Teatro da Vida (Causos) e Poesias

Aos 70 anos de idade:
1. Os sequestradores não se interessarão mais por você.
2. De um grupo de reféns, você, provavelmente, será um dos primeiros a ser libertado.
3. As pessoas lhe telefonam às nove da manhã e perguntarão: ‘te acordei?’
4. Ninguém mais vai considerá-lo hipocondríaco.
5. As coisas que você comprar agora não chegarão a ficar velhas.
6. Você pode, numa boa, jantar às seis da tarde.
7. Você pode viver sem sexo, mas não sem os óculos.
8. Você curte ouvir histórias das cirurgias dos outros.
9. Você discute apaixonadamente sobre planos de aposentadoria.
10. Você dá uma festa e os vizinhos nem percebem.
11. Você deixa de pensar nos limites de velocidade como um desafio.
12. Você para de tentar manter a barriga encolhida, não importa quem entre na sala.
13. Você cantarola junto com a música do elevador.
14. A sua visão não vai piorar muito mais.
15. O seu investimento em planos de saúde finalmente vai começar a valer a pena.
16. As suas articulações passam a ser mais confiáveis que o serviço de meteorologia.
17. Seus segredos passam a estar bem guardados com seus amigos, porque eles esquecem.
18. ‘Uma noite e tanto’, significa que você não teve que se levantar para fazer xixi.
19. Sua mulher/ seu marido diz ‘vamos subir e fazer amor’, e você responde: ‘escolha uma coisa ou outra, não vou conseguir fazer as duas!’.
20. As rugas somem do seu rosto quando você está sem sutiã.
21. Você não quer nem saber onde sua mulher vai, contanto que não tenha que ir junto.
22. Você é avisado para ir devagar pelo médico e não pelo policial.
23. ‘Funcionou ‘, significa que você hoje não precisa ingerir fibras.
24. ‘Que sorte!’, significa que você encontrou seu carro no estacionamento.
25. Você não consegue se lembrar quem foi que lhe mandou esta lista.
Mesmo assim, compartilhe com seus amigos para que eles possam dar muitas risadas!!!!
POESIAS
Os mortos riem…    
  • Robson Sampaio *

 

No Dia dos Mortos,

os mortos riem do choro

e das rezas dos vivos,

lamúrias perturbadoras

da paz e do silêncio

do Campo Santo.

 

Os mortos riem tal qual

hienas: sorrisos permanentes…

Mas, os vivos choram e choram,

rezam e rezam, enquanto os mortos

riem, riem e até gargalham…

 

Os mortos riem,

no Dia dos Mortos, ou não.

Tal qual hienas: sorrisos permanentes,

escárnio dos vivos-sobreviventes e mortos-vivos,

rotina da vida eternamente…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Sinfonia dos Vagabundos      

*Robson Sampaio

Vagabundos, uni-vos!

Vinde louvar o Recife e

compor a Sinfonia dos poetas,

boêmios e miseráveis.

Vaguemos pelas ruas sujas e

fétidas, onde chagas de dor

e de desespero são expostas na

Sinfonia de todos os dias.

Vagabundos, uni-vos!

Vinde louvar o Recife e

ouvir a ladainha das devotas

beatas a compor a Sinfonia

dos pecadores de corpo e de alma.

Vagabundos, uni-vos!

Vinde louvar o Recife e

cantar o frevo-canção de dor,

de tristeza e de saudade,

num cântico excêntrico da

Sinfonia dos Vagabundos…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

A meu pai, Zeca 

 *Robson Sampaio

 O manto da morte sobressaiu-se

na escuridão da noite.

Ao amanhecer,

 a tua alma confundiu-se com

esparsas nuvens.

 

O lacrimejar dos olhos não

me transformou em correntezas,

mas o meu coração inundou-se

com um mar de saudades,

pai…

 * Jornalista, poeta, imortal, da Academia Recifense de Letras/ Cadeira 2, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Adeus, meu Capitão!  

Robson Sampaio *

Sol de fogo,

terra batida,

punhal e mosquetão.

Treme a caatinga

com medo do Capitão.

Calam-se, as armas!

Maria Bonita com

a flor na mão.

Treme em desejos

o amor de Lampião.

Fogo cruzado,

tocaia grande,

só danação!

Treme Angico,

Adeus, meu Capitão!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

A Cruz do Patrão

Robson Sampaio *

Ecoam gritos eternos na

vastidão das noites e do mar.

Gritos de dor lancinante,

tão fortes que varam os

arrecifes, as almas emitem

sons quase selvagens.

São lamentos de negros

sem o sonho da liberdade,

feridos de saudades e de morte.

