passa

Ferver, frever, frevar,

ritmo e dança de uma raça,

vai folião sem nome

frevar o frevo na praça…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Morro

 *Robson Sampaio

 

Morro,

De mulatas belas

Que remexem as cadeiras e

Comprovam que só elas

Com graça e perícia

Dançam um samba de amor,

Cadência e malícia…

 

Morro,

De gente com fome

De moleques que choram

De alegria que some

Ficando, apenas, um sorriso triste

Para quem a felicidade

Não mais existe…

 

Morro,

A tua vida é mundana

Cheia de vícios e misérias

A tua luta é insana

O teu progresso é o pandeiro

O teu hino é o samba

Do sambista brasileiro…

*Recife, 1965 (a 1a. poesia)

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Vou “m’imbora pro” Recife…

 *Robson Sampaio

Vou “m’imbora pro” Recife

do mar, das jangadas, das redes,

dos pescadores, dos peixes, do caçuá,

dos mangues, das ostras, dos siris,

dos caranguejos e da minha gente…

Vou “m’imbora pro” Recife

dos caboclinhos, da ciranda,

do maracatu, do baque-virado,

do Galo da Madrugada,

do Homem da Meia-Noite,

do frevo e dos meus foliões…

Vou “m’imbora pro” Recife

dos arrecifes, das pontes, dos becos,

das travessas, dos bares, dos botecos,

dos boêmios, da lua, das estrelas, do vento,

do sol, dos meus sonhos, da minha sina e

do meu Capibaribe…

Eu vou “m’imbora pro” Recife e

vou “m’imbora pra” mim mesmo!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Frases

  

“O Viagra é o Carnaval fora de época dos velhinhos”. “Já que o povão não tem memória, tem, pelo menos, frevo, futebol, samba e forró. É mole ou não,companheiros”?

  

Minipoemas

 

Folião      

Em passos trôpegos,

segue o folião pela

rua, agora, vazia.

E carrega o peso da

bebedeira e do fim

da fantasia. (RS)

 

Aurora     

No fim da tarde,

frevo-canção,

frevo-rasgado e

uma multidão.

Passo frenético,

blocos na rua e

clarins de momo.

Um viva, à Aurora! (RS)

 

 Quase um plágio

 Daqui não saio, daqui

ninguém me tira. Onde é

que eu vou morar, sorrir,

chorar, frevar, amar,

viver e morrer? No Recife,

para sempre!

 

Recife    

Recife dos arrecifes

e dos corais,

das noites mal dormidas

e dos amores à beira do

cais.

 

Recife do mar verde-azul,

do Rio Capibaribe, das

pontes, dos meus amores

e do frevo nas ruas que

não esqueço jamais. (RS)

 

 rsampaioblog@gmail.com

 

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Teatro da Vida (Causos), Poesias, Frases e Minipoemas

 Advérbio vira verbo – O Colégio Carneiro Leão era conhecido, há muito tempo, como “pagou, passou”. E, ainda, tinha o apelido de a “Ponte da Aliança”, uma antiga marchinha carnavalesca com a seguinte letra: “Lá na Ponte da Aliança/ Todo mundo passa/ As lavadeiras falam assim! Todo mundo passa”. Então, certa vez, o professor fez uma pergunta sobre análise gramatical a um aluno. Queria saber o que significava aqui, gramaticalmente falando (advérbio de lugar). Aí, o espertalhão do estudante chutou que se tratava de verbo. O professor arretado com o tamanho do absurdo mandou que ele conjugasse. O garoto pensou, pensou e soltou esta peróla: “Eu aqui/Tu ali! Ele acolá! Nós de banda/Vós de lado / Eles de frente”. A classe inteira veio abaixo e o sem-vergonha burro ganhou um tremendo zero.

 

Poesias 

 

Folião Sem Nome  

 

 *Robson Sampaio

 

Folião sem nome,

perdido no meio do racha,

homem mulher e criança,

passos quase sem graça

 

Olhos eufóricos de sonhos,

suor regado à cachaça,

segue folião sem nome

alegre no bloco que passa

 

Ferver, frever, frevar,

ritmo e dança de uma raça,

vai folião sem nome

frevar o frevo na praça…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

 O Canto do Galo

 *Robson Sampaio

 

Que canto é esse,

que sacode a multidão?

