Teatro da Vida (Causos), Poesias, Frases e Minipoemas

Coisa do Diabo – Elpídio e Maristela viveram mais de 40 anos numa cidadezinha do Sertão pernambucano. E, aos 80 anos, resolveram vir para o Recife, onde estavam os filhos. Venderam o sítio e foram morar em Campo Grande. Depois de algum tempo compraram um telefone fixo. Para eles, uma “gerigonça”, pois “quem já viu máquina falar feito gente”. Mas, era necessária, pois, se comunicavam com a família, os amigos e usavam nas atividades normais. Como muita gente do Interior antigamente, tinham medo dos mortos, “coisa do outro mundo”. Então, cismaram que o telefone, às vezes, fazia um estranho “zuum, zuum, zuum”. E se arrepiavam. A coisa complicou quando alguém ligou e perguntou: “Misericórdia, está,?”. Maristela, prontamente: “Nãaoo”, e desligou. E gritou:” Elpídio, isso é coisa de assombração!” E ficaram ainda mais receosos de atender as chamadas. Um mandava o outro. Até que um dia aconteceu. Ligaram: “Dona Alma, está?” Maristela gelou.Arrancou o telefone e jogou pela janela: “Isso é coisa do Diabo. Cruz credo, Ave Maria!”

 

Poesias

 

 

Sertão

 ** Robson Sampaio

     Gente sem rumo, pé na estrada

Pão dormido, alma penada

Povo sofrido, assombração!

 

(sem eira nem, beira, de cuia na mão)

 

 

Rio sem água, caçuá vazio

Gado sem pasto, boi sem cabeça

Povo sofrido, judiação!

 

(sem eira nem beira, de cuia na mão)

 

 

Gente sem rumo, pé na estrada

Terra em brasas, feito tição

Povo sofrido, Sertão!

 * A Ascenso Ferreira

 * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Sertanejo da dor

 

 

Robson Sampaio *

O sopro surdo do vento

parece murmúrio de vozes

em lamento pela morte.

A madrugada foge num repente

danado com medo do amanhecer.

Sob o sol, os cascalhos e a terra areosa

refletem a imagem do céu.

Sina?

 

Na trilha de pó, pedras e galhos secos,

o sertanejo caminha entre crenças e

esperanças de cangaceiros.

Um penar sem fim?

 

No peito carrega o grito

do deserto-desesperança. A benção nunca

chega, apesar das rezas de virgens órfãs,

criadas por devotas beatas.

Santuário?

 

“Valei-me, meu padim-padre Ciço!”,

prece de fé e de desespero. A morte é

a passagem da Salvação?

 

O chão é um mar em brasas,

com a folhagem sem cor e a natureza

perdendo a vida. E a caatinga vira léguas

de judiação do sertanejo da dor.

Penitência?

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Adeus, meu Capitão!  

Robson Sampaio *

Sol de fogo,

terra batida,

punhal e mosquetão.

Treme a caatinga

com medo do Capitão.

 

Calam-se, as armas!

Maria Bonita com

a flor na mão.

Treme em desejos

o amor de Lampião.

 

Fogo cruzado,

tocaia grande,

só danação!

Treme Angico,

Adeus, meu Capitão!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Filhos da Caatinga

 Robson Sampaio *

    Ôxente, meu fio,

cadê o boi no cercado

e toda aquela plantação?

Foi embora no vento,

sumiu tudo no céu,

feito ave de arribação.

Agora, é só terra em brasas,

ardendo que nem tição.

 

Do gado só as cabeças,

igual assombração.

Feito rio escorregadio,

a terra plantada se foi,

levada no deslize do chão.

Ai, que tamanha judiação.

 

Inhô, num gema não,

basta de choro e reza,

feitos só de lamentação.

A terra é seca e batida,

igual alma sem alumiação,

mas, de gente com fé no Santo,

indo e vindo, solta pelo Sertão.

 

São os filhos da Caatinga,

sofrendo toda humilhação.

Mas, briga, mata, esfola ou morre,

mesmo sem ser Lampião.

Ôxente, sêo Capitão,

Virge, Santa Maria,

pra quê ser tão valentão?

Num tem nem quase a vida

e, muito menos, esse chão.

 

Cruz credo, Ave Maria,

dê-me a benção Padim Ciço,

pois, é só dor no meu Sertão.

Mas, juro meu Santo querido,

que de fome, a gente num morre não.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Boi no laço?  

*Robson Sampaio

 

Rebanho no pasto,

boi no laço,

corte inclemente,

fartura na mesa,

só de “oiá”…

 

Em “riba” do jumento,

só sofrimento,

terra batida,

chuva é miragem,

barriga vazia,

só rapadura,

só lambuzar.

 

Rebanho no pasto,

boi no laço,

fartura na mesa,

só de “oiá”…

 

“Óia” a caatinga,

vaqueiro valente,

só boiadeiro.

Cadê, o pasto?

Cadê, o boi?

Penitência e

assombração?

