Teatro da Vida (Causos), Poesias, Frases e Minipoemas

 Advérbio vira verbo – O Colégio Carneiro Leão era conhecido, há muito tempo, como “pagou, passou”. E, ainda, tinha o apelido de a “Ponte da Aliança”, uma antiga marchinha carnavalesca com a seguinte letra: “Lá na Ponte da Aliança/ Todo mundo passa/ As lavadeiras falam assim! Todo mundo passa”. Então, certa vez, o professor fez uma pergunta sobre análise gramatical a um aluno. Queria saber o que significava aqui, gramaticalmente falando (advérbio de lugar). Aí, o espertalhão do estudante chutou que se tratava de verbo. O professor arretado com o tamanho do absurdo mandou que ele conjugasse. O garoto pensou, pensou e soltou esta pérola: “Eu aqui/Tu ali! Ele acolá! Nós de banda/Vós de lado / Eles de frente”. A classe inteira veio abaixo e o sem-vergonha burro ganhou um tremendo zero.

 

Poesias 

 

Folião Sem Nome  

 

 *Robson Sampaio

 

Folião sem nome,

perdido no meio do racha,

homem mulher e criança,

passos quase sem graça

 

Olhos eufóricos de sonhos,

suor regado à cachaça,

segue folião sem nome

alegre no bloco que passa

 

Ferver, frever, frevar,

ritmo e dança de uma raça,

vai folião sem nome

frevar o frevo na praça…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 O Canto do Galo

 *Robson Sampaio

Que canto é esse,

que sacode a multidão?

Que canto é esse,

que mexe com o coração

e que acorda o Recife?

 

É o canto do Galo,

é o som da Madrugada,

é o canto do Galo,

do Galo da Madrugada.

 

É o canto e é o encanto

de gente nas ruas, ruas de gente,

mar de frevo, frevo da gente,

frevo do Galo.

  • A Éneas Freire, fundador do Galo da Madrugada

Poema Publicado na Agenda Cultural da Prefeitura do Recife –Fevereiro/Carnaval 2012.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Boneco-gente?

 *Robson Sampaio

 

No estrelar da noite olindense,

surge a cantar e a dançar

uma multidão de brincantes

a sorrir com uma alegria contagiante

sob o compasso de um gigante,

às vezes boneco, às vezes gente:

é o Homem da Meia-Noite.

 

Explodem os clarins, o passo,

os amores, as ilusões passageiras,

tão efêmeros, quantos eternos,

no gingado do frevo

de um Carnaval sem fim.

 

É o povo, é o canto, é Olinda,

é o Homem da Meia-Noite:

às vezes boneco, às vezes gente,

neste ritmo efervescente

do frevo pernambucano

Ao presidente do Homem da Meia-Noite, Luiz Adolpho

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Frevar Olinda                  

 *Robson Sampaio

 

Olha moçada,

é madrugada,

sai da calçada,

vem pra rua,

olha que lua,

escuta o frevo,

vamos frevar.

 

Apesar de tudo,

vamos cantar,

não fique mudo,

nada de choro,

é hora de sonho,

de brincadeiras,

até de namoro.

A esperança é linda,

ela não finda,

vamos frevar,

viver a vida,

cantar (frevar) Olinda.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

  

 Morro

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 *Robson Sampaio

 

Morro,

De mulatas belas

Que remexem as cadeiras e

Comprovam que só elas

Com graça e perícia

Dançam um samba de amor,

Cadência e malícia…

 

Morro,

De gente com fome

De moleques que choram

De alegria que some

Ficando, apenas, um sorriso triste

Para quem a felicidade

Não mais existe…

 

Morro,

A tua vida é mundana

Cheia de vícios e misérias

A tua luta é insana

O teu progresso é o pandeiro

O teu hino é o samba

Do sambista brasileiro…

*Recife, 1965 (a 1a. poesia)

