Nossas homenagens aos poetas…

Caros,

Bar e Restaurante 75

As nossas homenagens aos poetas que tão bem nos representam. Retirado dos arquivos do saudoso amigo Paulo Germano.

Abs,

Arnóbio Costa
arnobio.costa@bol.com.br

Bar e Restaurante 75

*Robson Sampaio

No Bar 75,
reencontramos a inspiração
no desencontro das paixões.
Para, no tilintar da sinfonia dos copos,
compor saudosos e eternos
poemas-canção…

Também, reinventamos a imaginação,
pulamos o frevo e sambamos o samba,
com passos pernambucanos
e gingas cariocas…

Revivemos (e revemos) antigos amores
e novos amores perdemos. Porém,
abrimos o coração para outras tantas
ilusões e desilusões…

E puxando o cordão das noites sem fim,
no burburinho das madrugadas risonhas
e chorosas, das conversas banais e das
promessas vãs, redescobrimos a mágica
meiguice da sedução…

Para, neste templo sagrado da boemia,
compor saudosos e eternos poemas-canção,
agora dedilhados nas cordas do violão…

E, assim, transformamos ternuras, sentimentos,
dores e sonhos em paisagens estampadas
nas faces do cotidiano…

* Aos companheiros Rogério Carvalho e Marcelo Wanderley.
13.09.2008.

** Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de

Escritores (UBE/PE).

Confraria

Eurico Rodolfo de Araújo, filho (2008)

Não há como desperdiçar
O tempo que lhe cabe,
Não há como desprezar
A esperança que lhe move,
Não há como desconhecer
O sonho que lhe acalenta,
Não há como, pois o sonho
Nunca morre.
Se sonho é o tempo da esperança,
Se a alegria é a melhor
Parte do convívio,
Não perca tempo com o que
Não faz sentido,
Entre no sonho e se faça uma criança.
Aqui a palavra vida muda de sentido,
A realidade se confunde com a verdade,
O presente é o futuro consentido,
E o tempo,
Ah! o tempo,
Esse sem saber
Se transforma em mero detalhe.
Sejam bem – vindos,
O Paraíso é aqui.

Confraria 42

Adalberto Rangel – Confrade

Antes, eram duas, agora uma só Confraria:
Metade “75”, metade “Pra Vocês”.
Hoje, reunidos somos a bola de dois
E, na soma da Placa, apenas “42”.
Vivemos o encontro candente,
Contamos verdade, mentira ardente,
Grandeza, fanfarra, glória,
Vantagem, “causo”, história.
Se alguém se ausenta, não comparece,
O clima de tristeza estarrece.
O tédio se instala, tudo se cala.
Todos pensam, ninguém fala.
O silêncio ninguém homenageia mais.
O barulho é constante numa mesa de tantos.
Sem algazarras, tristezas, prantos,
Todos conversam o “leva e traz”.
Muitos se vêem de segunda a sexta,
Até em sábados alternados.
Alguns, nos domingos, dias santos, feriados;
Outros nem tanto, porque a mulher se queixa.
Pura bobagem delas.

Na “Confraria 42”, só existe Cabra-Macho, Valentão, Aposentado,
Advogado, Poeta, Doutor, Médico, Empresário, Coronel, Vendedor,
Corretor, Dentista, Engenheiro, Produtor Musical, até Cantor.

Por isso, devem as mulheres então,
Para espantarem os males, cantar o refrão:
“Bebam, confrades, batam palmas, dêem-se as mãos,
Bebam mais, bebam outra vez, sejam para nós e

“Pra Vocês”.

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Teatro da Vida (Causos) e Poesias

Vai trabalhar vagabundo

POESIAS

Tigresa

 *Robson Sampaio

Os olhos da tigresa

são esmeraldas incrustadas

nas águas verdes do mar.

Luzes que refletem o brilho

dessa mulher, porém, não

decifram os enigmas da sua

alma…

 

Os olhos da tigresa

são lanças flamejantes de desejo

e de paixão,

a rasgar entranhas e a ferir

com a dor bendita encravada

no coração…

 

Os olhos da tigresa são

a força felina de cada gesto,

a expor também a graça e a leveza,

enquanto o seu corpo resplandece

toda a beleza das fêmeas sensuais

e só domadas pelas carícias

do amor…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Meninos-fantasmas            

 *Robson Sampaio

 

Meninos sem rosto,

de tênues traços sem cor.

