O Sinal Divino

                                                 O Sinal Divino

*Robson Sampaio

O velho-repórter toma mais uma dose do bendito uísque de todas as noites no templo maior dos boêmios da Imprensa: O Bar e Restaurante Dom Pedro. Num relance, velhas imagens ganham contornos como se fossem atuais. Ele revê o recém-nascido deitado na incubadora. Prematuro, 24 horas depois não resiste. Ao lado da mulher, Lúcia, passa momentos amargos. Em casa, abalado, não contém o desespero da dor e as lágrimas brotam. A sogra, dona Maria, o pega pelo braço e mostra Viviane, a sua filha, de um ano. Ela corre em sua direção, com os braços abertos, a chamá-lo de “papai”. Era o Sinal Divino do ter que recomeçar. Depois, vieram mais duas filhas, dádivas da bondade de Deus: Danielle e Carolinne. Hoje, aos 52 anos, dos quais 32 de “batente”, revive o turbilhão de fatos marcantes. E, antes do ultimo gole, chora. A menina, que correu de braços abertos e sorriso no rosto, vai lhe dar um neto e com o seu nome. Mais lágrimas escorrem de novo pela face do velho-repórter, hoje já com as marcas dos tempos. E, Deus, 24 anos depois, mais uma vez, escreveu certo por linhas tortas. Amém, companheiros!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Folha de Pernambuco – 18.05.99)

 

Os meus netos: Robson Neto já tem 18 anos, o irmão Bruno 16, e a irmã Mariana 10 (filhos de Viviane). Diego 16 e  o irmão Pedro 11 (filhos de Danielle). Maurício 5 e Thiago 2 (filhos de Carolinne).

 

A meu pai, Zeca

*Robson Sampaio

O manto da morte sobressaiu-se

na escuridão da noite.

Ao amanhecer,

a tua alma confundiu-se com

esparsas nuvens.

O lacrimejar dos olhos não

me transformou em correntezas,

mas o meu coração inundou-se

com um mar de saudades,

pai…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

* Saudades de Dinah, Zé Neto, Robson, César, Gibson e Jackson.

 

Leia Mais

Teatro da Vida (Causos) e Poesias

 

“Tô duro” – Todo mundo conhece os dotes artísticos do cearense Chico Anysio. Além de ter sido um excelente humorista, há mais de 40 anos, também foi compositor, escritor e redator. Não é à toa que fez escola pelo Brasil afora. Golias, Renato Aragão, Jô Soares, Tom Cavalcanti e tantos outros, cada um no seu estilo próprio, sempre se espelharam no “Velho Chico”. Pois bem, estava o humorista em São Paulo para um show.

Resolveu, então, dar uma volta pela cidade. No meio do caminho, de repente, cai um pé d’água de arrombar. Aí, ele fica debaixo da marquise de um templo da Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo. Daqui há pouco, chega o bispo num carrão daqueles. Vê Chico e diz: “Entra Chico.” No que Chico Anysio responde:” Tô duro.” Até hoje, o bispo prefere ver o Diabo ao humorista, mesmo que seja no Céu.

 

Poesias

 

Saudade de você

 

*Robson Sampaio

  

Saudade?

Sim, saudade

do teu corpo.

Só de teu corpo?

Não.

De tua boca

tua pele, teu odor,

teu olhar.

 

Saudade

de tua voz, teus sussurros,

teus abraços, teus gemidos.

 

Saudade

de teu sorriso, tuas mãos,

tuas brigas,

do teu jeito se ser.

 

Saudade,

grande, imensa, descomedida,

a sangrar no meu peito e

a calar a minha voz.

Saudade,

de você…

 

*À Lucinha (minha mulher).

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Vou “m’imbora pro” Recife…

 

*Robson Sampaio

 

Vou “m’imbora pro” Recife

do mar, das jangadas, das redes,

dos pescadores, dos peixes, do caçuá,

dos mangues, das ostras, dos siris,

dos caranguejos e da minha gente…

 

Vou “m’imbora pro” Recife

dos caboclinhos, da ciranda,

do maracatu, do baque-virado,

do Galo da Madrugada,

do Homem da Meia-Noite,

do frevo e dos meus foliões…

 

Vou “m’imbora pro” Recife

dos arrecifes, das pontes, dos becos,

das travessas, dos bares, dos botecos,

dos boêmios, da lua, das estrelas, do vento,

do sol, dos meus sonhos, da minha sina e

do meu Capibaribe…

Eu vou “m’imbora pro” Recife e

vou “m’imbora pra” mim mesmo!