Submissos à espera do senhorio

estão os filhos da vida sem vida,

confinados na Cruz do Patrão,

onde o tempo não sepulta a lenda

e a injustiça ainda açoita os insepultos,

escravos-fantasmas…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

A Inveja

Robson Sampaio

“A inveja, quando não mata,

aleija os pensamentos e

o estômago vomita as vísceras

reféns da raiva e do ódio”.

Dedilha na viola, o violeiro cego,

um cântico choramingado em

frente à Praça da Igreja-Matriz.

E tasca mais versos, no choramingar

da viola: “Sentimento impuro, capaz

de gerar ciúme, insensatez ou ódio,

tamanho é o desatino

e que pode levar ao crime”.

E o violeiro cego dedilha, no

choramingar da viola, o arremate do

cântico: “E Caim matou Abel!”

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

rsampaioblog@gmail.com.

Leia Mais

Teatro da Vida (Causos) e Poesias

*BROTINHO DE 60* 💃🎉
Uma sexagenária resolveu fazer hidroginástica.
Cheia de gás e autoconfiança, entrou na secretaria da academia.
Mal chegou, a professora novinha olhou-a de cima abaixo e avisou:
😒– Precisamos proceder a uma avaliação.
Pegou uma ficha, preencheu com seu nome e endereço e mandou brasa:
😒– Então a senhora já tem mais de sessenta anos?
👵 *- Pois é, minha filha, há seis anos virei sexy*
😒– Como? A senhora disse sexy?
👵 *- É, sexy de sexyagenária, entendeu?*
😒– A senhora tem falta de ar?
👵 *- Não, tenho falta de tempo.*
😒– Às vezes sofre de tontura?
👵 *- Sofro muito com as tonteiras dos outros*.
😒– Tem hipertensão?
👵 *- Não, tenho hipertesão. Permanente e estável.*
😒– É diabética?
👵 *- Não, sou diabólica.*
😒– Tem alergia?
👵 *- A estupidez e preconceito*.
A esta altura, a moça não se conteve:
😒– A senhora é doida?
👵 *- Por Homem!!!*
😄💃🎉 *O MAIS FANTÁSTICO DA VIDA É ESTAR COM ALGUÉM QUE SABE FAZER DE UM PEQUENO INSTANTE UM GRANDE MOMENTO.* 💃🎉🎈💐😍😄❤
Minha homenagem às sexyagenárias que tornam a terceira idade uma fase de novas e interessantes aventuras e descobertas.(Na Internet)

 

Poesias

A meu pai, Zeca

 *Robson Sampaio

 

O manto da morte sobressaiu-se

na escuridão da noite.

Ao amanhecer,

 a tua alma confundiu-se com

esparsas nuvens.

 

O lacrimejar dos olhos não

me transformou em correntezas,

mas o meu coração inundou-se

com um mar de saudades,

pai…

 * Jornalista, poeta, imortal, da Academia Recifense de Letras/ Cadeira 2, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Recife Antigo                     

*Robson Sampaio

Nos botequins de ontem,

relembro velhos e novos amores

e carrego, por ruas e becos,

o presente e o passado,

simbiose de eterna saudade.

Então, batem as lembranças:

nada mudou no Recife Antigo,

onde poetas, bêbados e vagabundos

vagueiam, à noite, feitos zumbis.

Somos os sonâmbulos da boemia,

animais sedentos de amor e de paixão,

que recolhem pedaços da carne

só para salvar a alma e, assim,

alcançar o perdão.

Nada mudou no Recife Antigo,

onde as faces sofridas se multiplicam

iguais e com sulcos talhados de dor…

Somos os compositores das canções da vida,

os poetas dos poemas passageiros,

os artesãos que juntam trapos e confeccionam,

diuturnamente, o eterno uniforme do Recife Antigo.

Formamos o cordão dos desesperados,

de alegrias furtivas, de sonhos perdidos

e de vontades saciadas, quase sempre,

em corpos estranhos.

Mas, nada mudou no Recife Antigo,

onde a sinfonia prossegue até o clarear dos arrecifes.

E, nós, em passos trôpegos, buscamos a Estrela Guia,

entoando o canto mágico do faz de conta.

Assim, transformamos o nada em tudo

e o imaginário em imaginação,

enquanto a música melosa é ouvida mais forte

nos puteiros do Recife Antigo.

Onde, nada muda…

 * Jornalista, poeta, imortal, da Academia Recifense de Letras/ Cadeira 2, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Agosto   

*Robson Sampaio                             

A ventania varre o Recife todo.

É agosto. Mas, não varre a miséria,

a sujeira e a indignidade.

Porém, prenuncia o calor do verão.

É o mês do desgosto?

Nas ruas, becos e pontes, esvoaça saias,

despe o recato e reimagina vontades,

enquanto as mulheres sonham com

a vadiação…

Alegria?

Aos homens, suscita o bem-querer

e estimula a bebedeira do dia-a-dia.

Agosto, desgostos, vontades e vadiação…

Apocalipse das tentações?