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

“Antigamente, as bundas cabiam nas calçolas. Hoje, as calcinhas cabem nas bundas”.  “O consolo de velho é ver uma mulher gostosa e dizer: ‘Já fui bom nisso’”. “Entre a cruz e a espada, só uma saída: encarar uma das duas”. “Virei um ermitão, pois não aguento mais festas com um monte de bufões  e de ‘personalidades’ de mentirinhas”. (RS)

 

Sertão        

Chão de pedras e

aperto no coração,

rios de águas,

mas, só nas lágrimas.

Valha-me, Nosso Senhor!

Os salmos dos anjos

não chegam no meu

Sertão!  (RS).

 

Alma    

Um dia, em Paris, a

artista disse: “Quando

conhecer a tua alma,

eu pinto os teus olhos”.

E pintou nas duas

formas: aberto e

fechado.

 

II

 

Séculos depois, o poeta

disse: “Sem o dom dos

pincéis, eu não posso te

pintar. Mas, te amar de

corpo e alma”. (RS)

 

Paixão! 

No olhar, a tua imagem

No coração, a tua alma

Em minhas mãos,

o teu corpo

E nos teus lábios,

a minha paixão! (RS)

 

 rsampaioblog@gmail.com

 

 

Leia Mais

Teatro da Vida (Causos), Poesias, Minipoemas e Frases

Frases: Eu bebo para as outras pessoas ficarem mais interessantes (George Jean Nathan). Perdoe os seus inimigos, mas não esqueça os seus nomes (J.Kennedy). O problema de morar sozinho é que sempre é a nossa vez de lavar a louça (Al Bernstein).Quem disse que ganhar ou perder não importa, provavelmente perdeu (Martina Navratilova). Quando os preços sobem é inflação; quando descem é promoção (Joelmir Betting). Se você vai fazer alguma coisa errada, aproveite (Provérbio iídiche). Os homens mentiriam muito menos se as mulheres fizessem menos perguntas (Max Nunes). Não se deve emprestar nem livro nem mulheres. Nunca devolvem os livros; as mulheres, sempre (Provérbio português). Nunca confie numa mulher que diz a sua verdadeira idade. Se ela diz isso é capaz de dizer qualquer coisa (Oscar Wilde). Sabe o que significa voltar para casa à noite e encontrar uma mulher que lhe dá amor, afeto e ternura? Significa que você entrou na casa errada. Só isso (Henry Yungman).  Não me considere o chefe; considere-me um colega de trabalho que tem sempre razão (Bob Thaves). Quem não tem inteligência para criar, tem de ter coragem para copiar (Rolim Amaro). No Líbano, os livros são lidos de trás para frente. Por isso, a Agatha Christie não vende nada por lá (Eugênio Mohallem). A diferença entre uma relação amorosa e a prisão, é que na prisão eles deixam você jogar futebol nos finais de semana. (Bobby Kelton). O bar é a tribuna do cidadão (Robson Sampaio).

 

Poesias – (A todas mães) 

 

Mãe…  

 *Robson Sampaio

Palavra-ventre

Palavra-menina

Palavra-moça

Palavra-mulher

Palavra-vida

Palavra-luz

Palavra-santa

Todas mulheres

Todas Marias

Todas Luzias

Todas Santas

Santas Marias

Marias e Luzias

de todos os filhos…

 

* À minha mãe, Dinah.

* Saudades de Zé Neto, Robson, Cézar, Gibson e Jackson

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Maria…  

*Robson Sampaio

 

O quadro pintado

em preto e branco

não tinha o colorido

da vida terrena e,

sim, o negro da noite

e o clarão do dia.

Mas aquela mulher,

com a criança nos braços,

bem que poderia ser

a Virgem Maria…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

A bença, mãe…

*Robson Sampaio

 

A mulher é a obra-prima

de Deus.

Mãe, filha, irmã, amiga e

amante.

Todas sublimes.

 

Josefa deu à luz!

Severina pariu!

Maria concebeu Jesus!

 

As sementes germinam:

no ventre a vida,

no coração o amor,

no olhar a ternura e,

na alma, a luz.

 

Todas sublimes,

todas maternas,

todas filhas de Maria.

A bença, mãe!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Saudade de você

*Robson Sampaio

 

Saudade?

Sim, saudade

do teu corpo.

Só de teu corpo?

Não.

De tua boca

tua pele, teu odor,

teu olhar.

 

Saudade

de tua voz, teus sussurros,

teus abraços, teus gemidos.

 

Saudade

de teu sorriso, tuas mãos,

tuas brigas,

do teu jeito se ser.

 

Saudade,

grande, imensa, descomedida,

a sangrar no meu peito e

a calar a minha voz.

Saudade,

de você…

*À Lucinha (minha mulher).

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Desabafo              

*Robson Sampaio

 

Eu queria falar

Faltaram palavras

Eu queria gritar

Faltou voz

Eu queria chorar

Faltaram lágrimas

Eu queria sorrir

Faltou alegria

Eu queria ser bom

Faltou compreensão

Eu queria ser mau

Faltou coragem

Eu queria ter fé

Faltou crença

Eu queria ser feliz

Faltou você

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Ah, essa mulher bonita!

*Robson Sampaio

Ah, essa mulher bonita!

