Teatro da Vida (Causos), Frases e Poesias

Seria o nº onze? –Todo mundo sabe que o número vinte e quatro é associado aos gays, mas poucas pessoas sabem de onde que surgiu essa história. Então, vamos descobrir qual é esse mistério, segundo o site www.minilua.com. A explicação mais comum é que vinte e quatro é o número do veado, no jogo do bicho, que ainda é muito popular no Brasil. Com essa explicação, surge outra dúvida. Por que o veado é associado aos homossexuais? Essa é fácil. Sabe-se que os veados (machos) costumam ter relações sexuais entre eles. Logo, surgiu a “comparação”. Contudo, não são exclusividade dessa raça os relacionamentos homossexuais, pois o “rei dos animais”, o leão, também gosta de um fungado no pescoço e, às vezes, apronta as suas também. Outra explicação bastante comum seria que o som de vinte e quatro é muito similar a “vim de quatro”. Mesmo com essas explicações, há quem diga que o número gay seria o onze: um atrás do outro.

 

É melhor rir…

O sujeito estava dirigindo a 120 km, com um amigo sentado ao lado. Cada vez que entrava numa curva perigosa, o amigo falava: – Pio! Dava uma freada brusca e o amigo: – Pio!  Passava de 130 por hora e o amigo: – Pio! Quando chegaram ao destino, o sujeito perguntou: – Que história foi essa de toda hora você ficar falando: Pio! Pio! Pio!? – É que um primo meu morreu, num acidente de carro, sem dar um pio.

…Rir sempre

“A diferença entre neurótico, esquizofrênico e psiquiatra”: O neurótico constrói castelos no ar; o esquizofrênico mora neles; e o psiquiatra cobra aluguel. “Na noite de núpcias”: Maria fala pro Joaquim: – Tenho uma coisa muito importante pra te contar. – Diga lá, meu amor. – Eu não sou virgem. – Ô Maria! Isso lá é hora de falar em horóscopo? “Desinformação cultural”: Galileu, quando afirmou que o mundo girava, apenas confirmou o que todo bêbado já sabia.

Frases: “A desigualdade não é só injusta. É desumana” (RS). Frase: “O bar é a tribuna do povo” (RS).

 

Poesia:

 

Sinfonia dos Vagabundos

*Robson Sampaio

  

        Vagabundos, uni-vos!

Vinde louvar o Recife e

compor a Sinfonia dos poetas,

boêmios e miseráveis.

Vaguemos pelas ruas sujas e

fétidas, onde chagas de dor

e de desespero são expostas na

Sinfonia de todos os dias.

 

       Vagabundos, uni-vos!

Vinde louvar o Recife e

ouvir a ladainha das devotas

beatas a compor a Sinfonia

dos pecadores de corpo e de alma.

 

       Vagabundos, uni-vos!

Vinde louvar o Recife e

cantar o frevo-canção de dor,

de tristeza e de saudade,

num cântico excêntrico da

Sinfonia dos Vagabundos…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Choramingar da viola                  

*Robson Sampaio

O choramingar da velha e ensebada viola

emite sons que parecem rezas abençoadas

por santos puros e impuros:

Sacrilégio?

 

O choramingar da velha e ensebada viola

entoa cânticos em dias de festas nas antigas

ruas e igrejas:

Profano e Religioso?

 

O choramingar da velha e ensebada viola

ecoa no oráculo sem perdão dos rituais sacramentos

e dos sentimentos do povo:

Inquisição?

 

O choramingar da velha e ensebada viola

já não alcança a surdez dos desertos de hoje:

A bença, mãe! A bença, pai!

Salvação?