 * Jornalista, poeta, imortal, da Academia Recifense de Letras/ Cadeira 2, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

  Choramingar da viola                  

*Robson Sampaio                             

O choramingar da velha e ensebada viola

emite sons que parecem rezas abençoadas

por santos puros e impuros:

Sacrilégio?

O choramingar da velha e ensebada viola

entoa cânticos em dias de festas nas antigas

ruas e igrejas:

Profano e Religioso?

O choramingar da velha e ensebada viola

ecoa no oráculo sem perdão dos rituais sacramentos

e dos sentimentos do povo:

Inquisição?

O choramingar da velha e ensebada viola

já não alcança a surdez dos desertos de hoje:

A bença, mãe! A bença, pai!

Salvação?

 * Jornalista, poeta, imortal, da Academia Recifense de Letras/ Cadeira 2, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Maragogi    

 *Robson Sampaio                              

A vila era tão pequena,

mas tão pequenina,

que cabia na menina dos meus olhos.

O ruído do silêncio era tão quieto,

mas tão quieto,

e somente ouvido no suave

roçar do mar na areia

ou no sibilar das folhas

arrastadas pelo vento.

As águas, mares ao redor de ilhotas,

eram tão verdes ou, às vezes, tão azuis,

a parecer arco-íris fincado

no céu para sempre.

O povo, a natureza, as palhoças,

a vila toda, a contemplar,

lá no alto do Cruzeiro, a cruz dos mártires,

o símbolo da liberdade e da fé,

iluminada, apenas, pelo brilho

do sol e das estrelas.

Tudo era tão miúdo,

mas tão miúdo,

que o amor cabia na alma,

a alma no coração, o coração na vila,

a vila na menina dos olhos,

os olhos na saudade.

Saudade, que ainda se chama

Maragogi…

* Jornalista, poeta, imortal, da Academia Recifense de Letras/ Cadeira 2, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Desabafo           

  

 *Robson Sampaio                             

Eu queria falar

Faltaram palavras

Eu queria gritar

Faltou voz

Eu queria chorar

Faltaram lágrimas

Eu queria sorrir

Faltou alegria

Eu queria ser bom

Faltou compreensão

Eu queria ser mau

Faltou coragem

Eu queria ter fé

Faltou crença

Eu queria ser feliz

Faltou você

 * Jornalista, poeta, imortal, da Academia Recifense de Letras/ Cadeira 2, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Sinfonia dos Vagabundos    

 *Robson Sampaio                              

Vagabundos, uni-vos!

Vinde louvar o Recife e

compor a Sinfonia dos poetas,

boêmios e miseráveis.

Vaguemos pelas ruas sujas e

fétidas, onde chagas de dor

e de desespero são expostas na

Sinfonia de todos os dias.

Vagabundos, uni-vos!

Vinde louvar o Recife e

ouvir a ladainha das devotas

beatas a compor a Sinfonia

dos pecadores de corpo e de alma.

Vagabundos, uni-vos!

Vinde louvar o Recife e

cantar o frevo-canção de dor,

de tristeza e de saudade,

num cântico excêntrico da

Sinfonia dos Vagabundos…

 * Jornalista, poeta, imortal, da Academia Recifense de Letras/ Cadeira 2, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Eu sou Capibaribe  

 *Robson Sampaio                              

Dos mangues do rio arranquei

a carne da sobrevivência:

as iguarias das mesas das sirigaitas.

Das águas do rio tirei

o som da flauta;

a composição dos pássaros,

a sinfonia de todos os cânticos.

Vim de muito longe,

passei por Beberibe;

eu sou recifense,

eu sou Capibaribe.

Nas correntezas do rio embalei

os nossos sonhos,

o mergulho profundo:

ora vida, ora morte.

Vim de muito longe,

passei por Beberibe;

eu sou recifense,

eu sou Capibaribe.

* A Zé da Flauta

 * Jornalista, poeta, imortal, da Academia Recifense de Letras/ Cadeira 2, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Mulher

  *Robson Sampaio                               

Mulher-menina

Mulher-amiga

Mulher-briga (ou intriga)

Mulher-amada (ou desejada)

Mulher-amor,

Ah, o amor!

Amor-gostoso

Sem aval (ou endosso)

Amor-verdade

Amor-instinto

Amor-paixão

Amor-amor

Mulher-saudade

  * Jornalista, poeta, imortal, da Academia Recifense de Letras/ Cadeira 2, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Ah, essa mulher bonita!

  *Robson Sampaio                               

Ah, essa mulher bonita!

Inventa e reinventa modas.

Primeiro, ajustando o corpo

e, depois, a alma,

só para nos agradar.

Por isso, suave é o dia,

doce é essa mulher…

Sorriso delicado, ar atrevido,

espírito irreverente, misto de

mulher e menina, um quê de moleca

com um quê de sensual…

Enigmas em sintonia

com o verde-azul do mar…

Ah, essa mulher bonita!