Inventa e reinventa modas.

Primeiro, ajustando o corpo

e, depois, a alma,

só para nos agradar.

Por isso, suave é o dia,

doce é essa mulher…

Sorriso delicado, ar atrevido,

espírito irreverente, misto de

mulher e menina, um quê de moleca

com um quê de sensual…

Enigmas em sintonia

com o verde-azul do mar…

Ah, essa mulher bonita!

Por isso, suave é o dia,

doce é essa mulher…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Tigresa

*Robson Sampaio

Os olhos da tigresa

são esmeraldas incrustadas

nas águas verdes do mar.

Luzes que refletem o brilho

dessa mulher, porém, não

decifram os enigmas da sua

alma…

 

Os olhos da tigresa

são lanças flamejantes de desejo

e de paixão,

a rasgar entranhas e a ferir

com a dor bendita encravada

no coração…

 

Os olhos da tigresa são

a força felina de cada gesto,

a expor também a graça e a leveza,

enquanto o seu corpo resplandece

toda a beleza das fêmeas sensuais

e só domadas pelas carícias

do amor…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

 

 

Mulher

*Robson Sampaio

 

Mulher-menina

Mulher-amiga

Mulher-briga (ou intriga)

Mulher-amada (ou desejada)

Mulher-amor,

Ah, o amor!

 

Amor-gostoso

Sem aval (ou endosso)

Amor-verdade

Amor-instinto

Amor-paixão

Amor-amor

Mulher-saudade

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

 

 

 

Menina-Santa    

*Robson Sampaio

 

Menina-criança,

roubaram a tua boneca,

o teu sorriso,

a tua alegria.

 

Menina-moça,

roubaram a tua meiguice,

os teus encantos,

o teu corpo.

 

Menina-mulher,

ainda menina e moça,

não hão de roubar

a tua alma, a tua paz,

a tua vida.

Menina-Santa,

como tantas outras…

* À Casa de Passagem (Recife-PE).

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Cigana encantada…    

*Robson Sampaio

 

Gente sem destino, múltiplos caminhos,

andarilhos, zíngaros, tradição de milênios.

Na leitura da mão, a sorte dos outros

e o próprio destino ao vento. Desatino?

Oh, Carmem, cigana encantada,

amor impossível!

 

A altivez dos machos é reflexo ímpar

 e majestoso de um povo sem rumo.

A alvura das carnes nas fêmeas são

tessituras de desejos inatingíveis

e de mistério no ar.

Oh, Carmem, cigana encantada,

amor impossível!

 

Anéis, pulseiras, brincos, colares,

deslumbramentos nos adornos

e sorrisos enigmáticos.

E nas vestes largas e multicoloridas,

a beleza milenar das indianas

e egípcias.

Fascínio, segredo, sedução, exotismo,

fêmeas de vida errante, incerta.

Todas, filhas de Carmem, cigana encantada,

amor impossível…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 Santa-Mulher?    

*Robson Sampaio

 

Que mulher é essa,

que vira Santa e move

a fé com a sua força?

 

Que mulher é essa,

que vira Santa e

transforma pagãos

em santos profanos?

 

Que mulher é essa,

que vira Santa e faz

da dor uma fonte de

esperança?

 

Estátua de pedra?

Alma de gente?,

Estátua de pau?

Santa-Mulher?

Estátua de barro?

Mulher-Santa?

 

Pedra de fé?

Fé de vida?

Mãe da gente?

Virgem-Santa?

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Águas do Mar

*Robson Sampaio

 

Há um cheiro de mulher no ar,

uma mistura com o cheiro

das águas do mar.

 

Há corpos seminus,

deitados nas areias mornas

do mar.

 

Há mulheres nas ruas: negras,

brancas, loiras, morenas, mulatas,

todas com o gosto dos frutos

do mar.

 

Há olhares, gestos, promessas e

sorrisos entre homens e mulheres,

em cumplicidade com o sol e

embalados nas ondas

do mar.

 

Há ternura, solidão, juras de amor,

paixões desenfreadas, que só o

verão recifense pode dar

nas águas do mar

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Olhos flamejantes…    

*Robson Sampaio

 

Olhos flamejantes,

os teus…

– Diamantes ou rubis?

Brilho incandescente,

 fonte natural de desejo

 

Olhos flamejantes

os teus…

– Diamantes ou rubis?

Luz maior que o Sol

vontade de me queimar.

 

Olhos flamejantes,

os teus…

– Diamantes ou rubis?

Faíscas ardentes,

brasas para me arder.

 

Olhos flamejantes,

os teus…

– Diamantes ou rubis?

Raios a riscar o Céu e

a penetrar nos meus…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Duas lágrimas…  

*Robson Sampaio

 

Amparei as duas lágrimas

em cada uma das minhas mãos

e as beijei.

E elas transformaram-se

em águas do mar…

 

Salgadas, sim!

Dolorosas, sim!

Saudosas, sim!

 

Duas lágrimas nas palmas das mãos

 e apenas um coração.