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Vou “m’imbora pro” Recife…

 *Robson Sampaio

Vou “m’imbora pro” Recife

do mar, das jangadas, das redes,

dos pescadores, dos peixes, do caçuá,

dos mangues, das ostras, dos siris,

dos caranguejos e da minha gente…

Vou “m’imbora pro” Recife

dos caboclinhos, da ciranda,

do maracatu, do baque-virado,

do Galo da Madrugada,

do Homem da Meia-Noite,

do frevo e dos meus foliões…

Vou “m’imbora pro” Recife

dos arrecifes, das pontes, dos becos,

das travessas, dos bares, dos botecos,

dos boêmios, da lua, das estrelas, do vento,

do sol, dos meus sonhos, da minha sina e

do meu Capibaribe…

Eu vou “m’imbora pro” Recife e

vou “m’imbora pra” mim mesmo!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Frases

  

“O Viagra é o Carnaval fora de época dos velhinhos”. “Já que o povão não tem

memória, tem, pelo menos, frevo, futebol, samba e forró. É mole ou não,

companheiros”?

  

Minipoemas

 

Folião      

Em passos trôpegos,

segue o folião pela

rua, agora, vazia.

E carrega o peso da

bebedeira e do fim

da fantasia. (RS)

 

Aurora     

No fim da tarde,

frevo-canção,

frevo-rasgado e

uma multidão.

Passo frenético,

blocos na rua e

clarins de momo.

Um viva, à Aurora! (RS)

Imagem relacionada

 

Quase um plágio

 Daqui não saio, daqui

ninguém me tira. Onde é

que eu vou morar, sorrir,

chorar, frevar, amar,

viver e morrer? No Recife,

para sempre!

 

Recife    

Recife dos arrecifes

e dos corais,

das noites mal dormidas

e dos amores à beira do

cais.

 

Recife do mar verde-azul,

do Rio Capibaribe, das

pontes, dos meus amores

e do frevo nas ruas que

não esqueço jamais. (RS)

 

 

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Teatro da Vida (Causos), Poesias, Minipoemas e Frases

 

Classe é classe – O taxista presta um serviço inestimável à população, pois, a grande maioria sabe que a sua profissão, no dia a dia de uma cidade, é de utilidade pública. Claro, que existem os bons e os maus profissionais, como em outras profissões e em qualquer lugar do planeta. Mas, aqui no Recife, o primeiro grupo prevalece. Esta aconteceu, na cidade inglesa de Manchester. Um muçulmano, devoto e barbudo, entra num táxi. Uma vez sentado, pede ao taxista para desligar o rádio, porque não quer ouvir música, como decretado na sua religião. E porque, no tempo do profeta, não havia música, especialmente, música ocidental, que é música dos infiéis. O motorista do táxi, educadamente, desliga o rádio, sai do carro dirige-se à porta do lado do cliente e abre. O árabe lhe pergunta: “O que você está fazendo?” Resposta do taxista: “No tempo do profeta não havia táxis. Portanto, saia e espere pelo próximo camelo”.

Moral da história: Classe é classe, companheiros.

  

 Poesias

 

Saudade de você

*Robson Sampaio

 

Saudade?

Sim, saudade

do teu corpo.

Só de teu corpo?

Não.

De tua boca

tua pele, teu odor,

teu olhar.

 

Saudade

de tua voz, teus sussurros,

teus abraços, teus gemidos.

 

Saudade

de teu sorriso, tuas mãos,

tuas brigas,

do teu jeito se ser.

 

Saudade,

grande, imensa, descomedida,

a sangrar no meu peito e

a calar a minha voz.

Saudade,

de você…

*À Lucinha (minha mulher).

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 Desabafo              

*Robson Sampaio

 

Eu queria falar

Faltaram palavras

Eu queria gritar

Faltou voz

Eu queria chorar

Faltaram lágrimas

Eu queria sorrir

Faltou alegria

Eu queria ser bom

Faltou compreensão

Eu queria ser mau

Faltou coragem

Eu queria ter fé

Faltou crença

Eu queria ser feliz

Faltou você

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Ah, essa mulher bonita!

*Robson Sampaio

Ah, essa mulher bonita!

Inventa e reinventa modas.

Primeiro, ajustando o corpo

e, depois, a alma,

só para nos agradar.

Por isso, suave é o dia,

doce é essa mulher…

Sorriso delicado, ar atrevido,

espírito irreverente, misto de

mulher e menina, um quê de moleca

com um quê de sensual…

Enigmas em sintonia

com o verde-azul do mar…

Ah, essa mulher bonita!