Por isso, suave é o dia,

doce é essa mulher…

  * Jornalista, poeta, imortal, da Academia Recifense de Letras/ Cadeira 2, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

e-mail: rsampaioblog@gmail.com

Leia Mais

Teatro da Vida (Causos) e Poesias

Pescador?

Um dia desses, eu estava “tomando uma” num boteco, aqui em Boa Viagem, perto do Recife Plaza, onde moro. Aí chegou um conhecido – vou chamá-lo de “Godofredo” – que é famoso no bairro por contar estórias mirabolantes e que, para muitos, são mentirosas de tão fantasiosas. Alguns, no entanto, argumentam que uma “mentirinha”, desde que não seja uma “mentira cabeluda”, daquelas que o nariz fica igual ao do Pinóquio, são necessárias e evitam um mal maior ou até mesmo uma tragédia. Pois bem, o “Godofredo” estava na mesa de um bar, ao lado de três mulheres, e jura de pés juntos que não é uma piada e que ouviu mesmo o seguinte papo: Elas, animadas, bebericavam doses de Martini. Aí, a morena falou: – Eu vou ser a primeira morena a pisar na lua. A ruiva disse: – Eu vou ser a primeira ruiva a pisar na lua. Com ar pensativo, a loira retrucou: – Eu vou ser a primeira loira a pisar no sol. Com espanto, a morena alertou: – Você vai se queimar toda, sua tonta. No que a morena arrematou: – Nãããoo, eu vou à noite. E aí,dá para acreditar nessa estória de “Godofredo”? A única verdade: Pescador, eu garanto que o cara não é.

 

Poesias

A Inveja

Robson Sampaio*

“A inveja, quando não mata,

aleija os pensamentos e

o estômago vomita as vísceras

reféns da raiva e do ódio”.

Dedilha na viola, o violeiro cego,

um cântico choramingado em

frente à Praça da Igreja-Matriz.

E tasca mais versos, no choramingar

da viola: “Sentimento impuro, capaz

de gerar ciúme, insensatez ou ódio,

tamanho é o desatino

e que pode levar ao crime”.

E o violeiro cego dedilha, no

choramingar da viola, o arremate do

cântico: “E Caim matou Abel!”

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Boneco-gente?

 *Robson Sampaio

No estrelar da noite olindense,

surge a  cantar e a dançar

uma multidão de brincantes

a sorrir com uma alegria contagiante

sob o compasso de um gigante,

às vezes boneco, às  vezes gente:

é o Homem  da Meia-Noite.

 

Explodem os clarins, o passo,

os amores, as ilusões passageiras,

tão efêmeros, quantos eternos,

no gingado do frevo

de um Carnaval sem fim.

 

É o povo, é o canto, é Olinda,

é o Homem da Meia-Noite:

às vezes boneco, às  vezes gente,

neste ritmo efervescente

do frevo pernambucano

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 Vou “m’imbora pro” Recife…

Robson Sampaio*

Vou “m’imbora pro” Recife

do mar, das jangadas, das redes,

dos pescadores, dos peixes, do caçuá,

dos mangues, das ostras, dos siris,

dos caranguejos e da minha gente…

Vou “m’imbora pro” Recife

dos caboclinhos, da ciranda,

do maracatu, do baque-virado,

do Galo da Madrugada,

do Homem da Meia-Noite,

do frevo e dos meus foliões…

Vou “m’imbora pro” Recife

dos arrecifes, das pontes, dos becos,

das travessas, dos bares, dos botecos,

dos boêmios, da lua, das estrelas, do vento,

do sol, dos meus sonhos, da minha sina e

do meu Capibaribe…

Eu vou “m’imbora pro” Recife e

vou “m’imbora pra” mim mesmo!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

A Cruz do Patrão

Robson Sampaio *

Ecoam gritos eternos na

vastidão das noites e do mar.

Gritos de dor lancinante,

tão fortes que varam os

arrecifes, as almas emitem

sons quase selvagens.

São lamentos de negros

sem o sonho da liberdade,

feridos de saudades e de morte.

Submissos à espera do senhorio

estão os filhos da vida sem vida,

confinados na Cruz do Patrão,

onde o tempo não sepulta a lenda

e a injustiça ainda açoita os insepultos,

escravos-fantasmas…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Sertão

 

** Robson Sampaio

    

Gente sem rumo, pé na estrada

Pão dormido, alma penada

Povo sofrido, assombração!

 

(sem eira nem, beira, de cuia na mão)

 

 

Rio sem água, caçuá vazio

Gado sem pasto, boi sem cabeça

Povo sofrido, judiação!

 

(sem eira nem beira, de cuia na mão)

 

 

Gente sem rumo, pé na estrada

Terra em brasas, feito tição

Povo sofrido, Sertão!

