Teatro da Vida (Causos), Poesias e Minipoemas

Teatro da Vida (Causos), Poesias e Minipoemas

Antes de tudo, Otto foi um exímio contador de casos. Há quem o considere o “ultimo causeur”. Ficcionista, ele próprio transformou-se num personagem. Diz-se que certa noite, em plena ditadura militar, ele entornou uns uísques a mais no famoso Antonio’s, reduto da boemia intelectual do Leblon. Lá pelas tantas, subiu numa cadeira e fez um duro discurso contra o regime vigente. Mais um gole, Otto voltou ao palanque improvisado, agora para comunicar à assistência, em alto e bom som, quem era: “Anotem o meu nome: José Aparecido de Oliveira”.

Em tempo: José Aparecido de Oliveira, ex-secretário do ex-presidente Jânio Quadros, mineiro como ele, era amigo de Otto desde os tempos de juventude, nas Gerais. Se a história é verdadeira ou falsa, ninguém sabe. Nem o jornalista Benício Medeiros, autor de um excelente perfil sobre o “mais carioca dos mineiros”.

Poesias

Folião Sem Nome

*Robson Sampaio

Folião sem nome, perdido no meio do racha, homem mulher e criança, passos quase sem graça Olhos eufóricos de sonhos, suor regado à cachaça, segue folião sem nome alegre no bloco que passa Ferver, frever, frevar, ritmo e dança de uma raça, vai folião sem nome frevar o frevo na praça… * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

O Azul do poeta

*Robson Sampaio

Frágil e quase cego, as mãos trêmulas do velho poeta teimam em não obedecer o raciocínio. E os versos não ganham forma. Ergue os olhos para a janela e duas lágrimas escorrem na face, enquanto a sua escuridão é azul. Como azul foram as cores de todos os versos até então. A exemplo dos pássaros em gaiolas, resigna-se com a sua prisão e aguarda na morte a sua libertação para ter de volta todo o azul. * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Feliz, ele…

*Robson Sampaio

O poeta teve o bairro, o mar e o bar. Feliz, ele… Desprezou o outrora para que a rosa não lhe perturbasse os sonhos. O mar teve como o amor maior, onde derramou lágrimas para que não se perdessem no tempo. Como mágico das palavras (ou seria poesia, coisa só sua, íntima e necessária?), diz que a vida enganou a vida, o homem enganou o homem. E que multiplicou a sua dor e, também, a esperança. Feliz, enganou a todos nós, pois teve o bairro, o mar e o bar. Feliz, ele… E eu! * A Paulo Mendes Campos * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

O Divisor é o Tempo…

*Robson Sampaio

O divisor é o tempo… Torna a vida mais vida e a morte mais morte. Contraponto que induz à busca do nada. O divisor é o tempo… Encurta a distância do sempre na ilusão de tudo. A vida é a morte, a morte é a vida. O divisor é o tempo… * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Minipoemas

Recife

Recife dos arrecifes e dos corais, das noites mal dormidas e dos amores à beira do cais. Recife do mar verde-azul, do Rio Capibaribe, das pontes, dos meus amores e do frevo nas ruas que não esqueço jamais. (RS)

Folião

Em passos trôpegos, segue o folião pela rua, agora, vazia. E carrega o peso da bebedeira e do fim da fantasia. (RS)

Sertão

Chão de pedras e aperto no coração, rios de águas, mas, só nas lágrimas. Valha-me, Nosso Senhor! Os salmos dos anjos não chegam no meu Sertão! (RS) rsampaioblog@gmail.com

Livros de Robson Sampaio

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Teatro da Vida(Causos) e Poesias

O Doutor pede o esperma de um homem de 85 anos 👴🏻 como parte do seu exame anual, dá-lhe um frasco e diz: “Leve este frasco para casa e traga-o amanhã com a amostra de esperma.” No dia seguinte o senhor de 85 anos volta ao consultório do doutor e lhe entrega o frasco tão vazio e limpo como no dia anterior. O doutor pergunta o que aconteceu e o homem explica-lhe: “Primeiro tentei fazer o trabalho com minha mão direita e nada. Depois, tentei a minha mão esquerda, e ainda nada.  Depois pedi ajuda à minha mulher. Ela tentou com a mão direita, com a mão esquerda,  e ainda nada. Ela disse: eu sei como. E tentou com a boca, primeiro, com os dentes postos, depois tentou sem os dentes,  e ainda nada. Veio minha nora e disse que ia ensinar como. Tentou por um bom tempo em posições diferentes e cada vez mais bizarras, e não houve resultado. Mesmo chamando a Susi, a vizinha do lado… E ela tentou primeiro com as duas mãos, depois, debaixo do braço e até apertando entre os joelhos. Mas ainda nada…”O Doutor estava em estado de choque: “Você pediu à sua nora à sua vizinha?…” E o velho paciente respondeu:”Sim, Dr., nenhum de nós conseguiu abrir o frasco.”Kkkkkkkkkkk. 20 Pai Nossos por pensar mal. Não me devolva. Estou rezando!!! (Internet).