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Desabafo

Robson Sampaio            

Eu queria falar

Faltaram palavras

Eu queria gritar

Faltou voz

Eu queria chorar

Faltaram lágrimas

Eu queria sorrir

Faltou alegria

Eu queria ser bom

Faltou compreensão

Eu queria ser mau

Faltou coragem

Eu queria ter fé

Faltou crença

Eu queria ser feliz

Faltou você

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Eu sou Capibaribe   

 

*Robson Sampaio

 

(A Zé da Flauta)

 

Dos mangues do rio arranquei

a carne da sobrevivência:

as iguarias das mesas das sirigaitas.

 

Das águas do rio tirei

o som da flauta;

a composição dos pássaros,

a sinfonia de todos os cânticos.

 

Vim de muito longe,

passei por Beberibe;

eu sou recifense,

eu sou Capibaribe.

 

Nas correntezas do rio embalei

os nossos sonhos,

o mergulho profundo:

ora vida, ora morte.

 

Vim de muito longe,

passei por Beberibe;

eu sou recifense,

eu sou Capibaribe.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Mulher  

*Robson Sampaio

Mulher-menina

Mulher-amiga

Mulher-briga (ou intriga)

Mulher-amada (ou desejada)

Mulher-amor,

Ah, o amor!

 

Amor-gostoso

Sem aval (ou endosso)

Amor-verdade

Amor-instinto

Amor-paixão

Amor-amor

Mulher-saudade

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Ah, essa mulher bonita!

Robson Sampaio

Ah, essa mulher bonita!

Inventa e reinventa modas.

Primeiro, ajustando o corpo

e, depois, a alma,

só para nos agradar.

Por isso, suave é o dia,

doce é essa mulher…

Sorriso delicado, ar atrevido,

espírito irreverente, misto de

mulher e menina, um quê de moleca

com um quê de sensual…

Enigmas em sintonia

com o verde-azul do mar…

Ah, essa mulher bonita!

Por isso, suave é o dia,

doce é essa mulher…

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

 

 

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Teatro da Vida (Causos) e Poesias

Advérbio vira verbo – Um colégio, no Centro do Recife, era conhecido, há muito tempo, como “pagou, passou”. E, ainda, tinha o apelido de a “Ponte da Aliança”, uma antiga marchinha carnavalesca com a seguinte letra: “Lá na Ponte da Aliança/Todo mundo passa/As lavadeiras falam assim! Todo mundo passa”. Então, certa vez, o professor fez uma pergunta sobre análise gramatical a um aluno. Queria saber o que significava aqui, gramaticalmente falando (advérbio de lugar). Aí, o espertalhão do estudante chutou que se tratava de verbo. O professor arretado, com o tamanho do absurdo, mandou que ele conjugasse. O garoto pensou, pensou e soltou esta pérola: “Eu aqui/Tu ali! Ele acolá!/ Nós de banda/Vós de lado/Eles de frente”. A classe inteira veio abaixo e o sem-vergonha burro ganhou um tremendo zero.

POESIAS

(In)consciência!  

*Robson Sampaio

Anjo, ele é.

Só que é um anjo diferente desses

que enfeitam igrejas, santuários, capelas

ou que aparecem corados, gorduchos e

risonhos em pinturas celestiais.

Anjo, ele é.

É um anjo do sofrimento, do abandono,

da fome, da miséria e do esquecimento.

Mas é um anjo, mesmo sem nada, sem-teto,

sem arcanjo e sem guarda.

Anjo, ele é.

De traços angélicos, de olhar infantil,

que chora de fome, que treme de frio; que

dorme nas calçadas ou nas mesas solitárias

dos bares vazios das noites-madrugadas.

É um anjo, sim.

De vestes esfarrapadas, de corpo sujo,

de andar sem rumo, de extrema penúria,

de querer ser santo na espera da morte.

É o anjo da nossa (in)consciência!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Vida, espera da Morte…  

*Robson Sampaio

Vida, espera da Morte

Morte, verdade da Vida…

Medo ou paz infinita ao dormir

com a luz e acordar com a escuridão?

De adormecer com o trinar dos pássaros,

de suaves cantos; ou despertar com

cânticos e orações celestiais?