Por isso, suave é o dia,

doce é essa mulher…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Tigresa

*Robson Sampaio

Os olhos da tigresa

são esmeraldas incrustadas

nas águas verdes do mar.

Luzes que refletem o brilho

dessa mulher, porém, não

decifram os enigmas da sua

alma…

 

Os olhos da tigresa

são lanças flamejantes de desejo

e de paixão,

a rasgar entranhas e a ferir

com a dor bendita encravada

no coração…

 

Os olhos da tigresa são

a força felina de cada gesto,

a expor também a graça e a leveza,

enquanto o seu corpo resplandece

toda a beleza das fêmeas sensuais

e só domadas pelas carícias

do amor…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Maria…  

*Robson Sampaio

 

O quadro pintado

em preto e branco

não tinha o colorido

da vida terrena e,

sim, o negro da noite

e o clarão do dia.

Mas aquela mulher,

com a criança nos braços,

bem que poderia ser

a Virgem Maria…

* À minha mãe, Dinah.

* Saudades de Dinah, Zé Neto, Robson, Cézar, Gibson e Jackson

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Mulher

*Robson Sampaio

 

Mulher-menina

Mulher-amiga

Mulher-briga (ou intriga)

Mulher-amada (ou desejada)

Mulher-amor,

Ah, o amor!

 

Amor-gostoso

Sem aval (ou endosso)

Amor-verdade

Amor-instinto

Amor-paixão

Amor-amor

Mulher-saudade

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Mãe…  

*Robson Sampaio

 

Palavra-ventre

Palavra-menina

Palavra-moça

Palavra-mulher

Palavra-vida

Palavra-luz

Palavra-Santa

 

Todas mulheres

Todas Marias

Todas Luzias

Todas Santas

Santas Marias

Marias e Luzias

de todos os filhos…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

A bença, mãe…

*Robson Sampaio

 

A mulher é a obra-prima

de Deus.

Mãe, filha, irmã, amiga e

amante.

Todas sublimes.

 

Josefa deu à luz!

Severina pariu!

Maria concebeu Jesus!

 

As sementes germinam:

no ventre a vida,

no coração o amor,

no olhar a ternura e,

na alma, a luz.

 

Todas sublimes,

todas maternas,

todas filhas de Maria.

A bença,mãe!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Menina-Santa    

*Robson Sampaio

 

Menina-criança,

roubaram a tua boneca,

o teu sorriso,

a tua alegria.

 

Menina-moça,

roubaram a tua meiguice,

os teus encantos,

o teu corpo.

 

Menina-mulher,

ainda menina e moça,

não hão de roubar

a tua alma, a tua paz,

a tua vida.

Menina-Santa,

como tantas outras…

* À Casa de Passagem (Recife-PE).

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Cigana encantada…    

*Robson Sampaio

 

Gente sem destino, múltiplos caminhos,

andarilhos, zíngaros, tradição de milênios.

Na leitura da mão, a sorte dos outros

e o próprio destino ao vento. Desatino?

Oh, Carmem, cigana encantada,

amor impossível!

 

A altivez dos machos é reflexo ímpar

 e majestoso de um povo sem rumo.

A alvura das carnes nas fêmeas são

tessituras de desejos inatingíveis

e de mistério no ar.

Oh, Carmem, cigana encantada,

amor impossível!

 

Anéis, pulseiras, brincos, colares,

deslumbramentos nos adornos

e sorrisos enigmáticos.

E nas vestes largas e multicoloridas,

a beleza milenar das indianas

e egípcias.

Fascínio, segredo, sedução, exotismo,

fêmeas de vida errante, incerta.

Todas, filhas de Carmem, cigana encantada,

amor impossível…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 Santa-Mulher?    

*Robson Sampaio

 

Que mulher é essa,

que vira Santa e move

a fé com a sua força?

 

Que mulher é essa,

que vira Santa e

transforma pagãos

em santos profanos?

 

Que mulher é essa,

que vira Santa e faz

da dor uma fonte de

esperança?

 

Estátua de pedra?