 

* A Ascenso Ferreira

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Sertanejo da dor

 

Robson Sampaio *

O sopro surdo do vento

parece murmúrio de vozes

em lamento pela morte.

A madrugada foge num repente

danado com medo do amanhecer.

Sob o sol, os cascalhos e a terra areosa

refletem a imagem do céu.

Sina?

 

Na trilha de pó, pedras e galhos secos,

o sertanejo caminha entre crenças e

esperanças de cangaceiros.

Um penar sem fim?

 

No peito carrega o grito

do deserto-desesperança. A benção nunca

chega, apesar das rezas de virgens órfãs,

criadas por devotas beatas.

Santuário?

 

“Valei-me, meu padim-padre Ciço!”,

prece de fé e de desespero. A morte é

a passagem da Salvação?

 

O chão é um mar em brasas,

com a folhagem sem cor e a natureza

perdendo a vida. E a caatinga vira léguas

de judiação do sertanejo da dor.

Penitência?

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Adeus, meu Capitão!  

Robson Sampaio *

Sol de fogo,

terra batida,

punhal e mosquetão.

Treme a caatinga

com medo do Capitão.

 

Calam-se, as armas!

Maria Bonita com

a flor na mão.

Treme em desejos

o amor de Lampião.

 

Fogo cruzado,

tocaia grande,

só danação!

Treme Angico,

Adeus, meu Capitão!

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

**Lampião e Maria Bonita: Pintura de Wilton de Souza

 

Filhos da Caatinga

 

Robson Sampaio *

  

 Ôxente, meu fio,

cadê o boi no cercado

e toda aquela plantação?

Foi embora no vento,

sumiu tudo no céu,

feito ave de arribação.

Agora, é só terra em brasas,

ardendo que nem tição.

 

Do gado só as cabeças,

igual assombração.

Feito rio escorregadio,

a terra plantada se foi,

levada no deslize do chão.

Ai, que tamanha judiação.

 

Inhô, num gema não,

basta de choro e reza,

feitos só de lamentação.

A terra é seca e batida,

igual alma sem alumiação,

mas, de gente com fé no Santo,

indo e vindo, solta pelo Sertão.

 

São os filhos da Caatinga,

sofrendo toda humilhação.

Mas, briga, mata, esfola ou morre,

mesmo sem ser Lampião.

Ôxente, sêo Capitão,

Virge, Santa Maria,

pra quê ser tão valentão?

Num tem nem quase a vida

e, muito menos, esse chão.

 

Cruz credo, Ave Maria,

dê-me a benção Padim Ciço,

pois, é só dor no meu Sertão.

Mas, juro meu Santo querido,

que de fome, a gente num morre não.

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

rsampaioblog@gmail.com

 

Leia Mais

Teatro da Vida (Causos) e Poesias

*RINDO ATÉ 2075*  – Durante um julgamento em uma pequena cidade, o advogado acusador chamou sua primeira testemunha, uma mulher idosa.  O advogado se aproxima e, para verificar o seu estado mental, ele pergunta: – Senhora Antônia, sabe quem eu sou? Ela, com a calma que os anos dão, respondeu: – Sim, douto Vargas. Eu o conheço desde criança, e francamente, lhe digo que você acabou sendo uma grande decepção para os seus pais . Você  sempre mente, acha que sabe de tudo, é muito arrogante, abusivo, trai sua esposa e, pior de tudo, é que manipula as pessoas, você acha que é o melhor de todos quando na verdade não é ninguém. Sim senhor, eu o conheço muito bem. Um pesado silêncio invadiu a sala… O advogado ficou perplexo, sem saber exatamente o que fazer. Reagindo depois de um momento, ele apontou para a sala e perguntou à velha: – A senhora conhece o advogado de defesa? Novamente e com a mesma calma, ela respondeu: – Claro que conheço o doutor Carvalho, desde criança. A mãe dele, que ficou viúva recentemente, também não se orgulha dele. Ele se parece muito com você, além de ser um escroque, trapaceiro e corrupto. Desde menino ele era fraco e, para a sua infelicidade, tem problemas com a bebida, com meia dúzia de tragos o degenerado cai. Ele não pode ter um relacionamento normal com ninguém e, junto com você,  são os piores advogados da região, sem contar que ele trai a esposa com três mulheres, uma das quais é a sua esposa. Sim senhor, eu conheço o senhor Carvalho. O advogado de defesa quase caiu morto. Então, o juiz chama os dois advogados para irem à banca e diz: – Se algum de vocês, filhos da puta, perguntar a esta velha se ela me conhece, eu mando prender os dois!  Os advogados nunca devem fazer uma pergunta a uma avó se não estiverem preparados para a resposta.