Vida, espera da Morte

Morte, espera da Vida…

Sangue esparramado, lágrima sentida,

lamento abafado, sonhos estilhaçados,

dor fatal; o tudo, o nada…

E nós, coadjuvantes de sempre

ou intérpretes primitivos desse

Mistério?

Vida, espera da Morte

Morte, verdade da Vida…

Medo ou paz infinita ao dormir

com a luz e acordar com a escuridão?

* Ao poeta e imortal Antônio Campos

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Boi no laço?  

*Robson Sampaio

Rebanho no pasto,

boi no laço,

corte inclemente,

fartura na mesa,

só de “oiá”…

Em “riba” do jumento,

só sofrimento,

terra batida,

chuva é miragem,

barriga vazia,

só rapadura,

só lambuzar.

Rebanho no pasto,

boi no laço,

fartura na mesa,

só de “oiá”…

“Óia” a caatinga,

vaqueiro valente,

só boiadeiro.

Cadê, o pasto?

Cadê, o boi?

Penitência e

assombração?

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Karina/Gaivota

*Robson Sampaio

Karina, menina-moça,

os céus te acolheram

com a graça das gaivotas,

tal qual disse o poeta do

“Ofício da Busca”.

O teu voo tem pousada certa:

longe dos homens, mortais,

e bem perto de Deus, eterno.

Assim, como a gaivota,

É frágil, bela e terna.

Te amo (amamos)!

  • Ao poeta e imortal da Academia Pernambucana de Letras Waldemir Maia Leite.
  • * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Poetas    

*Robson Sampaio

Os poetas,

se não são imortais,

pelo menos, são eternos.

Os poemas surgem como

relâmpagos em noites de inverno;

ou com o brilho das estrelas em noites

enluaradas.

Também, nas mesas dos bares,

na saudade do amor perdido,

na aflição de uma mãe;

ou no sorriso das crianças.

E, ainda, nos reflexos prateados

da Lua sobre o Rio Capibaribe,

marco indelével do Recife.

Por isso, digo: os poetas,

se não são imortais,

pelo menos, são eternos.

* A Roberto Santos, poeta

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Louco?      

*Robson Sampaio

Cada um carrega

a sua fantasia,

mesmo que seja a

própria cruz.

Uns preferem o mutismo,

outros, o alarde.

Nem por isso,

o ruído é diferente,

menos ensurdecedor,

ou o caminhar é inverso.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Poesias inacabadas…                                                                                              

*Robson Sampaio

Recife,

de tardes-noites-madrugadas

de saudades das bem-amadas

de passos incertos nas calçadas…

Recife,

de gosto de peles salgadas

de corpos suados, de bocas molhadas

de vontades nem sempre saciadas…

Recife,

de belezas e cores encantadas

de cirandas e frevos eternizadas

de poesias inacabadas…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

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Teatro da Vida (Causos), Poesias, Frases e Minipoemas

Apenas um sonho – Sílvia deu o grande passo de sua vida: separar-se de Rui. Sentou-se na cama, acabou de fechar as malas e deixou o bilhete em cima da cômoda explicando as suas razões ao marido. Olhou, melancolicamente, o quarto, onde conviveu com Rui por mais de 15 anos. Respirou fundo e contemplou a janela, onde lá fora a vida seguia com o cotidiano de sempre. Agora, era só o táxi chegar, seguir para o aeroporto e começar uma nova vida ao lado de Fábio, o homem que amava e que preencheu o vazio de todos esses anos. Definitivamente, não fora feliz com o esposo, que só tinha tempo para os negócios e as viagens a trabalho. Fábio vinha de Brasília, faria escala no Rio e ambos viajariam para São Paulo. Depois, trataria de pedir o divórcio. Ainda bem que ela não tinha filhos. Chegou ofegante ao setor de embarque, onde já estava o seu irmão e que sabia de sua decisão. Aproximou-se e, depois dos cumprimentos, recebeu a notícia: o avião caiu. Fábio e todos os passageiros morreram.