Meninos sem nome,

habitantes de pontes

e marquises.

Meninos-fantasmas,

que se esgueiram por becos

e esquinas desumanos.

Meninos sem rumos,

descaminhos da volta,

vândalos do inconsciente

social.

Meninos de vida na sarjeta,

Meninos da noite, opções do escuro.

Meninos de rua,

Crianças, apenas na idade…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Menina-Santa  

 *Robson Sampaio

   

Menina-criança,

roubaram a tua boneca,

o teu sorriso,

a tua alegria.

 

Menina-moça,

roubaram a tua meiguice,

os teus encantos,

o teu corpo.

 

Menina-mulher,

ainda menina e moça,

não hão de roubar

a tua alma, a tua paz,

a tua vida.

Menina-Santa,

como tantas outras…

* À Casa de Passagem (Recife-PE).

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

O poeta…

Robson Sampaio *

 

 O poeta não morre,

simplesmente, se eterniza

Ele é palavra, verbo, substantivo,

adjetivo, advérbio, pronome,

interjeição, interrogação, exclamação,

preposição, vírgula, ponto e vírgula,

ponto, dois pontos, cê-cedilha.

 

É o alfabeto: vogais – a,e,i,o,u;

consoantes – ch, lh, nh, k, w, y, z.

É poema, prosa, verso, frase,

inspiração, evocação, declamação,

emoção.

 

Ele não morre, eterniza-se

nas palavras da poesia.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

21.10.2017

 

A Inveja

Robson Sampaio

“A inveja, quando não mata,

aleija os pensamentos e

o estômago vomita as vísceras

reféns da raiva e do ódio”.

Dedilha na viola, o violeiro cego,

um cântico choramingado em

frente à praça da Igreja-Matriz.

E tasca mais versos, no choramingar

da viola: “Sentimento impuro, capaz

de gerar ciúme, insensatez ou ódio,

tamanho é o desatino

e que pode levar ao crime”.

E o violeiro cego dedilha, no

choramingar da viola, o arremate do

cântico: “E Caim matou Abel!”

* Jornalista e poeta da Cadeira 22, da Academia Recifense de Letras.

(07.07.15)

 

“Os 7 Pecados Capitais”

Robson Sampaio

 

“Avareza: apodrece a alma.

“Gula: Defeito também de pobre.

“Inveja: Pode levar ao enfarte.

“Ira: O caminho da insanidade.

“Luxúria: O espelho dos pobres

de espírito.

“Preguiça: Sombra e água fresca,

pois ninguém é de ferro.

“Vaidade: Todos temos, de mais

ou de menos.

 

* Jornalista e poeta da Cadeira 22, da Academia Recifense de Letras.

(03.09.12)

rsampaioblog@gmail.com

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Teatro da Vida (Causos) e Poesias

IDADE – Já aconteceu de você, ao olhar para uma pessoa da mesma idade, pensar: “eu não sou assim tão velho”? Veja o que conta uma amiga: Estava sentada na sala de espera para a consulta com um novo dentista, quando observei o seu diploma na parede. Li o seu nome e recordei de um moreno alto que tinha esse mesmo nome. Era da minha classe do colegial, uns 30 anos atrás e eu me perguntei: “Seria o mesmo rapaz por quem eu tinha me apaixonado à época?” Entrei na sala de atendimento e, imediatamente, afastei esse pensamento. Esse homem grisalho, quase calvo, gordo, enrugado, era demasiadamente velho e desgastado pra ter sido o meu amor secreto. Depois que ele examinou os meus dentes, perguntei se ele tinha estudado no Colégio Santa Cecília… – Sim, respondeu-me. – Quando se formou? perguntei. – Em 1965 . Por que esta pergunta? – É que…bem…você era da minha classe, exclamei. E então aquele velho horrível, cretino, careca, barrigudo, flácido, lazarento, esclerosado, filho da puta me perguntou: – A senhora era professora de quê? (Na Internet).
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POESIAS

Templos sublimes?  

   *Robson Sampaio                                            

Savoy, Gambrinus,

Portuguesa e Cristal…

Ainda os frequento com a

memória que, às vezes,

se faz espírito…

Templos sublimes?