Numa dor que, só na saudade,

se é capaz de sentir em nome do amor…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Minipoemas

 

Lucinha…  

Um simples terraço,

duas cadeiras vazias

e, no meu coração,

o teu nome,

Lúcia Maria…

*À minha mulher, Lúcia. (RS)

 

Adeus…

Um sorriso

Uma lágrima

Adeus.

Uma saudade a mais (RS)

 

 

Paixão…

Quando olho pra você,

não tem jeito: estremeço,

me alucino e acho que

vou explodir de paixão… (RS)

 

 Frases (RS)

 “Se a mulher não fosse a obra-prima de Deus, os homens não existiriam”. “A negra é a avó; a mestiça é a mãe; a mulata é a filha; e a morena é a neta deste País”. “Lucinha não é apenas a minha mulher, há 45 anos. É o anjo que  Deus colocou ao meu lado”. “Só covardes batem em mulher”. “Minhas filhas e netos são provas da benção de Deus a mim e à Lucinha”. “Só diga a uma mulher que a ama, se for verdade”. “Nada de Gabriela, cravo e canela. Mas, Gabi, rosas e bem-me-quer”. “Numa briga de marido e mulher, ela sempre tem razão”. “Mulher e doce de coco são sinônimos” (RS).

 

 

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Teatro da Vida (Causos), Poesias, Minipoemas e Frases

Frases: Eu bebo para as outras pessoas ficarem mais interessantes (George Jean Nathan). Perdoe os seus inimigos, mas não esqueça os seus nomes (J.Kennedy). O problema de morar sozinho é que sempre é a nossa vez de lavar a louça (Al Bernstein).Quem disse que ganhar ou perder não importa, provavelmente perdeu (Martina Navratilova). Quando os preços sobem é inflação; quando descem é promoção (Joelmir Betting). Se você vai fazer alguma coisa errada, aproveite (Provérbio iídiche). Os homens mentiriam muito menos se as mulheres fizessem menos perguntas (Max Nunes). Não se deve emprestar nem livro nem mulheres. Nunca devolvem os livros; as mulheres, sempre (Provérbio português). Nunca confie numa mulher que diz a sua verdadeira idade. Se ela diz isso é capaz de dizer qualquer coisa (Oscar Wilde). Sabe o que significa voltar para casa à noite e encontrar uma mulher que lhe dá amor, afeto e ternura? Significa que você entrou na casa errada. Só isso (Henry Yungman).  Não me considere o chefe; considere-me um colega de trabalho que tem sempre razão (Bob Thaves). Quem não tem inteligência para criar, tem de ter coragem para copiar (Rolim Amaro). No Líbano, os livros são lidos de trás para frente. Por isso, a Agatha Christie não vende nada por lá (Eugênio Mohallem). A diferença entre uma relação amorosa e a prisão, é que na prisão eles deixam você jogar futebol nos finais de semana. (Bobby Kelton). O bar é a tribuna do cidadão (Robson Sampaio).

 

Poesias – (A todas mães) 

 

Mãe…  

 *Robson Sampaio

Palavra-ventre

Palavra-menina

Palavra-moça

Palavra-mulher

Palavra-vida

Palavra-luz

Palavra-santa

Todas mulheres

Todas Marias

Todas Luzias

Todas Santas

Santas Marias

Marias e Luzias

de todos os filhos…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Maria…  

*Robson Sampaio

 

O quadro pintado

em preto e branco

não tinha o colorido

da vida terrena e,

sim, o negro da noite

e o clarão do dia.

Mas aquela mulher,

com a criança nos braços,

bem que poderia ser

a Virgem Maria…

* À minha mãe, Dinah.

* Saudades de Zé Neto, Robson, Cézar, Gibson e Jackson

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

A bença, mãe…

*Robson Sampaio

 

A mulher é a obra-prima

de Deus.

Mãe, filha, irmã, amiga e

amante.

Todas sublimes.

 

Josefa deu à luz!

Severina pariu!

Maria concebeu Jesus!

 

As sementes germinam:

no ventre a vida,

no coração o amor,

no olhar a ternura e,

na alma, a luz.

 

Todas sublimes,

todas maternas,

todas filhas de Maria.

A bença, mãe!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Saudade de você

*Robson Sampaio

 

Saudade?

Sim, saudade

do teu corpo.

Só de teu corpo?

Não.

De tua boca

tua pele, teu odor,

teu olhar.

 

Saudade

de tua voz, teus sussurros,

teus abraços, teus gemidos.

 

Saudade

de teu sorriso, tuas mãos,

tuas brigas,

do teu jeito se ser.

 

Saudade,

grande, imensa, descomedida,

a sangrar no meu peito e

a calar a minha voz.

Saudade,

de você…

*À Lucinha (minha mulher).

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Desabafo              

*Robson Sampaio

 

Eu queria falar

Faltaram palavras

Eu queria gritar

Faltou voz

Eu queria chorar

Faltaram lágrimas

Eu queria sorrir

Faltou alegria

Eu queria ser bom

Faltou compreensão

Eu queria ser mau

Faltou coragem

Eu queria ter fé

Faltou crença

Eu queria ser feliz

Faltou você

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Ah, essa mulher bonita!