Saudade de você

*Robson Sampaio

Saudade?

Sim, saudade

do teu corpo.

Só de teu corpo?

Não.

De tua boca

tua pele, teu odor,

teu olhar.

Saudade

de tua voz, teus sussurros,

teus abraços, teus gemidos.

Saudade

de teu sorriso, tuas mãos,

tuas brigas,

do teu jeito se ser.

Saudade,

grande, imensa, descomedida,

a sangrar no meu peito e

a calar a minha voz.

Saudade,

de você…

*À Lucinha (minha mulher).

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Desabafo              

*Robson Sampaio

Eu queria falar

Faltaram palavras

Eu queria gritar

Faltou voz

Eu queria chorar

Faltaram lágrimas

Eu queria sorrir

Faltou alegria

Eu queria ser bom

Faltou compreensão

Eu queria ser mau

Faltou coragem

Eu queria ter fé

Faltou crença

Eu queria ser feliz

Faltou você

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Ah, essa mulher bonita!

*Robson Sampaio

Ah, essa mulher bonita!

Inventa e reinventa modas.

Primeiro, ajustando o corpo

e, depois, a alma,

só para nos agradar.

Por isso, suave é o dia,

doce é essa mulher…

Sorriso delicado, ar atrevido,

espírito irreverente, misto de

mulher e menina, um quê de moleca

com um quê de sensual…

Enigmas em sintonia

com o verde-azul do mar…

Ah, essa mulher bonita!

Por isso, suave é o dia,

doce é essa mulher…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Tigresa

*Robson Sampaio

Os olhos da tigresa

são esmeraldas incrustadas

nas águas verdes do mar.

Luzes que refletem o brilho

dessa mulher, porém, não

decifram os enigmas da sua

alma…

 

Os olhos da tigresa

são lanças flamejantes de desejo

e de paixão,

a rasgar entranhas e a ferir

com a dor bendita encravada

no coração…

 

Os olhos da tigresa são

a força felina de cada gesto,

a expor também a graça e a leveza,

enquanto o seu corpo resplandece

toda a beleza das fêmeas sensuais

e só domadas pelas carícias

do amor…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Maria…  

*Robson Sampaio

 

O quadro pintado

em preto e branco

não tinha o colorido

da vida terrena e,

sim, o negro da noite

e o clarão do dia.

Mas aquela mulher,

com a criança nos braços,

bem que poderia ser

a Virgem Maria

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Mulher

*Robson Sampaio

Mulher-menina

Mulher-amiga

Mulher-briga (ou intriga)

Mulher-amada (ou desejada)

Mulher-amor,

Ah, o amor!

Amor-gostoso

Sem aval (ou endosso)

Amor-verdade

Amor-instinto

Amor-paixão

Amor-amor

Mulher-saudade

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Mãe…  

*Robson Sampaio

Palavra-ventre

Palavra-menina

Palavra-moça

Palavra-mulher

Palavra-vida

Palavra-luz

Palavra-Santa

Todas mulheres

Todas Marias

Todas Luzias

Todas Santas

Santas Marias

Marias e Luzias

de todos os filhos…

a Virgem Maria…

* À minha mãe, Dinah.

* Saudades de Dinah, Zé Neto, Robson, Cézar, Gibson e Jackson

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

A bença, mãe…

*Robson Sampaio

 A mulher é a obra-prima

de Deus.

Mãe, filha, irmã, amiga e

amante.

Todas sublimes.

 

Josefa deu à luz!

Severina pariu!

Maria concebeu Jesus!

 

As sementes germinam:

no ventre a vida,

no coração o amor,

no olhar a ternura e,

na alma, a luz.

 

Todas sublimes,

todas maternas,

todas filhas de Maria.

A bença,mãe!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Menina-Santa    

*Robson Sampaio

 

Menina-criança,

roubaram a tua boneca,

o teu sorriso,

a tua alegria.