 

Dom Pedro, Royal,

Seu Lunga e Bar 75…

Os trago na memória que

sempre se faz espírito

e corpo presente.

Templos sublimes…

 

Dia-a-dia ou Noite-Madrugada?

 

No ar, o som da canção,

que vira poesia;

na mesa, o gole do uísque,

que lava a alma e os pecados;

na mão, o cigarro de sempre;

e no olhar, o tempo que passa

e as marcas que ficam…

  * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 Mendicância

   *Robson Sampaio                                            

Nos olhos,

a dor da vida.

 

No rosto,

rugas profundas dessas dores

e a insensibilidade

dos que não a carregam.

 

Na mão estendida,

o gesto em busca da solidariedade.

 

No peito, a incredulidade

do sofrimento.

  * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Vida de Cola

   *Robson Sampaio                                            

Menino de rua

Rua da morte

Morte da vida

Vida de Cola

Cola da fuga

Fuga da fome

Fome do medo

Medo da gente

Gente do nada

Vazio somente

  * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Bobagens?    

           *Robson Sampaio                                            

Sonhos sonhados

Vidas vividas

Desejos desejados

Espaços imaginários

Bobagens?

 

Cantos cantados

Choros chorados

Lágrimas salgadas

Espaços imaginários

Bobagens?

 

Dores doídas

Frevos frevados

Amores amados

Espaços imaginários

Bobagens?

Lindas bobagens,

que devem ser vividas

 * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Olhos flamejantes…     

 *Robson Sampaio

Olhos flamejantes,

os teus…

– Diamantes ou rubis?

Brilho incandescente,

 fonte natural de desejo

 

Olhos flamejantes

os teus…

– Diamantes ou rubis?

Luz maior que o Sol

vontade de me queimar.

 

Olhos flamejantes,

os teus…

– Diamantes ou rubis?

Faíscas ardentes,

brasas para me arder.

 

Olhos flamejantes,

os teus…

– Diamantes ou rubis?

Raios a riscar o Céu e

a penetrar nos meus…

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Meninos-fantasmas      

  *Robson Sampaio

Meninos sem rosto,

de tênues traços sem cor.

Meninos sem nome,

habitantes de pontes

e marquises.

Meninos-fantasmas,

que se esgueiram por becos

e esquinas desumanos.

Meninos sem rumos,

descaminhos da volta,

vândalos do inconsciente

social.

Meninos de vida na sarjeta,

Meninos da noite, opções do escuro.

Meninos de rua,

Crianças, apenas na idade…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

e-mail: rsampaioblog@gmail.com

 

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Teatro da Vida Causos) e Crônicas Poéticas

*A morte do Márcio – Márcio era um antigo funcionário de uma cervejaria no interior de São Paulo. Ele era feliz no trabalho, embora seu sonho fosse ser degustador de cerveja, bebida que tanto adorava. Certa vez, trabalhando no turno da noite, ele caiu dentro de um tonel de cerveja. Pela manhã, o vigia deu a triste notícia: – É com profundo sofrimento que informo que Márcio se desequilibrou, caiu no tonel de cerveja e infelizmente morreu afogado. Um grande amigo de Marcio com a voz muito triste, pergunta: – Meu Deus!!! Será que ele sofreu? O vigia então responde: – Acredito que não, porque, segundo as imagens da câmera de segurança, ele chegou a sair três vezes do tonel para mijar…

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*Envie para os seus amigos bebedores,  mandaram para mim por engano.😂😂😂😂😂😂😂😂😂

Crônicas poéticas/ Robson Sampaio

 “Uma ruela estreita, espremida…”

A ruela é estreita, fedida e com poucas casas

espremidas, amarelas e rosadas.

Contudo, se a noite for boa, as casas estremecem com o

dobrar do burburinho da madrugada,

das conversas banais e das promessas mentirosas.

Rosa, morena jovem e faceira, nos seus 20 anos, não viu

as mulheres chegar e outras tantas partir…

O flerte já não mais existe naquela ruela estreita, fedida e com

poucas casas espremidas, amarelas e rosadas.