*Robson Sampaio

Ah, essa mulher bonita!

Inventa e reinventa modas.

Primeiro, ajustando o corpo

e, depois, a alma,

só para nos agradar.

Por isso, suave é o dia,

doce é essa mulher…

Sorriso delicado, ar atrevido,

espírito irreverente, misto de

mulher e menina, um quê de moleca

com um quê de sensual…

Enigmas em sintonia

com o verde-azul do mar…

Ah, essa mulher bonita!

Por isso, suave é o dia,

doce é essa mulher…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Tigresa

*Robson Sampaio

Os olhos da tigresa

são esmeraldas incrustadas

nas águas verdes do mar.

Luzes que refletem o brilho

dessa mulher, porém, não

decifram os enigmas da sua

alma…

 

Os olhos da tigresa

são lanças flamejantes de desejo

e de paixão,

a rasgar entranhas e a ferir

com a dor bendita encravada

no coração…

 

Os olhos da tigresa são

a força felina de cada gesto,

a expor também a graça e a leveza,

enquanto o seu corpo resplandece

toda a beleza das fêmeas sensuais

e só domadas pelas carícias

do amor…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

 

 

Mulher

*Robson Sampaio

 

Mulher-menina

Mulher-amiga

Mulher-briga (ou intriga)

Mulher-amada (ou desejada)

Mulher-amor,

Ah, o amor!

 

Amor-gostoso

Sem aval (ou endosso)

Amor-verdade

Amor-instinto

Amor-paixão

Amor-amor

Mulher-saudade

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

 

 

 

Menina-Santa    

*Robson Sampaio

 

Menina-criança,

roubaram a tua boneca,

o teu sorriso,

a tua alegria.

 

Menina-moça,

roubaram a tua meiguice,

os teus encantos,

o teu corpo.

 

Menina-mulher,

ainda menina e moça,

não hão de roubar

a tua alma, a tua paz,

a tua vida.

Menina-Santa,

como tantas outras…

* À Casa de Passagem (Recife-PE).

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Cigana encantada…    

*Robson Sampaio

 

Gente sem destino, múltiplos caminhos,

andarilhos, zíngaros, tradição de milênios.

Na leitura da mão, a sorte dos outros

e o próprio destino ao vento. Desatino?

Oh, Carmem, cigana encantada,

amor impossível!

 

A altivez dos machos é reflexo ímpar

 e majestoso de um povo sem rumo.

A alvura das carnes nas fêmeas são

tessituras de desejos inatingíveis

e de mistério no ar.

Oh, Carmem, cigana encantada,

amor impossível!

 

Anéis, pulseiras, brincos, colares,

deslumbramentos nos adornos

e sorrisos enigmáticos.

E nas vestes largas e multicoloridas,

a beleza milenar das indianas

e egípcias.

Fascínio, segredo, sedução, exotismo,

fêmeas de vida errante, incerta.

Todas, filhas de Carmem, cigana encantada,

amor impossível…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 Santa-Mulher?    

*Robson Sampaio

 

Que mulher é essa,

que vira Santa e move

a fé com a sua força?

 

Que mulher é essa,

que vira Santa e

transforma pagãos

em santos profanos?

 

Que mulher é essa,

que vira Santa e faz

da dor uma fonte de

esperança?

 

Estátua de pedra?

Alma de gente?,

Estátua de pau?

Santa-Mulher?

Estátua de barro?

Mulher-Santa?

 

Pedra de fé?

Fé de vida?

Mãe da gente?

Virgem-Santa?

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Águas do Mar

*Robson Sampaio

 

Há um cheiro de mulher no ar,

uma mistura com o cheiro

das águas do mar.

 

Há corpos seminus,

deitados nas areias mornas

do mar.

 

Há mulheres nas ruas: negras,

brancas, loiras, morenas, mulatas,

todas com o gosto dos frutos

do mar.

 

Há olhares, gestos, promessas e

sorrisos entre homens e mulheres,

em cumplicidade com o sol e

embalados nas ondas

do mar.

 

Há ternura, solidão, juras de amor,

paixões desenfreadas, que só o

verão recifense pode dar

nas águas do mar

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Olhos flamejantes…    

*Robson Sampaio

 

Olhos flamejantes,

os teus…

– Diamantes ou rubis?

Brilho incandescente,

 fonte natural de desejo

 

Olhos flamejantes

os teus…

– Diamantes ou rubis?

Luz maior que o Sol

vontade de me queimar.

 

Olhos flamejantes,

os teus…

– Diamantes ou rubis?

Faíscas ardentes,

brasas para me arder.

 

Olhos flamejantes,

os teus…

– Diamantes ou rubis?

Raios a riscar o Céu e

a penetrar nos meus…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Duas lágrimas…  

*Robson Sampaio

 

Amparei as duas lágrimas

em cada uma das minhas mãos

e as beijei.

E elas transformaram-se

em águas do mar…

 

Salgadas, sim!

Dolorosas, sim!

Saudosas, sim!

 

Duas lágrimas nas palmas das mãos

 e apenas um coração.