Alma de gente?,

Estátua de pau?

Santa-Mulher?

Estátua de barro?

Mulher-Santa?

 

Pedra de fé?

Fé de vida?

Mãe da gente?

Virgem-Santa?

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Águas do Mar

*Robson Sampaio

 

Há um cheiro de mulher no ar,

uma mistura com o cheiro

das águas do mar.

 

Há corpos seminus,

deitados nas areias mornas

do mar.

 

Há mulheres nas ruas: negras,

brancas, loiras, morenas, mulatas,

todas com o gosto dos frutos

do mar.

 

Há olhares, gestos, promessas e

sorrisos entre homens e mulheres,

em cumplicidade com o sol e

embalados nas ondas

do mar.

 

Há ternura, solidão, juras de amor,

paixões desenfreadas, que só o

verão recifense pode dar

nas águas do mar

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Olhos flamejantes…    

*Robson Sampaio

 

Olhos flamejantes,

os teus…

– Diamantes ou rubis?

Brilho incandescente,

 fonte natural de desejo

 

Olhos flamejantes

os teus…

– Diamantes ou rubis?

Luz maior que o Sol

vontade de me queimar.

 

Olhos flamejantes,

os teus…

– Diamantes ou rubis?

Faíscas ardentes,

brasas para me arder.

 

Olhos flamejantes,

os teus…

– Diamantes ou rubis?

Raios a riscar o Céu e

a penetrar nos meus…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Duas lágrimas…  

*Robson Sampaio

 

Amparei as duas lágrimas

em cada uma das minhas mãos

e as beijei.

E elas transformaram-se

em águas do mar…

 

Salgadas, sim!

Dolorosas, sim!

Saudosas, sim!

 

Duas lágrimas nas palmas das mãos

 e apenas um coração.

Numa dor que, só na saudade,

se é capaz de sentir em nome do amor…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Minipoemas

 

Lucinha…  

Um simples terraço,

duas cadeiras vazias

e, no meu coração,

o teu nome,

Lúcia Maria…

*À minha mulher, Lúcia. (RS)

 

Adeus…

Um sorriso

Uma lágrima

Adeus.

Uma saudade a mais (RS)

 

 

Paixão…

Quando olho pra você,

não tem jeito: estremeço,

me alucino e acho que

vou explodir de paixão… (RS)

 

 Frases (RS)

 Se a mulher não fosse a obra-prima de Deus, os homens não existiriam”. “A negra é a avó; a mestiça é a mãe; a mulata é a filha; e a morena é a neta deste País”. “Lucinha não é apenas a minha mulher, há 45 anos. É o anjo que  Deus colocou ao meu lado”. Só covardes batem em mulher”. “Minhas filhas e netos são provas da benção de Deus a mim e à Lucinha”. “Só diga a uma mulher que a ama, se for verdade”. “Nada de Gabriela, cravo e canela. Mas, Gabi, rosas e bem-me-quer”. “Numa briga de marido e mulher, ela sempre tem razão”. “Mulher e doce de coco são sinônimos”.

 

 

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Domingo-2ª.-feira: Teatro da Vida, Frases e Poesias

 

  “Valente? Até certo ponto…”Em um avião, um homem está sentado na janela quando chega outro homem e senta na poltrona do corredor. E acomoda um lindo cachorro labrador preto na poltrona do meio. O cara, que está sentado do lado da janela, olha para o cachorro com certo receio e pergunta: – Por que permitiram ao senhor embarcar com esse cachorro? O dono do cachorro explicou que era agente da Polícia Federal (PF), lotado no setor de combate às drogas e que o cachorro era o melhor farejador da equipe.  Informou ainda que o nome do animal era Valente e, quando o avião decolasse, ele mostraria as habilidades do animal o colocando para trabalhar em pleno voo. Quando o avião decolou, o policial falou: – Veja isso! – E ordenou para Valente: “Busca”! Valente pulou da poltrona, andou pelo corredor e, finalmente, sentou determinado ao lado de uma mulher por alguns instantes. Em seguida,  Valente voltou para o seu assento e colocou uma pata no braço do agente. O policial falou: – Bom menino! Virou para o passageiro e falou: – A mulher está carregando maconha, vou anotar o assento dela e iremos prendê-la quando aterrissarmos.   Ele não é maravilhoso? Mas, ainda não acabou. Busca!