Para Rosa, dinheiro na mão, calcinha no chão… Ela não conhece

ainda e nem sabe que há um drama em cada pedaço de carne

exposta naquele bazar humano, mas, apenas, a certeza do prazer

descompromissado. Tal qual um produto cotidiano na prateleira da vida,

onde o sexo é primeira necessidade…

Eugênia, 65 anos, a mais velha moradora daquela ruela

estreita, fedida e com poucas casas espremidas, amarelas

e rosadas, suspira com saudades…

Recorda os antigos bordéis, onde os malandros faziam a

abordagem com uma Corte de ginga, gírias e palavras doces.

Sem tristezas e com um ar sonhador, olha o quadro

empoeirado no alto da parede azul do quarto.

Acaricia-se com os olhos e relembra a moça cheirosa, vaidosa

e cobiçada dos velhos tempos.

Era um tempo tão bom que não imaginava que ia acabar. O

recato despia-se na penumbra… Eugênia carrega o presente sem

queixas e contempla o futuro sem névoas.

E divaga com as visões de um passado que, como a própria expressão

sugere, é nostálgico…

Porém, se a noite for boa, certamente, naquela ruela estreita,

fedida e com poucas casas espremidas, amarelas e rosadas,

o domingo amanhecerá mais tarde.

E nessa hora furtiva da manhã tardia, haverá mulheres a chegar

e tantas outras a partir…

Tanto Rosa quanto Eugênia, dirão: “Enquanto houver homem e

mulher, haverá sexo”.

E, seguramente, uma passagem sem volta naquela ruela estreita,

fedida e com poucas casas espremidas, amarelas e rosadas…

 * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Escravos da Notícia

Redação vazia, máquinas paradas, telefones mudos. Apenas, o ruído

incessante do telex. O silêncio da Redação gera angústia e, assim, me sinto

neste momento. Acendo outro cigarro. Quantos, já fumei? Não sei, pouco

importa… A solidão aumenta, a partir do instante que passo a esperar o sinal

do pessoal da Off-Set: “Ok, tudo pronto, o jornal vai ser rodado.”

Só que a ordem ainda demora. Aí, penso no pessoal lá de casa, nos

compromissos do dia seguinte e, também, no chope gelado, que entorpece a alma

aliviando o cansaço. Verifico que necessito “tomar uma”. As horas passam,

monótonas, intermináveis, quase repetitivas neste, agora, “deserto da notícia…”

As que sobraram, nada valem, jazem no chão, em cima das mesas ou ao lado das

máquinas, abandonadas. O telefone toca e interrompe os meus pensamentos.

A voz chega rápida e seca: “Tudo pronto, vamos rodar!”

Acabou mais uma noite de trabalho. É quando vem a dúvida: ir para

casa ou tomar um chope com os companheiros de “batente”. Discutir política,

futebol, criticar o Governo, reclamar do custo de vida, chorar o salário e,

invariavelmente, falar de jornal. É madrugada. Penso nas horas seguintes, de

levantar cedo, mas a garganta está seca e a barriga vazia. Vou, lentamente, para

o “Bar Savoy”. Vejo os companheiros, outros boêmios, e bêbados contumazes.

Falam, cantam, gesticulam, gargalham e bebericam.

Agora, já são quatro da matina. Chego em casa. A mulher abre a porta,

faz cara feia e diz: “Bonita hora, não é?” Aceno com a mão, tentando justificar:

“Tenha calma, paciência. A vida de jornalista é fogo, não tem horário certo.”

Ela não retruca e volta para a cama. Sigo atrás, meio sonolento e sem pressa.

Adormeço com o pesadelo da rotina de hoje.

 * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

O Sinal Divino

O velho-repórter toma mais uma dose do bendito uísque de todas as noites no templo maior dos boêmios da Imprensa: O Bar e Restaurante Dom Pedro. Num relance, velhas imagens ganham contornos como se fossem atuais. Ele revê o recém-nascido deitado na incubadora. Prematuro, 24 horas depois não resiste. Ao lado da mulher, Lúcia, passa momentos amargos. Em casa, abalado, não contém o desespero da dor e as lágrimas brotam. A sogra, dona Maria, o pega pelo braço e mostra Viviane, a sua filha, de um ano. Ela corre em sua direção, com os braços abertos, a chamá-lo de “papai”. Era o Sinal Divino do ter que recomeçar.