Numa dor que, só na saudade,

se é capaz de sentir em nome do amor…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Minipoemas

 

Lucinha…  

Um simples terraço,

duas cadeiras vazias

e, no meu coração,

o teu nome,

Lúcia Maria…

*À minha mulher, Lúcia. (RS)

 

Adeus…

Um sorriso

Uma lágrima

Adeus.

Uma saudade a mais (RS)

 

 

Paixão…

Quando olho pra você,

não tem jeito: estremeço,

me alucino e acho que

vou explodir de paixão… (RS)

 

 Frases (RS)

 “Se a mulher não fosse a obra-prima de Deus, os homens não existiriam”. “A negra é a avó; a mestiça é a mãe; a mulata é a filha; e a morena é a neta deste País”. “Lucinha não é apenas a minha mulher, há 45 anos. É o anjo que  Deus colocou ao meu lado”. “Só covardes batem em mulher”. “Minhas filhas e netos são provas da benção de Deus a mim e à Lucinha”. “Só diga a uma mulher que a ama, se for verdade”. “Nada de Gabriela, cravo e canela. Mas, Gabi, rosas e bem-me-quer”. “Numa briga de marido e mulher, ela sempre tem razão”. “Mulher e doce de coco são sinônimos” (RS).

 

 

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Teatro da Vida (Causos), Poesias, Frases e Minipoemas

Advérbio vira verboUm colégio, no Centro do Recife, era conhecido, há muito tempo, como “pagou, passou”. E, ainda, tinha o apelido de a “Ponte da Aliança”, uma antiga marchinha carnavalesca com a seguinte letra: “Lá na Ponte da Aliança/Todo mundo passa/As lavadeiras falam assim! Todo mundo passa”. Então, certa vez, o professor fez uma pergunta sobre análise gramatical a um aluno. Queria saber o que significava aqui, gramaticalmente falando (advérbio de lugar). Aí, o espertalhão do estudante chutou que se tratava de verbo. O professor arretado, com o tamanho do absurdo, mandou que ele conjugasse. O garoto pensou, pensou e soltou esta pérola: “Eu aqui/Tu ali! Ele acolá!/ Nós de banda/Vós de lado/Eles de frente”. A classe inteira veio abaixo e o sem-vergonha burro ganhou um tremendo zero.

É melhor rir…

– Não me considere o chefe; considere-me um colega de trabalho que tem sempre razão (Bob Thaves). Quem não tem inteligência para criar, tem de ter coragem para copiar (Rolim Amaro). No Líbano, os livros são lidos de trás para frente. Por isso, a Agatha Christie não vende nada por lá (Eugênio Mohallem). A diferença entre uma relacionação amorosa e a prisão, é que na prisão eles deixam você jogar futebol nos finais de semana. (Bobby Kelton). .

  Rir sempre…                      

“Cuidado com os drinques”: Um casal se conhece num bar. Depois de uns drinques, ela, na idade da loba e muito vaidosa, pergunta: – Quantos anos você me dá? – Por esse olhar, menos de 25 anos. Pela pele, uns 20… E por esse corpo, 18. – Nossa… Você sabe como seduzir uma mulher! O que você vai fazer agora? – A soma.  “Sogra”: A sogra do cara morreu. Um amigo perguntou: – O que fazemos? Enterramos ou cremamos? – As duas coisas. Não podemos facilitar.

 

Poesias

 

Sinfonia dos Vagabundos

*Robson Sampaio

  

        Vagabundos, uni-vos!

Vinde louvar o Recife e

compor a Sinfonia dos poetas,

boêmios e miseráveis.

Vaguemos pelas ruas sujas e

fétidas, onde chagas de dor

e de desespero são expostas na

Sinfonia de todos os dias.

 

       Vagabundos, uni-vos!

Vinde louvar o Recife e

ouvir a ladainha das devotas

beatas a compor a Sinfonia

dos pecadores de corpo e de alma.

 

       Vagabundos, uni-vos!

Vinde louvar o Recife e

cantar o frevo-canção de dor,

de tristeza e de saudade,

num cântico excêntrico da

Sinfonia dos Vagabundos…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Vai homem

 *Robson Sampaio

 

Vai homem,

segue a estrada,

 vive a vida,

a vivência da vida

 

Vai homem,

cruze a encruzilhada,

não olhe para trás,

tece o teu destino.

 

Vai homem,

sua a testa com trabalho,

bebe a água do rio,

ergue o teu futuro.

 

Vai homem,

ama a natureza,

purifica a tua alma,

reverencia a Deus.

 

Vai homem,

esquece o ódio,

ilumina a escuridão,

enaltece o amor.

 

Vai homem,

segue a estrada,

 vive a vida,

a vivência da vida.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Tigresa

 *Robson Sampaio

Os olhos da tigresa

são esmeraldas incrustadas

nas águas verdes do mar.