Valente saiu novamente pelo corredor e sentou ao lado de um homem durante alguns segundos. Retornou ao seu assento e colocou duas patas no braço do agente da PF. O policial falou: – Aquele homem está de posse de cocaína, vou anotar o seu assento e, quando aterrissarmos, o prenderemos. O cara da janela estava maravilhado com o cachorro e o agente mais uma vez ordenou que Valente fizesse nova busca. Valente saiu pelo corredor, sentou por alguns instantes e voltou correndo para a sua poltrona. Deu um uivo agudo e começou a defecar todo a poltrona. O cara da janela estava realmente espantado com o comportamento do animal e ficou sem entender a razão de um animal tão bem treinado está se comportando daquela maneira. Perguntou ao agente: – O que está acontecendo com ele? E o policial, sem conseguir disfarçar o nervosismo, respondeu: – Ele acabou de encontrar uma bomba… (Enviado pelo jornalista Hamilton Silva e por Roberto Gustavo Paashaus).

 

 

 

Frases

 A vida e a morte são irmãs siamesas. Mas, prefiro a primeira: sempre”.  “A gente sempre exige dos outros, o que nem sempre fazemos”.  

Jornalista escreve quase tudo. Mas, quem escreve tudo mesmo é o dono do

jornal”.  “Só diga a uma mulher  que a ama, se for verdade”.

 

  

Poesias  

 

Recife Antigo 

 *Robson Sampaio 

 

Nos botequins de ontem,

relembro velhos e novos amores

e carrego, por ruas e becos,

o presente e o passado,

simbiose de eterna saudade.

 

Então, batem as lembranças:

nada mudou no Recife Antigo,

onde poetas, bêbados e vagabundos

vagueiam, à noite, feitos zumbis.

 

Somos os sonâmbulos da boemia,

animais sedentos de amor e de paixão,

que recolhem pedaços da carne

só para salvar a alma e, assim,

alcançar o perdão.

 

Nada mudou no Recife Antigo,

onde as faces sofridas se multiplicam

iguais e com sulcos talhados de dor…

 

Somos os compositores das canções da vida,

os poetas dos poemas passageiros,

os artesãos que juntam trapos e confeccionam,

diuturnamente, o eterno uniforme do Recife Antigo.

 

Formamos o cordão dos desesperados,

de alegrias furtivas, de sonhos perdidos

e de vontades saciadas, quase sempre,

em corpos estranhos.

 

Mas, nada mudou no Recife Antigo,

onde a sinfonia prossegue até o clarear dos arrecifes.

E, nós, em passos trôpegos, buscamos a Estrela Guia,

entoando o canto mágico do faz de conta.

 

Assim, transformamos o nada em tudo

e o imaginário em imaginação,

enquanto a música melosa é ouvida mais forte

nos puteiros do Recife Antigo.

Onde, nada muda…

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

O passado…

 *Robson Sampaio

 

No outro lado da rua

está você.

Vejo-a, porém,

não sei  mais o que

somos.

 

Marido? Amante? Amigo?

 

Somos o passado,

a eterna busca

do querer,

a solidão da rua

deserta…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Lucinha…  

 *Robson Sampaio

 

Um simples terraço,

duas cadeiras vazias

e, no meu coração,

o teu nome,

Lúcia Maria…

*À minha mulher, Lúcia.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Adeus…  

 *Robson Sampaio

 

Um sorriso

Uma lágrima

Adeus.