Depois, vieram mais duas filhas, dádivas da bondade de Deus: Danielle e Carolinne. Hoje, aos 52 anos, dos quais 32 de “batente”, revive o turbilhão de fatos marcantes. E, antes do ultimo gole, chora. A menina, que correu de braços abertos e sorriso no rosto, vai lhe dar um neto e com o seu nome. Mais lágrimas escorrem de novo pela face do velho-repórter, hoje já com as marcas dos tempos. E, Deus, 24 anos depois, mais uma vez, escreveu certo por linhas tortas. Amém, companheiros!

Robson Sampaio (Folha de Pernambuco – 18.05.99)

PS: Robson Sampaio Neto já tem 20 anos, o irmão Bruno, 19, e a irmã, Mariana, 10, filhos de Viviane; os primos Diego, 19, e Pedro, 12, filhos de Danielle; os primos Mauricinho, 9, e Thiago, 4, filhos de Carolinne.

 * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

rsampaioblog@gmail.com

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Teatro da Vida (Causos) e Poesias

 

“Orientações de um advogado para sexo seguro” – Você se lembra do tempo em que sexo seguro era usar camisinha para evitar doenças sexualmente transmissíveis e gravidez? Esqueça, os bons tempos acabaram. Confira as dicas que um homem deve observar no mundo feminista moderno! A coisa tá ficando assim: Sabe aquela gatinha que você conheceu na balada, deu o maior mole, e você convidou para um motel e ela topou? Primeiro, a leve a um hospital e peça um teste de dosagem de álcool e outras drogas, para evitar a acusação de posse sexual mediante fraude (Art. 215 CP). Depois, passe com ela num cartório e exija que ela registre uma declaração de que está praticando sexo consensual, para evitar acusação de estupro (Art. 213 CP). Exija ainda uma declaração de que ela está praticando sexo casual, para evitar pedido de pensão por rompimento de relação estável (Lei 9.278, Art. 7). Depois, vá a um laboratório e exija o exame de Beta-HCG (gonadotrofina coriônica humana), para ter certeza que você não é o pato escolhido para sustentá-la na gravidez de um bebê que não é seu (Lei 11.804 Art. 6).

É melhor rir…

No motel ou em casa, use camisinha e nada de “sexo forte” pra evitar acusações de violência doméstica e pegar a Lei Maria da Penha nas costas. Além disso, você deve paparicá-las, elogiá-las, jamais criticá-las ou reclamar coisa alguma, devem ser perfeitos capachos, para não causar qualquer “sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral”, sem que tenha obviamente os mesmos direitos em contrapartida.(Lei 11.340 Art. 5). Na saída do motel leve-a ao Instituto Médico Legal e exija um exame de corpo de delito, com expedição de laudo negativo para lesões corporais (Art. 129 CP).

…Rir sempre      

E laudo negativo para presença de esperma na vagina, para tentar evitar desembolsar nove meses de bolsa-barriga, caso ela saia dali e engravide de outro (Lei 11.804 Art. 6). Finalmente, se houver presença de esperma na vagina da moça, exija imediatamente uma coleta de amostra para futura investigação de paternidade (Lei 1.060 Art. 3 inciso VI) e solicitação de restituição de eventuais pensões alimentícias obtidas mediante ardil ou fraude (Art. 171 CP). Fazendo tudo isso, agora você pode fazer “sexo seguro”. Se ainda estiver interessado!

 

 

 

 

 

 

 

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POESIAS

 

Sou arrecifes…      

 *Robson Sampaio

Sou arrecifes,

de pedra esculpida nos

rebentes das ondas do mar

e na força dos ventos.

 

Sou arrecifes,

de arrebentação

de Sol no rosto

de águas azuis

de gosto de sal

de gente do frevo.

 

Sou arrecifes,

de pedra esculpida

de pontes rochosas

na sinuosidade

do Rio Capibaribe.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 Recifense…

 *Robson Sampaio

Nas águas eternas do Rio Capibaribe,

naveguei sonhos e derramei lágrimas

de tristezas e de alegrias.

 

Nas ondas salgadas da Praia de Boa Viagem,

molhei o corpo e purifiquei a alma.

 

Nas pontes históricas do Recife,

forjei o destino e percorri as trilhas

da vida.