Luzes que refletem o brilho

dessa mulher, porém, não

decifram os enigmas da sua

alma…

 

Os olhos da tigresa

são lanças flamejantes de desejo

e de paixão,

a rasgar entranhas e a ferir

com a dor bendita encravada

no coração…

 

Os olhos da tigresa são

a força felina de cada gesto,

a expor também a graça e a leveza,

enquanto o seu corpo resplandece

toda a beleza das fêmeas sensuais

e só domadas pelas carícias

do amor…

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Meninos-fantasmas            

 *Robson Sampaio

 

Meninos sem rosto,

de tênues traços sem cor.

Meninos sem nome,

habitantes de pontes

e marquises.

Meninos-fantasmas,

que se esgueiram por becos

e esquinas desumanos.

Meninos sem rumos,

descaminhos da volta,

vândalos do inconsciente

social.

Meninos de vida na sarjeta,

Meninos da noite, opções do escuro.

Meninos de rua,

Crianças, apenas na idade…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Menina-Santa  

 *Robson Sampaio

   

Menina-criança,

roubaram a tua boneca,

o teu sorriso,

a tua alegria.

 

Menina-moça,

roubaram a tua meiguice,

os teus encantos,

o teu corpo.

 

Menina-mulher,

ainda menina e moça,

não hão de roubar

a tua alma, a tua paz,

a tua vida.

Menina-Santa,

como tantas outras…

* À Casa de Passagem (Recife-PE).

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Sertão  

  *Robson Sampaio

 

 Gente sem rumo, pé na estrada

Pão dormido, alma penada

Povo sofrido, assombração!

 

(sem eira nem, beira, de cuia na mão)

 

Rio sem água, caçuá vazio

Gado sem pasto, boi sem cabeça

Povo sofrido, judiação!

 

(sem eira nem beira, de cuia na mão)

 

Gente sem rumo, pé na estrada

Terra em brasas, feito tição

Povo sofrido, Sertão!

 

* A Ascenso Ferreira

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Recifense…

 *Robson Sampaio

 

Nas águas eternas do Rio Capibaribe,

naveguei sonhos e derramei lágrimas

de tristezas e de alegrias.

 

Nas ondas salgadas da Praia de Boa Viagem,

molhei o corpo e purifiquei a alma.

 

Nas pontes históricas do Recife,

forjei o destino e percorri as trilhas

da vida.

E, só assim, me tornei recifense…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 “O jornal é a vitrine do jornalista” (RS). “O leitor é a principal matéria-prima do jornal”(RS). “Dar voz e visibilidade aos  invisíveis é dever do jornalista”(RS). “A dor, seja qual for, é sempre a inspiração do poeta” (RS). “O bar é a tribuna do povo”(RS).

 

 Recife    

Recife dos arrecifes

e dos corais,

das noites mal dormidas

e dos amores à beira do

cais.

 

Recife do mar verde-azul,

do Rio Capibaribe, das

pontes, dos meus amores

e do frevo nas ruas que

não esqueço jamais. (RS)

 

Seca…  

Carcaça de boi,

seca no Sertão.

A chuva se foi,

que judiação.

A dor no peito

e só desolação… (RS)

 

Folião   

Em passos trôpegos,

segue o folião pela

rua, agora, vazia.

E carrega o peso da

bebedeira e do fim

da fantasia. (RS)

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Teatro da Vida (Causos) e Poesias

A frase certa… – O cara acordou com a “mãe de todas as ressacas!” Virou-se e, ao lado da cama, havia um copo de água e duas aspirinas. Olhou em volta e viu a roupa passada e pendurada. O quarto estava em perfeita ordem. Havia um bilhete de Cristiane, a sua esposa: “Querido, deixei o seu café pronto na copa. Fui ao supermercado. Beijos”. Na cozinha, um puto de um café o esperando. Aí, ele perguntou à filha: “O que aconteceu, ontem?” “Bem pai, você chegou, às 3 da madrugada, completamente bêbado, vomitou no tapete da sala, caiu por cima dos móveis, quebrando-os; fez xixi no guarda-roupa e machucou o olho ao bater na porta do quarto”. “E por que está tudo arrumado, café preparado, roupa passada, aspirinas para a ressaca e um bilhete amoroso da sua mãe?”, indagou o pai. “Bem, é que a mamãe o arrastou até a cama e, quando estava tirando a sua calça, você disse: “Não faça isso moça, eu sou casado.” Conclusões: uma ressaca – 235,00 reais; móveis destruídos – 1.200,00; café da manhã – 28,00; e dizer a frase certa, no momento certo e, para a mulher certa, não tem preço, companheiros.

 

POESIAS

 

Ayrton Senna

*Robson Sampaio

Frágil Homem de Aço!

Deus é o tempo, é a hora

Você, Senhor Velocidade!

Na última curva da Vida

Os deuses dormiam.

A morte, não!

A máquina insensível

Virou ferros contorcidos

E os anjos te encantaram…

Frágil Homem de Aço!

Deus é o tempo, é a hora

Você, Senhor Velocidade!

Semi-Deus das pistas

Semi-Deus alado

Ave ferida, ave arrebatada

Ídolo e sonho dos mortais…

Frágil Homem de Aço!

Deus é o tempo, é a hora

Você, Senhor Velocidade!

A curva é o limite.

Deus dá, Deus tira.