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Filhos da Caatinga  

 

*Robson Sampaio

 

Ôxente, meu fio,

cadê o boi no cercado

e toda aquela plantação?

Foi embora no vento,

sumiu tudo no céu,

feito ave de arribação.

Agora, é só terra em brasas,

ardendo que nem tição.

 

Do gado só as cabeças,

igual assombração.

Feito rio escorregadio,

a terra plantada se foi,

levada no deslize do chão.

Ai, que tamanha judiação.

 

Inhô, num gema não,

basta de choro e reza,

feitos só de lamentação.

A terra é seca e batida,

igual alma sem alumiação,

mas, de gente com fé no Santo,

indo e vindo, solta pelo Sertão.

 

São os filhos da Caatinga,

sofrendo toda humilhação.

Mas, briga, mata, esfola ou morre,

mesmo sem ser Lampião.

Ôxente, sêo Capitão,

Virge, Santa Maria,

pra quê ser tão valentão?

Num tem nem quase a vida

e, muito menos, esse chão.

 

Crz credo, Ave Maria,

dê-me a benção Padim Ciço,

pois, é só dor no meu Sertão.

Mas, juro meu Santo querido,

que de fome, a gente num morre não.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Pivete

 

*Robson Sampaio

 

Moleque de rua

Filho do cão

Frio na pele

Dor da solidão

Criança sem rumo

Pega o ladrão!

 

Moleque de rua

Filho do cão

Grito de raiva

Chute e bofetão

Canivete na mão

Não sei não…

 

Moleque de rua

Filho do cão

Talho na carne

Sangue não chão

Morte na calçada

O “dotô” sem razão.

Dai-me, a vida,

Dai-me, o pão!

Vai pivete pra prisão…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Réstia da Morte

*Robson Sampaio

 

As rugas são fendas

abertas na face de dor

daquela mulher.

A pele de outrora é um

tecido gasto pelo tempo e

pelo sofrimento a expor ossos.

Os olhos, sujos e esbugalhados,

refletem as cenas patéticas

do palco da vida.

O corpo é a imagem

do tudo e do nada.

Tênue réstia da morte…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

  

Leia Mais

Domingo/2ª.-feira: Teatro da Vida (Causos), Poesias e Frases e Minipoemas

“Homens” – “Sabem por que os homens raramente estão deprimidos?” Não engravidam e não menstruam. Os mecânicos não mentem pra eles. Nunca precisam procurar outro posto de gasolina para achar um banheiro limpo. Barriga é prosperidade. Cabelos brancos são charme. Ninguém fica encarando os peitos deles quando estão falando. Os sapatos não lhes machucam os pés. As conversas ao telefone duram apenas 30 segundos. Para férias de cinco dias, apenas precisam de uma mochila. Se outro aparecer na mesma festa usando uma roupa igual, não há problema. Cera quente não chega nem perto. Ficam assistindo a TV com um amigo, em total silêncio, por muitas horas, sem ter que pensar: Se alguém se esquece de convidá-los para alguma festa, ainda assim vai continuar sendo seu amigo. Sua roupa íntima custa, no máximo, 20 reais (em pacote de três). Três pares de sapatos são mais que suficientes. São incapazes de perceber que a roupa está amassada. Seu corte de cabelo pode dura anos, aliás, décadas.

 

É melhor rir…

“Homens II” – Meia dúzia de cervejas e um jogo de futebol, na televisão, são o suficiente para extrema felicidade. O shopping não faz falta nenhuma para eles. Podem deixar crescer o bigode. Se um amigo chamá-lo de gordo, careca, metido, chato, etc, não abala em nada a amizade. Aliás, é prova de grande amizade. Podem comprar os presentes de Natal para 25 pessoas, no dia 24 de dezembro, em no máximo, 25 minutos.

 

…Rir sempre       

“Homens III” – Qual a diferença entre um homem e uma manga verde? A manga amadurece. Quantos homens são necessários para trocar um rolo de papel higiênico? Não sabemos, nunca aconteceu antes!  Por que  é tão difícil achar homens bonitos, sensíveis e carinhosos? Por que, normalmente, eles já têm “namorados”. Qual a mulher que sabe onde sempre está o seu marido? A viúva.

 

Poesias

 

Vai homem

 *Robson Sampaio

 

Vai homem,

segue a estrada,

 vive a vida,

a vivência da vida

 

Vai homem,

cruze a encruzilhada,

não olhe para trás,

tece o teu destino.