Uma saudade a mais

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Paixão…  

 *Robson Sampaio

 

Quando olho pra você,

não tem jeito: estremeço,

me alucino e acho que

vou explodir de paixão…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

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Teatro da Vida (Causos), Frases e Poesias

 

As razões de Tomé – Tomé e Luís tinham muito em comum, além de serem bons amigos: aposentados, viúvos e vizinhos. Moravam numa vila de casas de fábrica, logo no início do Ibura de Baixo, e passavam tardes e mais tardes jogando dominó com um grupo de camaradas. Todos elogiavam e admiravam a amizade dos dois, pois não havia nada que os aborrecesse ou os colocasse um contra o outro. Até que um dia, Tomé ganhou um cachorrinho do neto e que já veio com nome e tudo na coleira: Luís. Aí, a coisa ficou preta e o tempo fechou. Mesmo sexagenários, quase que iam aos bofetões, sendo necessária a intervenção dos demais companheiros. Nenhum deles arredou o pé: Tomé não mudou o nome do animal e nem Luís aceitou ser xará de um cão. O caso terminou na delegacia. Quando chegou a vez de Tomé falar, ele perguntou ao comissário: “Algum animal já reclamou contra as pessoas chamadas coelho, carneiro, camelo, galo, leão, pinto e tantos outros?”

 

Saudade de você

*Robson Sampaio

 

Saudade?

Sim, saudade

do teu corpo.

Só de teu corpo?

Não.

De tua boca

tua pele, teu odor,

teu olhar.

 

Saudade

de tua voz, teus sussurros,

teus abraços, teus gemidos.

 

Saudade

de teu sorriso, tuas mãos,

tuas brigas,

do teu jeito se ser.

 

Saudade,

grande, imensa, descomedida,

a sangrar no meu peito e

a calar a minha voz.

Saudade,

de você…

*À Lucinha (minha mulher).

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Desabafo              

*Robson Sampaio

 

Eu queria falar

Faltaram palavras

Eu queria gritar

Faltou voz

Eu queria chorar

Faltaram lágrimas

Eu queria sorrir

Faltou alegria

Eu queria ser bom

Faltou compreensão

Eu queria ser mau

Faltou coragem

Eu queria ter fé

Faltou crença

Eu queria ser feliz

Faltou você

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Ah, essa mulher bonita!

*Robson Sampaio

Ah, essa mulher bonita!

Inventa e reinventa modas.

Primeiro, ajustando o corpo

e, depois, a alma,

só para nos agradar.

Por isso, suave é o dia,

doce é essa mulher…

Sorriso delicado, ar atrevido,

espírito irreverente, misto de

mulher e menina, um quê de moleca

com um quê de sensual…

Enigmas em sintonia

com o verde-azul do mar…

Ah, essa mulher bonita!

Por isso, suave é o dia,

doce é essa mulher…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Tigresa

*Robson Sampaio

Os olhos da tigresa

são esmeraldas incrustadas

nas águas verdes do mar.

Luzes que refletem o brilho

dessa mulher, porém, não

decifram os enigmas da sua

alma…

 

Os olhos da tigresa

são lanças flamejantes de desejo

e de paixão,

a rasgar entranhas e a ferir

com a dor bendita encravada

no coração…

 

Os olhos da tigresa são

a força felina de cada gesto,

a expor também a graça e a leveza,

enquanto o seu corpo resplandece

toda a beleza das fêmeas sensuais

e só domadas pelas carícias

do amor…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Maria…  

*Robson Sampaio

 

O quadro pintado

em preto e branco

não tinha o colorido

da vida terrena e,

sim, o negro da noite

e o clarão do dia.

Mas aquela mulher,

com a criança nos braços,

bem que poderia ser

a Virgem Maria…

* À minha mãe, Dinah.

* Saudades de Dinah, Zé Neto, Robson, Cézar, Gibson e Jackson

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Mulher

*Robson Sampaio

 

Mulher-menina

Mulher-amiga

Mulher-briga (ou intriga)

Mulher-amada (ou desejada)

Mulher-amor,

Ah, o amor!

 

Amor-gostoso

Sem aval (ou endosso)

Amor-verdade

Amor-instinto

Amor-paixão

Amor-amor

Mulher-saudade

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Mãe…    

 

*Robson Sampaio

 

Palavra-ventre

Palavra-menina

Palavra-moça

Palavra-mulher

Palavra-vida

Palavra-luz

Palavra-Santa

 

Todas mulheres

Todas Marias

Todas Luzias

Todas Santas

Santas Marias

Marias e Luzias

de todos os filhos…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

A bença, mãe…

*Robson Sampaio

 

A mulher é a obra-prima

de Deus.