 

Menina-moça,

roubaram a tua meiguice,

os teus encantos,

o teu corpo.

 

Menina-mulher,

ainda menina e moça,

não hão de roubar

a tua alma, a tua paz,

a tua vida.

Menina-Santa,

como tantas outras…

* À Casa de Passagem (Recife-PE).

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Cigana encantada…    

*Robson Sampaio

 

Gente sem destino, múltiplos caminhos,

andarilhos, zíngaros, tradição de milênios.

Na leitura da mão, a sorte dos outros

e o próprio destino ao vento. Desatino?

Oh, Carmem, cigana encantada,

amor impossível!

 

A altivez dos machos é reflexo ímpar

 e majestoso de um povo sem rumo.

A alvura das carnes nas fêmeas são

tessituras de desejos inatingíveis

e de mistério no ar.

Oh, Carmem, cigana encantada,

amor impossível!

 

Anéis, pulseiras, brincos, colares,

deslumbramentos nos adornos

e sorrisos enigmáticos.

E nas vestes largas e multicoloridas,

a beleza milenar das indianas

e egípcias.

Fascínio, segredo, sedução, exotismo,

fêmeas de vida errante, incerta.

Todas, filhas de Carmem, cigana encantada,

amor impossível…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 Santa-Mulher?    

*Robson Sampaio

 Que mulher é essa,

que vira Santa e move

a fé com a sua força?

 

Que mulher é essa,

que vira Santa e

transforma pagãos

em santos profanos?

 

Que mulher é essa,

que vira Santa e faz

da dor uma fonte de

esperança?

 

Estátua de pedra?

Alma de gente?,

Estátua de pau?

Santa-Mulher?

Estátua de barro?

Mulher-Santa?

 

Pedra de fé?

Fé de vida?

Mãe da gente?

Virgem-Santa?

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

A Cruz do Patrão

 Robson Sampaio *

Ecoam gritos eternos na

vastidão das noites e do mar.

Gritos de dor lancinante,

tão fortes que varam os

arrecifes, as almas emitem

sons quase selvagens.

São lamentos de negros

sem o sonho da liberdade,

feridos de saudades e de morte.

Submissos à espera do senhorio

estão os filhos da vida sem vida,

confinados na Cruz do Patrão,

onde o tempo não sepulta a lenda

e a injustiça ainda açoita os insepultos,

escravos-fantasmas…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

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Nossas homenagens aos poetas…

Caros,

Bar e Restaurante 75

As nossas homenagens aos poetas que tão bem nos representam. Retirado dos arquivos do saudoso amigo Paulo Germano.

Abs,

Arnóbio Costa
arnobio.costa@bol.com.br

Bar e Restaurante 75

*Robson Sampaio

No Bar 75,
reencontramos a inspiração
no desencontro das paixões.
Para, no tilintar da sinfonia dos copos,
compor saudosos e eternos
poemas-canção…

Também, reinventamos a imaginação,
pulamos o frevo e sambamos o samba,
com passos pernambucanos
e gingas cariocas…

Revivemos (e revemos) antigos amores
e novos amores perdemos. Porém,
abrimos o coração para outras tantas
ilusões e desilusões…

E puxando o cordão das noites sem fim,
no burburinho das madrugadas risonhas
e chorosas, das conversas banais e das
promessas vãs, redescobrimos a mágica
meiguice da sedução…

Para, neste templo sagrado da boemia,
compor saudosos e eternos poemas-canção,
agora dedilhados nas cordas do violão…

E, assim, transformamos ternuras, sentimentos,
dores e sonhos em paisagens estampadas
nas faces do cotidiano…

* Aos companheiros Rogério Carvalho e Marcelo Wanderley.
13.09.2008.

** Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de

Escritores (UBE/PE).

Confraria

Eurico Rodolfo de Araújo, filho (2008)

Não há como desperdiçar
O tempo que lhe cabe,
Não há como desprezar
A esperança que lhe move,
Não há como desconhecer
O sonho que lhe acalenta,
Não há como, pois o sonho
Nunca morre.
Se sonho é o tempo da esperança,
Se a alegria é a melhor
Parte do convívio,
Não perca tempo com o que
Não faz sentido,
Entre no sonho e se faça uma criança.
Aqui a palavra vida muda de sentido,
A realidade se confunde com a verdade,
O presente é o futuro consentido,
E o tempo,
Ah! o tempo,
Esse sem saber
Se transforma em mero detalhe.
Sejam bem – vindos,
O Paraíso é aqui.