 

Poesias

 

Folião Sem Nome

 

*Robson Sampaio

 

Folião sem nome,

perdido no meio do racha,

homem mulher e criança,

passos quase sem graça

 

Olhos eufóricos de sonhos,

suor regado à cachaça,

segue folião sem nome

alegre no bloco que passa

 

Ferver, frever, frevar,

ritmo e dança de uma raça,

vai folião sem nome

frevar o frevo na praça…

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

O Azul do poeta  

 

*Robson Sampaio

 

Frágil e quase cego,

as mãos trêmulas do velho poeta

teimam em não obedecer o raciocínio.

E os versos não ganham forma.

 

Ergue os olhos para a janela

e duas lágrimas escorrem na face,

enquanto a sua escuridão é azul.

Como azul foram as cores

de todos os versos até então.

 

A exemplo dos pássaros em gaiolas,

resigna-se com a sua prisão

e aguarda na morte a sua libertação

para ter de volta todo o azul.

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 Charge: Pablo

Feliz, ele…    

*Robson Sampaio

 

O poeta teve o bairro, o mar

e o bar.

Feliz, ele…

Desprezou o outrora para que a

rosa não lhe perturbasse os

sonhos.

O mar teve como o amor maior,

onde derramou lágrimas

para que não se perdessem no

tempo.

Como mágico das palavras (ou seria poesia,

coisa só sua, íntima e necessária?), diz que

a vida enganou a vida, o homem enganou o

homem.

E que multiplicou a sua dor e, também,

a esperança.

Feliz, enganou a todos nós, pois teve o

bairro, o mar e o bar.

Feliz, ele… E eu!

* A Paulo Mendes Campos

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

O Divisor é o Tempo…  

*Robson Sampaio

 

O divisor é o tempo…

Torna a vida mais vida

e a morte mais morte.

Contraponto que induz

à busca do nada.

 

O divisor é o tempo…

Encurta a distância do sempre

na ilusão de tudo.

A vida é a morte,

a morte é a vida.

O divisor é o tempo…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

“O bar é a tribuna do povo”. “O jornal é a vitrine do jornalista”. “O esqueleto humano é o Raio-X que ninguém quer”. “A desigualdade não é só injusta. É desumana”. (RS)

 

Recife    

 

Recife dos arrecifes

e dos corais,

das noites mal dormidas

e dos amores à beira do

cais.

 

Recife do mar verde-azul,

do Rio Capibaribe, das

pontes, dos meus amores

e do frevo nas ruas que

não esqueço jamais. (RS)

 

Folião

 

Em passos trôpegos,

segue o folião pela

rua, agora, vazia.

E carrega o peso da

bebedeira e do fim

da fantasia. (RS)

 

Sertão        

Chão de pedras e

aperto no coração,

rios de águas,

mas, só nas lágrimas.

Valha-me, Nosso Senhor!

Os salmos dos anjos

não chegam no meu

Sertão!  (RS)

 

 

rsampaioblog@gmail.com

 

 

 

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Teatro da Vida (Causos), Frase e Poesias

Pescador? II – Estão lembrados da estória que contei, no domingo passado, de um conhecido meu e que chamei de “Godofredo”. Sobre uma loira que queria ser a primeira loira a pisar no sol e, que iria à noite, para não ser queimada? Pois bem, o cara de pau contou esta outra, tomando uma comigo, num bar aqui de Boa Viagem, perto do Plaza Hotel, e jura de pés juntos que é verdadeira. E garante que aconteceu com um índio, que veio da aldeia para o Bairro do Ipsep, no Recife. O índio foi ao cabaré, mas não sabia fazer sexo. Então, ela mandou que voltasse para a aldeia, arrumasse uma árvore com um buraquinho e treinasse. Depois de uns dias de “treinamentos”, o indígena voltou ao cabaré e disse: – Índio tem dinheiro, já treinou e quer mulher. Aí, a rapariga ficou nua e de quatro. O índio pega uma ripa e começa a bater na bunda dela de um lado e de outro. Indignada, a mulher reage: – O que é isso, moço? Ficou doido?  Ele diz: – Índio tá só conferindo se não tem formiga no buraquinho. E aí, dá para acreditar nessa nova estória de “Godofredo”? Mais uma vez, a única verdade: Pescador, eu garanto que o cara não é.