 

Vai homem,

sua a testa com trabalho,

bebe a água do rio,

ergue o teu futuro.

 

Vai homem,

ama a natureza,

purifica a tua alma,

reverencia a Deus.

 

Vai homem,

esquece o ódio,

ilumina a escuridão,

enaltece o amor.

 

Vai homem,

segue a estrada,

 vive a vida,

a vivência da vida.

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 Tigresa

*Robson Sampaio

Os olhos da tigresa

são esmeraldas incrustadas

nas águas verdes do mar.

Luzes que refletem o brilho

dessa mulher, porém, não

decifram os enigmas da sua

alma…

 

Os olhos da tigresa

são lanças flamejantes de desejo

e de paixão,

a rasgar entranhas e a ferir

com a dor bendita encravada

no coração…

 

Os olhos da tigresa são

a força felina de cada gesto,

a expor também a graça e a leveza,

enquanto o seu corpo resplandece

toda a beleza das fêmeas sensuais

e só domadas pelas carícias

do amor…

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Meninos-fantasmas            

 *Robson Sampaio

 

Meninos sem rosto,

de tênues traços sem cor.

Meninos sem nome,

habitantes de pontes

e marquises.

Meninos-fantasmas,

que se esgueiram por becos

e esquinas desumanos.

Meninos sem rumos,

descaminhos da volta,

vândalos do inconsciente

social.

Meninos de vida na sarjeta,

Meninos da noite, opções do escuro.

Meninos de rua,

Crianças, apenas na idade…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Menina-Santa  

 *Robson Sampaio

   

Menina-criança,

roubaram a tua boneca,

o teu sorriso,

a tua alegria.

 

Menina-moça,

roubaram a tua meiguice,

os teus encantos,

o teu corpo.

 

Menina-mulher,

ainda menina e moça,

não hão de roubar

a tua alma, a tua paz,

a tua vida.

Menina-Santa,

como tantas outras…

* À Casa de Passagem (Recife-PE).

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 “Numa briga de marido e mulher, ela sempre tem razão”. “Não me convidem para casamento, batizado ou enterro. Só vou aos da família”.  “Não creio na tal parceria. Só existe, porque o mais forte manda”. “O voto obrigatório cerceia o direito do cidadão”. (RS)

 

 Gestos  

A beleza da mulher está

no cabelo, rosto, olhos,

lábios, sorriso e no corpo.

Tudo reflexos da alma

feminina, que são gestos

de ternura. (RS)

 

 Tempos…    

Bola de meia, pião,

papagaio, botão,

bola de gude, badoque

quadro de giz e

criança feliz!

Tempos-que-já-lá-

se-vão. (RS)

 

 Preguiça 

De manhã, não faço nada.

De tarde, mais ou menos.

De noite, muito pouco.

De madrugada, nada faço.

Então, um viva, à preguiça! (RS)

 

Cocada

Olha, a cocada!

Branca ou preta é doce

na redundância da sua doçura

adocicada e deixa a boca

cheia de água açucarada.

Embranquecida ou

amorenada é sabor de mel,

é sabor de açúcar, na sua

doçura adocicada. (RS)

 

rsampaioblog@gmail.com

 

Leia Mais

Teatro da Vida (Causos), Poesias, Frases e Minipoemas

A namorada –  Selma andava doida para conhecer a família do namorado, Paulo, com quem mantinha um relacionamento de uns três meses. Já estava desconfiada, achando que ele só queria mesmo passar um tempo e nada de compromisso mais sério. Então, resolveu ir até a casa dele. Chegando lá, disse: ”Você é a irmã dele, não é? Eu sou Selma, a namorada do Paulo”. Eunice olhou para ela e a convidou a entrar. Já na sala, ofereceu um cafezinho, enquanto Selma não parava de falar de Paulo. Do fato de já ter quase 50 anos e, depois da viuvez, não ter se casado de novo. De não ter a sua própria casa, embora achasse muito bonito ele viver com Selma e os sobrinhos e por ai afora. Eunice permanecia calada, só observando a tagarelice da visita. Quando esta acabou de falar, pediu licença e voltou com uma série de papéis nas mãos. ”O que é isso”, perguntou Selma, espantada. “São a minha certidão de casamento com o Paulo e os registros dos nossos 10 filhos. Pode ficar com eles, porque eu tenho os originais guardados”.