 

É melhor rir… – Não me considere o chefe; considere-me um colega de trabalho que tem sempre razão (Bob Thaves). Quem não tem inteligência para criar, tem de ter coragem para copiar (Rolim Amaro). No Líbano, os livros são lidos de trás para frente. Por isso, a Agatha Christie não vende nada por lá (Eugênio Mohallem). A diferença entre uma relacionação amorosa e a prisão, é que na prisão eles deixam você jogar futebol nos finais de semana. (Bobby Kelton).

 Rir sempre…  – “Cuidado com os drinques”: Um casal se conhece num bar. Depois de uns drinques, ela, na idade da loba e muito vaidosa, pergunta: – Quantos anos você me dá? – Por esse olhar, menos de 25 anos. Pela pele, uns 20… E por esse corpo, 18. – Nossa… Você sabe como seduzir uma mulher! O que você vai fazer agora? – A soma.  “Sogra”: A sogra do cara morreu. Um amigo perguntou: – O que fazemos? Enterramos ou cremamos? – As duas coisas. Não podemos facilitar…

POESIAS

Sinfonia dos Vagabundos

*Robson Sampaio

  

        Vagabundos, uni-vos!

Vinde louvar o Recife e

compor a Sinfonia dos poetas,

boêmios e miseráveis.

Vaguemos pelas ruas sujas e

fétidas, onde chagas de dor

e de desespero são expostas na

Sinfonia de todos os dias.

 

       Vagabundos, uni-vos!

Vinde louvar o Recife e

ouvir a ladainha das devotas

beatas a compor a Sinfonia

dos pecadores de corpo e de alma.

 

       Vagabundos, uni-vos!

Vinde louvar o Recife e

cantar o frevo-canção de dor,

de tristeza e de saudade,

num cântico excêntrico da

Sinfonia dos Vagabundos…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Desabafo

Robson Sampaio            

Eu queria falar

Faltaram palavras

Eu queria gritar

Faltou voz

Eu queria chorar

Faltaram lágrimas

Eu queria sorrir

Faltou alegria

Eu queria ser bom

Faltou compreensão

Eu queria ser mau

Faltou coragem

Eu queria ter fé

Faltou crença

Eu queria ser feliz

Faltou você

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Choramingar da viola                  

*Robson Sampaio

O choramingar da velha e ensebada viola

emite sons que parecem rezas abençoadas

por santos puros e impuros:

Sacrilégio?

 

O choramingar da velha e ensebada viola

entoa cânticos em dias de festas nas antigas

ruas e igrejas:

Profano e Religioso?

 

O choramingar da velha e ensebada viola

ecoa no oráculo sem perdão dos rituais sacramentos

e dos sentimentos do povo:

Inquisição?

 

O choramingar da velha e ensebada viola

já não alcança a surdez dos desertos de hoje:

A bença, mãe! A bença, pai!

Salvação?

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Eu sou Capibaribe   

 

*Robson Sampaio

(A Zé da Flauta)

 

Dos mangues do rio arranquei

a carne da sobrevivência:

as iguarias das mesas das sirigaitas.

Das águas do rio tirei

o som da flauta;

a composição dos pássaros,

a sinfonia de todos os cânticos.

Vim de muito longe,

passei por Beberibe;

eu sou recifense,

eu sou Capibaribe.

Nas correntezas do rio embalei

os nossos sonhos,

o mergulho profundo:

ora vida, ora morte.

Vim de muito longe,

passei por Beberibe;

eu sou recifense,

eu sou Capibaribe.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Filhos da Caatinga

 

Robson Sampaio

Ôxente, meu fio,

cadê o boi no cercado

e toda aquela plantação?

Foi embora no vento,

sumiu tudo no céu,

feito ave de arribação.

Agora, é só terra em brasas,

ardendo que nem tição.

Do gado só as cabeças,

igual à assombração.

Feito rio escorregadio,

a terra plantada se foi,

levada no deslize do chão.

Ai, que tamanha judiação.

Inhô, num gema não,

basta de choro e reza,

feitos só de lamentação.

A terra é seca e batida,

igual alma sem alumiação,

mas, de gente com fé no Santo,

indo e vindo, solta pelo Sertão.

São os filhos da Caatinga

sofrendo toda humilhação.

Mas, briga, mata, esfola ou morre,

mesmo sem ser Lampião.

Ôxente, sêo Capitão,

Virge, Santa Maria,

pra quê ser tão valentão?

Num tem nem quase a vida

e, muito menos, esse chão.

Cruz Credo, Ave Maria,

dê-me a benção Padim Ciço,

pois, é só dor no meu Sertão.

Mas, juro meu Santo querido,

que de fome, a gente num morre não.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Mulher  

*Robson Sampaio

Mulher-menina

Mulher-amiga

Mulher-briga (ou intriga)

Mulher-amada (ou desejada)

Mulher-amor,

Ah, o amor!