 

 Frase

O bar é a tribuna do povo” RS)

 

Poesias:

 

Sertão

 

** Robson Sampaio

    

Gente sem rumo, pé na estrada

Pão dormido, alma penada

Povo sofrido, assombração!

 

(sem eira nem, beira, de cuia na mão)

 

 

Rio sem água, caçuá vazio

Gado sem pasto, boi sem cabeça

Povo sofrido, judiação!

 

(sem eira nem beira, de cuia na mão)

 

 

Gente sem rumo, pé na estrada

Terra em brasas, feito tição

Povo sofrido, Sertão!

 

* A Ascenso Ferreira

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Sertanejo da dor

 

 

Robson Sampaio *

O sopro surdo do vento

parece murmúrio de vozes

em lamento pela morte.

A madrugada foge num repente

danado com medo do amanhecer.

Sob o sol, os cascalhos e a terra areosa

refletem a imagem do céu.

Sina?

 

Na trilha de pó, pedras e galhos secos,

o sertanejo caminha entre crenças e

esperanças de cangaceiros.

Um penar sem fim?

 

No peito carrega o grito

do deserto-desesperança. A benção nunca

chega, apesar das rezas de virgens órfãs,

criadas por devotas beatas.

Santuário?

 

“Valei-me, meu padim-padre Ciço!”,

prece de fé e de desespero. A morte é

a passagem da Salvação?

 

O chão é um mar em brasas,

com a folhagem sem cor e a natureza

perdendo a vida. E a caatinga vira léguas

de judiação do sertanejo da dor.

Penitência?

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Adeus, meu Capitão!  

Robson Sampaio *

Sol de fogo,

terra batida,

punhal e mosquetão.

Treme a caatinga

com medo do Capitão.

 

Calam-se, as armas!

Maria Bonita com

a flor na mão.

Treme em desejos

o amor de Lampião.

 

Fogo cruzado,

tocaia grande,

só danação!

Treme Angico,

Adeus, meu Capitão!

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Filhos da Caatinga

 

Robson Sampaio *

  

 Ôxente, meu fio,

cadê o boi no cercado

e toda aquela plantação?

Foi embora no vento,

sumiu tudo no céu,

feito ave de arribação.

Agora, é só terra em brasas,

ardendo que nem tição.

 

Do gado só as cabeças,

igual assombração.

Feito rio escorregadio,

a terra plantada se foi,

levada no deslize do chão.

Ai, que tamanha judiação.

 

Inhô, num gema não,

basta de choro e reza,

feitos só de lamentação.

A terra é seca e batida,

igual alma sem alumiação,

mas, de gente com fé no Santo,

indo e vindo, solta pelo Sertão.

 

São os filhos da Caatinga,

sofrendo toda humilhação.

Mas, briga, mata, esfola ou morre,

mesmo sem ser Lampião.

Ôxente, sêo Capitão,

Virge, Santa Maria,

pra quê ser tão valentão?

Num tem nem quase a vida

e, muito menos, esse chão.

 

Cruz credo, Ave Maria,

dê-me a benção Padim Ciço,

pois, é só dor no meu Sertão.

Mas, juro meu Santo querido,

que de fome, a gente num morre não.

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

(rsampaioblog@gmail.com).

 

 

 

 

 

 

 

 

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