 

Poesias

  

Vou “m’imbora pro” Recife…

*Robson Sampaio

Vou “m’imbora pro” Recife

do mar, das jangadas, das redes,

dos pescadores, dos peixes, do caçuá,

dos mangues, das ostras, dos siris,

dos caranguejos e da minha gente…

Vou “m’imbora pro” Recife

dos caboclinhos, da ciranda,

do maracatu, do baque-virado,

do Galo da Madrugada,

do Homem da Meia-Noite,

do frevo e dos meus foliões…

Vou “m’imbora pro” Recife

dos arrecifes, das pontes, dos becos,

das travessas, dos bares, dos botecos,

dos boêmios, da lua, das estrelas, do vento,

do sol, dos meus sonhos, da minha sina e

do meu Capibaribe…

Eu vou “m’imbora pro” Recife e

vou “m’imbora pra” mim mesmo!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

A Inveja

 *Robson Sampaio

 

“A inveja, quando não mata,

aleija os pensamentos e

o estômago vomita as vísceras

reféns da raiva e do ódio”.

Dedilha na viola, o violeiro cego,

um cântico choramingado em

frente à Praça da Igreja-Matriz.

E tasca mais versos, no choramingar

da viola: “Sentimento impuro, capaz

de gerar ciúme, insensatez ou ódio,

tamanho é o desatino

e que pode levar ao crime”.

E o violeiro cego dedilha, no

choramingar da viola, o arremate do

cântico: “E Caim matou Abel!”

vou “m’imbora pra” mim mesmo!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Boneco-gente?

 *Robson Sampaio

 

No estrelar da noite olindense,

surge a  cantar e a dançar

uma multidão de brincantes

a sorrir com uma alegria contagiante

sob o compasso de um gigante,

às vezes boneco, às  vezes gente:

é o Homem  da Meia-Noite.

 

Explodem os clarins, o passo,

os amores, as ilusões passageiras,

tão efêmeros, quantos eternos,

no gingado do frevo

de um Carnaval sem fim.

 

É o povo, é o canto, é Olinda,

é o Homem da Meia-Noite:

às vezes boneco, às  vezes gente,

neste ritmo efervescente

do frevo pernambucano

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

 

Bares na palma da mão

 

*Robson Sampaio

 

Notícias populares,

nem tão amiúdes assim,

anunciam novos bares.

Meros pretextos para modismos

e falsas boemias.

 

Alguns tão sem graça,

outros tão similares.

Bares, aos milhares.

 

Bares mesmo,

onde embriago as minhas emoções,

conto nos dedos e os trago

na palma da mão: Dom Pedro, Savoy,

Gambrinus, Portuguesa e Royal.

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE). Robson Sampaio

 

Olha, a Folha!      

 

Robson Sampaio *

 

Olha, a Folha!

Olha, a Folha!

 

Acorda povo,

vem ler as notícias.

Corre gazeteiro,

que todo mundo quer um.

Gente pega o teu exemplar

pra não perder a História.

 

Olha, a Folha!

Olha, a Folha!

 

Vai pro “batente” jornalista,

que outra edição vem aí.

Acorda povo, corre gazeteiro,

vai “batente” jornalista,

pois, vai ser sempre assim…

*Aos companheiros da Folha de Pernambuco.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

 

O leitor é a principal matéria-prima do jornal”. “Dar voz e visibilidade aos  invisíveis é dever do jornalista”. “A dor, seja qual for, é sempre a inspiração do

poeta”. “O bar é a tribuna do povo”.

 

 Protesto

A música de Chico na

vitrola, no copo rum

e coca-cola e o

protesto no coração.

Tá difícil pra viver neste

País, meu irmão! (RS)

 

 Quase um plágio

 

Daqui não saio, daqui

ninguém me tira. Onde é

que eu vou morar, sorrir,

chorar, frevar, amar,

viver e morrer? No Recife,

para sempre! (RS)

 

Silêncio…

Na despedida,

não houve palavras

nem lágrimas.

Mas, só o silêncio

ensurdecedor…(RS)

 

 

rsampaioblog@gmail.com

 

 

Leia Mais

Teatro da Vida (Causos) e Poesias

Advérbio vira verbo – Um colégio, no Centro do Recife, era conhecido, há muito tempo, como “pagou, passou”. E, ainda, tinha o apelido de a “Ponte da Aliança”, uma antiga marchinha carnavalesca com a seguinte letra: “Lá na Ponte da Aliança/Todo mundo passa/As lavadeiras falam assim! Todo mundo passa”. Então, certa vez, o professor fez uma pergunta sobre análise gramatical a um aluno. Queria saber o que significava aqui, gramaticalmente falando (advérbio de lugar). Aí, o espertalhão do estudante chutou que se tratava de verbo. O professor arretado, com o tamanho do absurdo, mandou que ele conjugasse. O garoto pensou, pensou e soltou esta pérola: “Eu aqui/Tu ali! Ele acolá!/ Nós de banda/Vós de lado/Eles de frente”. A classe inteira veio abaixo e o sem-vergonha burro ganhou um tremendo zero.