Confraria 42

Adalberto Rangel – Confrade

Antes, eram duas, agora uma só Confraria:
Metade “75”, metade “Pra Vocês”.
Hoje, reunidos somos a bola de dois
E, na soma da Placa, apenas “42”.
Vivemos o encontro candente,
Contamos verdade, mentira ardente,
Grandeza, fanfarra, glória,
Vantagem, “causo”, história.
Se alguém se ausenta, não comparece,
O clima de tristeza estarrece.
O tédio se instala, tudo se cala.
Todos pensam, ninguém fala.
O silêncio ninguém homenageia mais.
O barulho é constante numa mesa de tantos.
Sem algazarras, tristezas, prantos,
Todos conversam o “leva e traz”.
Muitos se vêem de segunda a sexta,
Até em sábados alternados.
Alguns, nos domingos, dias santos, feriados;
Outros nem tanto, porque a mulher se queixa.
Pura bobagem delas.

Na “Confraria 42”, só existe Cabra-Macho, Valentão, Aposentado,
Advogado, Poeta, Doutor, Médico, Empresário, Coronel, Vendedor,
Corretor, Dentista, Engenheiro, Produtor Musical, até Cantor.

Por isso, devem as mulheres então,
Para espantarem os males, cantar o refrão:
“Bebam, confrades, batam palmas, dêem-se as mãos,
Bebam mais, bebam outra vez, sejam para nós e

“Pra Vocês”.

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Teatro da Vida (Causos) e Poesias

Velho

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Para meus amigos que já estão nos anos 60, há cinco coisas antigas que são boas:
• as velhas esposas
• Os velhos amigos para conversar.
• A velha lenha para aquecer.
• Os velhos vinhos para beber.
• Os livros antigos para ler
* Émile A. Faguet *
 
O segredo de uma boa velhice não é outra coisa senão um pacto honrado com a solidão
*Gabriel Garcia Marques*
 
Envelhecer é como escalar uma grande montanha: ao escalar, as forças diminuem, mas o olhar é mais livre, a visão mais ampla e mais serena.
* Ingmar Bergman *
 
Os primeiros quarenta anos de vida nos dão o texto; os próximos trinta, o comentário.
* Arthur Schopenhauer *
 
Os velhos desconfiam dos jovens porque são jovens.
* William Shakespeare *
 
Quando eles me dizem que estou velho demais para fazer alguma coisa, tento fazer isso rápido.
*Pablo Picasso*
 
A arte do envelhecimento é a arte de preservar alguma esperança.
* André Maurois *
 
A velhice é um tirano que proíbe, sob pena de morte, todos os prazeres da juventude.
* François de La Rochefoucauld *
 
As rugas do espírito nos fazem mais velhos que os do rosto.
* Michel Eugene de le Montaigne *
 
O envelhecimento ainda é o único meio que foi encontrado para viver muito tempo.
* Charles Augustin Sainte-Beuve *
 
Ninguém é tão velho que não possa viver mais um ano, nem tão jovem que hoje não possa morrer.
* Fernando de Rojas *
 
Todos nós queremos envelhecer e todos nós negamos que tenhamos chegado.
* Francisco de Quevedo *
 
Se você quer ser velho por um longo tempo, envelheça logo. * Cícero *
 
Nada envelhece tanto quanto a morte daqueles que conhecemos durante a infância. * Julián Green *
 
O jovem conhece as regras, mas o velho conhece as exceções. * Oliver Wendell Holmes *
 
A velhice começa quando a memória é mais forte que a esperança. Provérbio Hindu
 
Na juventude aprendemos, na velhice nós entendemos. * Marie von Ebner Eschenbach *
 
A maturidade do homem é ter recuperado a serenidade com a qual brincamos quando éramos crianças.
* Frederich Nietzsche *
 
O velho não pode fazer o que um jovem faz; mas faz melhor. * Cícero *
 
Demora dois anos para aprender a falar e sessenta para aprender a calar a boca. * Ernest Hemingway *
 
As árvores mais antigas dão os frutos mais doces. * Provérbio alemão *
 
Aqueles que realmente amam a vida são aqueles que estão envelhecendo. * Sófocles *
 
Quando você é velho na carne, seja jovem na alma. * Autor desconhecido *
 
A velhice tira o que herdamos e nos dá o que merecemos. * Gerald Brenan *
 
Um homem não é velho até que comece a reclamar em vez de sonhar.
* John Barrymore *
 