Amor-gostoso

Sem aval (ou endosso)

Amor-verdade

Amor-instinto

Amor-paixão

Amor-amor

Mulher-saudade

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Almas do Recife

Robson Sampaio *

     Versos, versos e mais versos

a povoar de almas o Recife.

Poemas em cada esquina,

em cada bar, em cada desilusão

enchem e perfumam ruas e bairros:

da Aurora ao Recife Antigo.

São pedaços de cada um de nós,

poetas, vivos ou mortos.

Eles, como nós, teimam em poemar

a vida no Recife e a não

dormir com a morte.

Versos, versos e mais versos!

Assim são os poetas

a povoar de almas o Recife.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Ah, essa mulher bonita!

Robson Sampaio

Ah, essa mulher bonita!

Inventa e reinventa modas.

Primeiro, ajustando o corpo

e, depois, a alma,

só para nos agradar.

Por isso, suave é o dia,

doce é essa mulher…

Sorriso delicado, ar atrevido,

espírito irreverente, misto de

mulher e menina, um quê de moleca

com um quê de sensual…

Enigmas em sintonia

com o verde-azul do mar…

Ah, essa mulher bonita!

Por isso, suave é o dia,

doce é essa mulher…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Feliz, ele…    

Robson Sampaio

(* A Paulo Mendes Campos)

 

O poeta teve o bairro, o mar

e o bar.

Feliz, ele…

Desprezou o outrora para que a

rosa não lhe perturbasse os

sonhos.

O mar teve como o amor maior,

onde derramou lágrimas

para que não se perdessem no

tempo.

Como mágico das palavras (ou seria poesia,

coisa só sua, íntima e necessária?), diz que

a vida enganou a vida, o homem enganou o

homem.

E que multiplicou a sua dor e, também,

a esperança.

Feliz, enganou a todos nós, pois teve o

bairro, o mar e o bar.

Feliz, ele… E eu!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

rsampaioblog@gmail.com

 

 

Leia Mais

Teatro da Vida (Causos), Poesias, Minipoemas e Frases

“Orientações de um advogado para sexo seguro” – Você se lembra do tempo em que sexo seguro era usar camisinha para evitar doenças sexualmente transmissíveis e gravidez? Esqueça, os bons tempos acabaram. Confira as dicas que um homem deve observar no mundo feminista moderno! A coisa tá ficando assim: Sabe aquela gatinha que você conheceu na balada, deu o maior mole, e você convidou para um motel e ela topou? Primeiro, a leve a um hospital e peça um teste de dosagem de álcool e outras drogas, para evitar a acusação de posse sexual mediante fraude (Art. 215 CP). Depois, passe com ela num cartório e exija que ela registre uma declaração de que está praticando sexo consensual, para evitar acusação de estupro (Art. 213 CP). Exija ainda uma declaração de que ela está praticando sexo casual, para evitar pedido de pensão por rompimento de relação estável (Lei 9.278, Art. 7). Depois, vá a um laboratório e exija o exame de Beta-HCG (gonadotrofina coriônica humana), para ter certeza que você não é o pato escolhido para sustentá-la na gravidez de um bebê que não é seu (Lei 11.804 Art. 6).

É melhor rir…

No motel ou em casa, use camisinha e nada de “sexo forte” pra evitar acusações de violência doméstica e pegar a Lei Maria da Penha nas costas. Além disso, você deve paparicá-las, elogiá-las, jamais criticá-las ou reclamar coisa alguma, devem ser perfeitos capachos, para não causar qualquer “sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral”, sem que tenha obviamente os mesmos direitos em contrapartida.(Lei 11.340 Art. 5). Na saída do motel leve-a ao Instituto Médico Legal e exija um exame de corpo de delito, com expedição de laudo negativo para lesões corporais (Art. 129 CP).

…Rir sempre      

E laudo negativo para presença de esperma na vagina, para tentar evitar desembolsar nove meses de bolsa-barriga, caso ela saia dali e engravide de outro (Lei 11.804 Art. 6). Finalmente, se houver presença de esperma na vagina da moça, exija imediatamente uma coleta de amostra para futura investigação de paternidade (Lei 1.060 Art. 3 inciso VI) e solicitação de restituição de eventuais pensões alimentícias obtidas mediante ardil ou fraude (Art. 171 CP). Fazendo tudo isso, agora você pode fazer “sexo seguro”. Se ainda estiver interessado!

 

Poesias

  

Sou arrecifes…      

 *Robson Sampaio

 

Sou arrecifes,

de pedra esculpida nos

rebentes das ondas do mar

e na força dos ventos.

 

Sou arrecifes,

de arrebentação

de Sol no rosto

de águas azuis

de gosto de sal

de gente do frevo.