 

POESIAS

 

(In)consciência!  

*Robson Sampaio

 

Anjo, ele é.

Só que é um anjo diferente desses

que enfeitam igrejas, santuários, capelas

ou que aparecem corados, gorduchos e

risonhos em pinturas celestiais.

 

Anjo, ele é.

É um anjo do sofrimento, do abandono,

da fome, da miséria e do esquecimento.

Mas é um anjo, mesmo sem nada, sem-teto,

sem arcanjo e sem guarda.

 

Anjo, ele é.

De traços angélicos, de olhar infantil,

que chora de fome, que treme de frio; que

dorme nas calçadas ou nas mesas solitárias

dos bares vazios das noites-madrugadas.

 

É um anjo, sim.

De vestes esfarrapadas, de corpo sujo,

de andar sem rumo, de extrema penúria,

de querer ser santo na espera da morte.

É o anjo da nossa (in)consciência!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Vida, espera da Morte…  

*Robson Sampaio

 

Vida, espera da Morte

Morte, verdade da Vida…

Medo ou paz infinita ao dormir

com a luz e acordar com a escuridão?

 

De adormecer com o trinar dos pássaros,

de suaves cantos; ou despertar com

cânticos e orações celestiais?

 

Vida, espera da Morte

Morte, espera da Vida…

 

Sangue esparramado, lágrima sentida,

lamento abafado, sonhos estilhaçados,

dor fatal; o tudo, o nada…

 

E nós, coadjuvantes de sempre

ou intérpretes primitivos desse

Mistério?

 

Vida, espera da Morte

Morte, verdade da Vida…

Medo ou paz infinita ao dormir

com a luz e acordar com a escuridão?

* Ao poeta e imortal Antônio Campos

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Boi no laço?  

*Robson Sampaio

 

Rebanho no pasto,

boi no laço,

corte inclemente,

fartura na mesa,

só de “oiá”…

 

Em “riba” do jumento,

só sofrimento,

terra batida,

chuva é miragem,

barriga vazia,

só rapadura,

só lambuzar.

 

Rebanho no pasto,

boi no laço,

fartura na mesa,

só de “oiá”…

 

“Óia” a caatinga,

vaqueiro valente,

só boiadeiro.

Cadê, o pasto?

Cadê, o boi?

Penitência e

assombração?

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Karina/Gaivota

*Robson Sampaio

Karina, menina-moça,

os céus te acolheram

com a graça das gaivotas,

tal qual disse o poeta do

“Ofício da Busca”.

 

O teu voo tem pousada certa:

longe dos homens, mortais,

e bem perto de Deus, eterno.

Assim, como a gaivota,

É frágil, bela e terna.

Te amo (amamos)!

  • Ao poeta e imortal da Academia Pernambucana de Letras Waldemir Maia Leite.
  • * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Poetas   

*Robson Sampaio

 

Os poetas,

se não são imortais,

pelo menos, são eternos.

 

Os poemas surgem como

relâmpagos em noites de inverno;

ou com o brilho das estrelas em noites

enluaradas.

 

Também, nas mesas dos bares,

na saudade do amor perdido,

na aflição de uma mãe;

ou no sorriso das crianças.

 

E,ainda, nos reflexos prateados

da Lua sobre o Rio Capibaribe,

marco indelével do Recife.

Por isso, digo: os poetas,

se não são imortais,

pelo menos, são eternos.

* A Roberto Santos, poeta

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Louco?      

*Robson Sampaio

 

Cada um carrega

a sua fantasia,

mesmo que seja a

própria cruz.

 

Uns preferem o mutismo,

outros, o alarde.

 

Nem por isso,

o ruído é diferente,

menos ensurdecedor,

ou o caminhar é inverso.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Poesias inacabadas…                                                                                              

*Robson Sampaio

 

Recife,

de tardes-noites-madrugadas

de saudades das bem-amadas

de passos incertos nas calçadas…

 

Recife,

de gosto de peles salgadas

de corpos suados, de bocas molhadas

de vontades nem sempre saciadas…

 

Recife,

de belezas e cores encantadas

de cirandas e frevos eternizadas

de poesias inacabadas…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Leia Mais