Um homem não envelhece quando sua pele enruga, mas quando seus sonhos e esperanças se encolhem. * Grafite de rua *
 
Velho é aquele que considera que sua tarefa é cumprida. Aquele que se levanta sem metas e se deita sem esperança.
* Autor desconhecido *
 
 
* Encaminhar para todos aqueles para quem você se importa. Eu acabei de fazer isso. –  Na Internet

Bares na palma da mão     

*Robson Sampaio

Notícias populares, nem tão amiúdes assim, anunciam novos bares. Meros pretextos para modismos e falsas boemias. Alguns tão sem graça, outros tão similares. Bares, aos milhares. Bares mesmo, onde embriago as minhas emoções, conto nos dedos e os trago na palma da mão: Dom Pedro, Savoy, Gambrinus, Portuguesa e Royal. * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).  

AntiCristo?

*Robson Sampaio

Ele não nasceu numa manjedoura, nasceu na favela mesmo. Não teve uma linda estrela a guiar os passos de ilustres visitantes, mas, apenas, uma vela acesa e uma solidão a dois. Não teve José e Maria, só teve Severina mesmo. Não cresceu feliz ao lado dos pais e nem era dotado de luz. Cresceu nos becos e nas esquinas das ruas sujas, povoadas de vícios e misérias. Não ensinou o bem, porque só aprendeu o mal. Não fez milagres, porque já não existem milagres. Em comum com Jesus, só mesmo o sofrimento e, talvez, a morte. Por causa da maldade dos homens, um morreu crucificado na cruz para salvar a todos nós. Enquanto ele, crivado de balas, numa rua imunda, com o título de marginal. Nem por isso, são tão diferentes. * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

A Inveja

Robson Sampaio

“A inveja, quando não mata, aleija os pensamentos e o estômago vomita as vísceras reféns da raiva e do ódio”. Dedilha na viola, o violeiro cego, um cântico choramingado em frente à Praça da Igreja-Matriz. E tasca mais versos, no choramingar da viola: “Sentimento impuro, capaz de gerar ciúme, insensatez ou ódio, tamanho é o desatino e que pode levar ao crime”. E o violeiro cego dedilha, no choramingar da viola, o arremate do cântico: “E Caim matou Abel!” * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

O Canto do Galo

*Robson Sampaio

Que canto é esse, que sacode a multidão? Que canto é esse, que mexe com o coração e que acorda o Recife? É o canto do Galo, é o som da Madrugada, é o canto do Galo, do Galo da Madrugada. É o canto e é o encanto de gente nas ruas, ruas de gente, mar de frevo, frevo da gente, frevo do Galo. • A Éneas Freire, fundador do Galo da Madrugada Poema Publicado na Agenda Cultural da Prefeitura do Recife –Fevereiro/Carnaval 2012. * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Boneco-gente?

*Robson Sampaio

No estrelar da noite olindense, surge a cantar e a dançar uma multidão de brincantes a sorrir com uma alegria contagiante sob o compasso de um gigante, às vezes boneco, às vezes gente: é o Homem da Meia-Noite. Explodem os clarins, o passo, os amores, as ilusões passageiras, tão efêmeros, quantos eternos, no gingado do frevo de um Carnaval sem fim. É o povo, é o canto, é Olinda, é o Homem da Meia-Noite: às vezes boneco, às vezes gente, neste ritmo efervescente do frevo pernambucano * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Vou “m’imbora pro” Recife…

Robson Sampaio*

Vou “m’imbora pro” Recife do mar, das jangadas, das redes, dos pescadores, dos peixes, do caçuá, dos mangues, das ostras, dos siris, dos caranguejos e da minha gente… Vou “m’imbora pro” Recife dos caboclinhos, da ciranda, do maracatu, do baque-virado, do Galo da Madrugada, do Homem da Meia-Noite, do frevo e dos meus foliões… Vou “m’imbora pro” Recife dos arrecifes, das pontes, dos becos, das travessas, dos bares, dos botecos, dos boêmios, da lua, das estrelas, do vento, do sol, dos meus sonhos, da minha sina e do meu Capibaribe… Eu vou “m’imbora pro” Recife e vou “m’imbora pra” mim mesmo! * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