Que canto é esse,

que mexe com o coração

e que acorda o Recife?

 

É o canto do Galo,

é o som da Madrugada,

é o canto do Galo,

do Galo da Madrugada.

 

É o canto e é o encanto

de gente nas ruas, ruas de gente,

mar de frevo, frevo da gente,

frevo do Galo.

  • A Éneas Freire, fundador do Galo da Madrugada

Poema Publicado na Agenda Cultural da Prefeitura do Recife –Fevereiro/Carnaval 2012.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Boneco-gente?

 *Robson Sampaio

 

No estrelar da noite olindense,

surge a cantar e a dançar

uma multidão de brincantes

a sorrir com uma alegria contagiante

sob o compasso de um gigante,

às vezes boneco, às vezes gente:

é o Homem da Meia-Noite.

 

Explodem os clarins, o passo,

os amores, as ilusões passageiras,

tão efêmeros, quantos eternos,

no gingado do frevo

de um Carnaval sem fim.

 

É o povo, é o canto, é Olinda,

é o Homem da Meia-Noite:

às vezes boneco, às vezes gente,

neste ritmo efervescente

do frevo pernambucano

Ao presidente do Homem da Meia-Noite, Luiz Adolpho

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Frevar Olinda                  

 *Robson Sampaio

 

Olha moçada,

é madrugada,

sai da calçada,

vem pra rua,

olha que lua,

escuta o frevo,

vamos frevar.

 

Apesar de tudo,

vamos cantar,

não fique mudo,

nada de choro,

é hora de sonho,

de brincadeiras,

até de namoro.

A esperança é linda,

ela não finda,

vamos frevar,

viver a vida,

cantar (frevar) Olinda.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

  

 

Morro

 *Robson Sampaio

 

Morro,

De mulatas belas

Que remexem as cadeiras e

Comprovam que só elas

Com graça e perícia

Dançam um samba de amor,

Cadência e malícia…

 

Morro,

De gente com fome

De moleques que choram

De alegria que some

Ficando, apenas, um sorriso triste

Para quem a felicidade

Não mais existe…

 

Morro,

A tua vida é mundana

Cheia de vícios e misérias

A tua luta é insana

O teu progresso é o pandeiro

O teu hino é o samba

Do sambista brasileiro…

*Recife, 1965 (a 1a. poesia)

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Vou “m’imbora pro” Recife…

 *Robson Sampaio

Vou “m’imbora pro” Recife

do mar, das jangadas, das redes,

dos pescadores, dos peixes, do caçuá,

dos mangues, das ostras, dos siris,

dos caranguejos e da minha gente…

Vou “m’imbora pro” Recife

dos caboclinhos, da ciranda,

do maracatu, do baque-virado,

do Galo da Madrugada,

do Homem da Meia-Noite,

do frevo e dos meus foliões…

Vou “m’imbora pro” Recife

dos arrecifes, das pontes, dos becos,

das travessas, dos bares, dos botecos,

dos boêmios, da lua, das estrelas, do vento,

do sol, dos meus sonhos, da minha sina e

do meu Capibaribe…

Eu vou “m’imbora pro” Recife e

vou “m’imbora pra” mim mesmo!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Frases

  

“O Viagra é o Carnaval fora de época dos velhinhos”. “Já que o povão não tem memória, tem, pelo menos, frevo, futebol, samba e forró. É mole ou não,companheiros”?

  

Minipoemas

 

Folião      

Em passos trôpegos,

segue o folião pela

rua, agora, vazia.

E carrega o peso da

bebedeira e do fim

da fantasia. (RS)

 

Aurora     

No fim da tarde,

frevo-canção,

frevo-rasgado e

uma multidão.

Passo frenético,

blocos na rua e

clarins de momo.

Um viva, à Aurora! (RS)

 

 Quase um plágio

 Daqui não saio, daqui

ninguém me tira. Onde é

que eu vou morar, sorrir,

chorar, frevar, amar,

viver e morrer? No Recife,

para sempre!

 

Recife    

Recife dos arrecifes

e dos corais,

das noites mal dormidas

e dos amores à beira do

cais.

 

Recife do mar verde-azul,

do Rio Capibaribe, das

pontes, dos meus amores

e do frevo nas ruas que

não esqueço jamais. (RS)

 

 rsampaioblog@gmail.com

 

 

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