 

E, só assim, me tornei recifense…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Saudade danada…  

 *Robson Sampaio

 

Recife,

cadê teus arraiais,

canaviais, mucamas

e sinhazinhas?

– Casa-Grande

 

Recife,

cadê teu forró,

ciranda, maracatu

e frevo?

– Carnaval

 

Recife,

cadê teu mar,

pontes, praças

e rios?

– Beberibe e Capibaribe

 

Recife,

cadê teus boêmios,

bares, batida gelada

e mulheres?

– Poesia

 

Recife,

não mais te encontro

e sinto uma saudade

danada…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

(In)consciência!  

 

 *Robson Sampaio

Anjo, ele é.

Só que é um anjo diferente desses

que enfeitam igrejas, santuários, capelas

ou que aparecem corados, gorduchos e

risonhos em pinturas celestiais.

 

Anjo, ele é.

É um anjo do sofrimento, do abandono,

da fome, da miséria e do esquecimento.

Mas é um anjo, mesmo sem nada, sem-teto,

sem arcanjo e sem guarda.

 

Anjo, ele é.

De traços angélicos, de olhar infantil,

que chora de fome, que treme de frio; que

dorme nas calçadas ou nas mesas solitárias

dos bares vazios das noites-madrugadas.

 

É um anjo, sim.

De vestes esfarrapadas, de corpo sujo,

de andar sem rumo, de extrema penúria,

de querer ser santo na espera da morte.  

É o anjo da nossa (in)consciência!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

  

Duas lágrimas…  

 *Robson Sampaio

Amparei as duas lágrimas

em cada uma das minhas mãos

e as beijei.

E elas transformaram-se

em águas do mar…

 

Salgadas, sim!

Dolorosas, sim!

Saudosas, sim!

 

Duas lágrimas nas palmas das mãos

 e apenas um coração.

Numa dor que, só na saudade,

se é capaz de sentir em nome do amor…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Gotejos…

 *Robson Sampaio

Um tiquinho d’ água fluindo,

naquela vastidão de chão,

traz para a minha alma a

saudade de uma terra, que

nem o tempo me fez esquecer.

 

Lá adiante, corre um fiozinho d’ água

a inundar os meus olhos e as lágrimas

descem pela minha face molhada,

com a água daquele riachinho

transbordando de lembranças.

 

E daquele riachinho, a ermo,

na imensidão da terra seca,

pingam gotas de emoções a

deslizar tempo afora.

São os gotejos da minha vida.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Minipoemas

Alma

Um dia, em Paris, a

artista disse: “Quando

conhecer a tua alma,

eu pinto os teus olhos”.

E pintou nas duas

formas: aberto e

fechado.

II

Séculos depois, o poeta

disse: “Sem o dom dos

pincéis, eu não posso te

pintar. Mas, te amar de

corpo e alma”. (RS)

 

Recordações    

Na calçada, a mulher

rendeira e, na janela,

a moça brejeira.

Nos paralelepípedos,

a correria de meninos

e, na praça ao lado, o

canto de pássaros. E,

assim, o tempo voa e

mistura o ontem, o

hoje e o amanhã… (RS)

 

 Sertão        

Chão de pedras e

aperto no coração,

rios de águas,

mas, só nas lágrimas.

Valha-me, Nosso

Senhor!

Os salmos dos anjos

não chegam no meu

Sertão!  (RS)

Palafitas    

Eu moro no mar, “sêo”

“Dotô”, em riba de uns

cambitos de pau sem

vara de pescar.

E as ondas do mar não

embalam, como nas

canções de ninar.   (RS)

Desejo  

Na mão, a flor

No olhar, a paixão

No coração, o amor

Na cama, o desejo

jamais saciado… (RS)

Frases

A vida e a morte são irmãs siamesas. Mas, prefiro a primeira: sempre”.  “A gente sempre exige dos outros, o que nem sempre fazemos”.  Jornalista escreve quase tudo. Mas, quem escreve tudo mesmo é o dono do jornal”.  “Só diga a uma mulher  que a ama, se for verdade”.   “Jornalista, poeta, escritor, ator, compositor, cantor e  artista plástico. Ah, gente complicada”!  “A desigualdade neste País, só acaba  muda daqui a uns 500 anos”. “Nos anos de eleições, os políticos estão cheios de grande ideias. E o povo, Ó”! (RS)

 

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