A Cruz do Patrão

Robson Sampaio *

Ecoam gritos eternos na vastidão das noites e do mar. Gritos de dor lancinante, tão fortes que varam os arrecifes, as almas emitem sons quase selvagens. São lamentos de negros sem o sonho da liberdade, feridos de saudades e de morte. Submissos à espera do senhorio estão os filhos da vida sem vida, confinados na Cruz do Patrão, onde o tempo não sepulta a lenda e a injustiça ainda açoita os insepultos, escravos-fantasmas… * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

O poeta…

Robson Sampaio *

O poeta não morre, simplesmente, se eterniza Ele é palavra, verbo, substantivo, adjetivo, advérbio, pronome, interjeição, interrogação, exclamação, preposição, vírgula, ponto e vírgula, ponto, dois pontos, cê-cedilha. É o alfabeto: vogais – a,e,i,o,u; consoantes – ch, lh, nh, k, w, y, z. É poema, prosa, versos, frases, inspiração, evocação, declamação, emoção. Ele não morre, eterniza-se nas palavras da poesia. * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE). 21.10.2017

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Nossas homenagens aos poetas…

Caros,

Bar e Restaurante 75

As nossas homenagens aos poetas que tão bem nos representam. Retirado dos arquivos do saudoso amigo Paulo Germano.

Abs,

Arnóbio Costa
arnobio.costa@bol.com.br

Bar e Restaurante 75

*Robson Sampaio

No Bar 75,
reencontramos a inspiração
no desencontro das paixões.
Para, no tilintar da sinfonia dos copos,
compor saudosos e eternos
poemas-canção…

Também, reinventamos a imaginação,
pulamos o frevo e sambamos o samba,
com passos pernambucanos
e gingas cariocas…

Revivemos (e revemos) antigos amores
e novos amores perdemos. Porém,
abrimos o coração para outras tantas
ilusões e desilusões…

E puxando o cordão das noites sem fim,
no burburinho das madrugadas risonhas
e chorosas, das conversas banais e das
promessas vãs, redescobrimos a mágica
meiguice da sedução…

Para, neste templo sagrado da boemia,
compor saudosos e eternos poemas-canção,
agora dedilhados nas cordas do violão…

E, assim, transformamos ternuras, sentimentos,
dores e sonhos em paisagens estampadas
nas faces do cotidiano…

* Aos companheiros Rogério Carvalho e Marcelo Wanderley.
13.09.2008.

** Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de

Escritores (UBE/PE).

Confraria

Eurico Rodolfo de Araújo, filho (2008)

Não há como desperdiçar
O tempo que lhe cabe,
Não há como desprezar
A esperança que lhe move,
Não há como desconhecer
O sonho que lhe acalenta,
Não há como, pois o sonho
Nunca morre.
Se sonho é o tempo da esperança,
Se a alegria é a melhor
Parte do convívio,
Não perca tempo com o que
Não faz sentido,
Entre no sonho e se faça uma criança.
Aqui a palavra vida muda de sentido,
A realidade se confunde com a verdade,
O presente é o futuro consentido,
E o tempo,
Ah! o tempo,
Esse sem saber
Se transforma em mero detalhe.
Sejam bem – vindos,
O Paraíso é aqui.

Confraria 42

Adalberto Rangel – Confrade

Antes, eram duas, agora uma só Confraria:
Metade “75”, metade “Pra Vocês”.
Hoje, reunidos somos a bola de dois
E, na soma da Placa, apenas “42”.
Vivemos o encontro candente,
Contamos verdade, mentira ardente,
Grandeza, fanfarra, glória,
Vantagem, “causo”, história.
Se alguém se ausenta, não comparece,
O clima de tristeza estarrece.
O tédio se instala, tudo se cala.
Todos pensam, ninguém fala.
O silêncio ninguém homenageia mais.
O barulho é constante numa mesa de tantos.
Sem algazarras, tristezas, prantos,
Todos conversam o “leva e traz”.
Muitos se vêem de segunda a sexta,
Até em sábados alternados.
Alguns, nos domingos, dias santos, feriados;
Outros nem tanto, porque a mulher se queixa.
Pura bobagem delas.

Na “Confraria 42”, só existe Cabra-Macho, Valentão, Aposentado,
Advogado, Poeta, Doutor, Médico, Empresário, Coronel, Vendedor,
Corretor, Dentista, Engenheiro, Produtor Musical, até Cantor.

Por isso, devem as mulheres então,
Para espantarem os males, cantar o refrão:
“Bebam, confrades, batam palmas, dêem-se as mãos,
Bebam mais, bebam outra vez, sejam para nós e

“Pra Vocês”.

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