 

Sou arrecifes,

de pedra esculpida

de pontes rochosas

na sinuosidade

do Rio Capibaribe.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 Recifense…

 *Robson Sampaio

 

Nas águas eternas do Rio Capibaribe,

naveguei sonhos e derramei lágrimas

de tristezas e de alegrias.

 

Nas ondas salgadas da Praia de Boa Viagem,

molhei o corpo e purifiquei a alma.

 

Nas pontes históricas do Recife,

forjei o destino e percorri as trilhas

da vida.

 

E, só assim, me tornei recifense…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Saudade danada…  

 *Robson Sampaio

 

Recife,

cadê teus arraiais,

canaviais, mucamas

e sinhazinhas?

– Casa-Grande

 

Recife,

cadê teu forró,

ciranda, maracatu

e frevo?

– Carnaval

 

Recife,

cadê teu mar,

pontes, praças

e rios?

– Beberibe e Capibaribe

 

Recife,

cadê teus boêmios,

bares, batida gelada

e mulheres?

– Poesia

 

Recife,

não mais te encontro

e sinto uma saudade

danada…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

(In)consciência!  

 

 *Robson Sampaio

 

Anjo, ele é.

Só que é um anjo diferente desses

que enfeitam igrejas, santuários, capelas

ou que aparecem corados, gorduchos e

risonhos em pinturas celestiais.

 

Anjo, ele é.

É um anjo do sofrimento, do abandono,

da fome, da miséria e do esquecimento.

Mas é um anjo, mesmo sem nada, sem-teto,

sem arcanjo e sem guarda.

 

Anjo, ele é.

De traços angélicos, de olhar infantil,

que chora de fome, que treme de frio; que

dorme nas calçadas ou nas mesas solitárias

dos bares vazios das noites-madrugadas.

 

É um anjo, sim.

De vestes esfarrapadas, de corpo sujo,

de andar sem rumo, de extrema penúria,

de querer ser santo na espera da morte.  

É o anjo da nossa (in)consciência!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

  

Duas lágrimas…  

 *Robson Sampaio

 

Amparei as duas lágrimas

em cada uma das minhas mãos

e as beijei.

E elas transformaram-se

em águas do mar…

 

Salgadas, sim!

Dolorosas, sim!

Saudosas, sim!

 

Duas lágrimas nas palmas das mãos

 e apenas um coração.

Numa dor que, só na saudade,

se é capaz de sentir em nome do amor…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Gotejos…

 

 *Robson Sampaio

 

Um tiquinho d’ água fluindo,

naquela vastidão de chão,

traz para a minha alma a

saudade de uma terra, que

nem o tempo me fez esquecer.

 

Lá adiante, corre um fiozinho d’ água

a inundar os meus olhos e as lágrimas

descem pela minha face molhada,

com a água daquele riachinho

transbordando de lembranças.

 

E daquele riachinho, a ermo,

na imensidão da terra seca,

pingam gotas de emoções a

deslizar tempo afora.

São os gotejos da minha vida.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Minipoemas

 

Alma

Um dia, em Paris, a

artista disse: “Quando

conhecer a tua alma,

eu pinto os teus olhos”.

E pintou nas duas

formas: aberto e

fechado.

 

II

Séculos depois, o poeta

disse: “Sem o dom dos

pincéis, eu não posso te

pintar. Mas, te amar de

corpo e alma”. (RS)

 

Recordações    

Na calçada, a mulher

rendeira e, na janela,

a moça brejeira.

Nos paralelepípedos,

a correria de meninos

e, na praça ao lado, o

canto de pássaros. E,

assim, o tempo voa e

mistura o ontem, o

hoje e o amanhã… (RS)

 

 Sertão        

Chão de pedras e

aperto no coração,

rios de águas,

mas, só nas lágrimas.

Valha-me, Nosso

Senhor!

Os salmos dos anjos

não chegam no meu

Sertão!  (RS)

 

Palafitas    

Eu moro no mar, “sêo”

“Dotô”, em riba de uns

cambitos de pau sem

vara de pescar.

E as ondas do mar não

embalam, como nas

canções de ninar.   (RS)

 

Desejo  

Na mão, a flor

No olhar, a paixão

No coração, o amor

Na cama, o desejo

jamais saciado… (RS)

 

Frases

A vida e a morte são irmãs siamesas. Mas, prefiro a primeira: sempre”.  “A gente sempre exige dos outros, o que nem sempre fazemos”.  Jornalista escreve quase tudo. Mas, quem escreve tudo mesmo é o dono do jornal”.  “Só diga a uma mulher  que a ama, se for verdade”.   “Jornalista, poeta, escritor, ator, compositor, cantor e  artista plástico. Ah, gente complicada”!  “A desigualdade neste País, só acaba  muda daqui a uns 500 anos”. “Nos anos de eleições, os políticos estão cheios de grande ideias. E o povo, Ó”! (RS)

 

rsampaioblog@gmail.com

 

 

Leia Mais