E no circuito dos Céus

Na ultrapassagem de nuvens e estrelas

Você, Senhor Velocidade,

Fará todas as “Poles” e estará

No “Podium” da Eternidade… *

Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE). O poema foi pôster da Folha de Pernambuco, no dia 1º de maio de 1994, no dez anos da morte do piloto.
 Eterno Ayrton Senna,…

Em 3 de agosto de 2013, O poema “Ayrton Senna”, de minha autoria e publicado no meu livro “O Recife e Outros Poemas”, foi escolhido para a fanpage facebook.com/oficialayrtonsenna e http//migre.me/fEtrE.

…o nosso campeão

Foi pôster, da Folha de Pernambuco, em 1º. de maio de 2004, nos 10 anos da morte do piloto. E recebeu no dia, das 11h às 18h de ontem, mais de mil acessos em todo o mundo e com versão também em inglês.

 

Meninos de Rua

 Robson Sampaio *

Meninos de rua

gente sem nome

Meninos das pontes

gente sem teto

Meninos dos ventos

gente sem mundo

Meninos do nada

gente sem alma

 

Cavaleiros do medo, cavaleiros da morte,

guardai as armas, guardai o ódio,

bastaria, apenas, um simples brinquedo…

 

Meninos de rua

gente sem nome

Meninos da fome

gente sem paz

Meninos do vício

gente sem lei

Meninos do crime

gente sem perdão

 

Cavaleiros do medo, cavaleiros da morte,

guardai as armas, guardai o ódio,

bastaria, apenas, um simples brinquedo…

 

Meninos de rua

gente sem nome

Meninos da cola

gente sem riso

Meninos da cruz

gente sem fé

Meninos da dor

gente sem choro

 

Cavaleiros do medo, cavaleiros da morte,

guardai as armas, guardai o ódio,

bastaria, apenas, um simples brinquedo…

 

Meninos de rua

gente sem nome

Meninos do passo

gente sem frevo

Meninos do povo

gente sem rosto

Meninos da vida

gente sem gente…

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Pivete

 

 Robson Sampaio *

Moleque de rua

Filho do cão

Frio na pele

Dor da solidão

Criança sem rumo

Pega o ladrão!

 

Moleque de rua

Filho do cão

Grito de raiva

Chute e bofetão

Canivete na mão

Não sei não…

 

Moleque de rua

Filho do cão

Talho na carne

Sangue não chão

Morte na calçada

O “dotô” sem razão.

Dai-me, a vida,

Dai-me, o pão!

Vai pivete pra prisão…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Réstia da Morte

 Robson Sampaio *

As rugas são fendas

abertas na face de dor

daquela mulher.

 

A pele de outrora é um

tecido gasto pelo tempo e

pelo sofrimento a expor ossos.

Os olhos, sujos e esbugalhados,

refletem as cenas patéticas

do palco da vida.

 

O corpo é a imagem

do tudo e do nada.

Tênue réstia da morte…

* A Clávio Valença

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Saudade de você  

Robson Sampaio *

Saudade?

Sim, saudade

do teu corpo.

Só de teu corpo?

Não.

De tua boca

tua pele, teu odor,

teu olhar.

 

Saudade

de tua voz, teus sussurros,

teus abraços, teus gemidos.

 

Saudade

de teu sorriso, tuas mãos,

tuas brigas,

do teu jeito se ser.

 

Saudade,

grande, imensa, descomedida,

a sangrar no meu peito e

a calar a minha voz.

Saudade,

de você…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

O Azul do poeta

 Robson Sampaio *

         Frágil e quase cego,

as mãos trêmulas do velho poeta

teimam em não obedecer o raciocínio.

E os versos não ganham forma.

       Ergue os olhos para a janela

e duas lágrimas escorrem na face,

enquanto a sua escuridão é azul.

Como azul foram as cores

de todos os versos até então.

       A exemplo dos pássaros em gaiolas,

resigna-se com a sua prisão

e aguarda na morte a sua libertação

para ter de volta todo o azul.

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Entardecer

 Robson Sampaio *

         O mistério do entardecer no verão recifense

ilumina o Capibaribe e reflete a alma:

Pernambuco.

           O mistério do entardecer no verão recifense

anuncia o som dos clarins de Momo:

Passo e frevo.

             O mistério do entardecer no verão recifense

sugere águas mornas e areias quentes:

Azul do mar.

             O mistério do entardecer no verão recifense

reacende o calor das mulheres que brincam de sedução:

Vontades ardentes.

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Nossos olhares…

 Robson Sampaio *

Nos olhamos

e ela foi embora

levando o meu olhar…

Pouco antes,

nos cumprimentamos

como se fossemos

estranhos…

Logo depois,

ela foi embora

levando o meu olhar…

E eu fiquei,

até hoje, com os

olhos do seu olhar…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

O Divisor é o Tempo…  

 Robson Sampaio *

O divisor é o tempo…

Torna a vida mais vida

e a morte mais morte.

Contraponto que induz

à busca do nada.

 

O divisor é o tempo…

Encurta a distância do sempre

na ilusão de tudo.

A vida é a morte,

a morte é a vida.

O divisor é o tempo…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

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