Mãe, filha, irmã, amiga e

amante.

Todas sublimes.

 

Josefa deu à luz!

Severina pariu!

Maria concebeu Jesus!

 

As sementes germinam:

no ventre a vida,

no coração o amor,

no olhar a ternura e,

na alma, a luz.

 

Todas sublimes,

todas maternas,

todas filhas de Maria.

A bença, mãe!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

A bença, mãe…

*Robson Sampaio

 

A mulher é a obra-prima

de Deus.

Mãe, filha, irmã, amiga e

amante.

Todas sublimes.

 

Josefa deu à luz!

Severina pariu!

Maria concebeu Jesus!

 

As sementes germinam:

no ventre a vida,

no coração o amor,

no olhar a ternura e,

na alma, a luz.

 

Todas sublimes,

todas maternas,

todas filhas de Maria.

A bença, mãe!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Menina-Santa    

*Robson Sampaio

 

Menina-criança,

roubaram a tua boneca,

o teu sorriso,

a tua alegria.

 

Menina-moça,

roubaram a tua meiguice,

os teus encantos,

o teu corpo.

 

Menina-mulher,

ainda menina e moça,

não hão de roubar

a tua alma, a tua paz,

a tua vida.

Menina-Santa,

como tantas outras…

* À Casa de Passagem (Recife-PE).

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Cigana encantada…      

*Robson Sampaio

 

Gente sem destino, múltiplos caminhos,

andarilhos, zíngaros, tradição de milênios.

Na leitura da mão, a sorte dos outros

e o próprio destino ao vento. Desatino?

Oh, Carmem, cigana encantada,

amor impossível!

 

A altivez dos machos é reflexo ímpar

e majestoso de um povo sem rumo.

A alvura das carnes nas fêmeas são

tessituras de desejos inatingíveis

e de mistério no ar.

Oh, Carmem, cigana encantada,

amor impossível!

 

Anéis, pulseiras, brincos, colares,

deslumbramentos nos adornos

e sorrisos enigmáticos.

E nas vestes largas e multicoloridas,

a beleza milenar das indianas

e egípcias.

Fascínio, segredo, sedução, exotismo,

fêmeas de vida errante, incerta.

Todas, filhas de Carmem, cigana encantada,

amor impossível…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

  

Santa-Mulher?    

*Robson Sampaio

 

Que mulher é essa,

que vira Santa e move

a fé com a sua força?

 

Que mulher é essa,

que vira Santa e

transforma pagãos

em santos profanos?

 

Que mulher é essa,

que vira Santa e faz

da dor uma fonte de

esperança?

 

Estátua de pedra?

Alma de gente?,

Estátua de pau?

Santa-Mulher?

Estátua de barro?

Mulher-Santa?

 

Pedra de fé?

Fé de vida?

Mãe da gente?

Virgem-Santa?

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Águas do Mar

*Robson Sampaio

 

Há um cheiro de mulher no ar,

uma mistura com o cheiro

das águas do mar.

 

Há corpos seminus,

deitados nas areias mornas

do mar.

 

Há mulheres nas ruas: negras,

brancas, loiras, morenas, mulatas,

todas com o gosto dos frutos

do mar.

 

Há olhares, gestos, promessas e

sorrisos entre homens e mulheres,

em cumplicidade com o sol e

embalados nas ondas

do mar.

 

Há ternura, solidão, juras de amor,

paixões desenfreadas, que só o

verão recifense pode dar

nas águas do mar

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Olhos flamejantes…    

*Robson Sampaio

 

Olhos flamejantes,

os teus…

– Diamantes ou rubis?

Brilho incandescente,

fonte natural de desejo

 

Olhos flamejantes

os teus…

– Diamantes ou rubis?

Luz maior que o Sol

vontade de me queimar.

 

Olhos flamejantes,

os teus…

– Diamantes ou rubis?

Faíscas ardentes,

brasas para me arder.

 

Olhos flamejantes,

os teus…

– Diamantes ou rubis?

Raios a riscar o Céu e

a penetrar nos meus…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Duas lágrimas…  

*Robson Sampaio

 

Amparei as duas lágrimas

em cada uma das minhas mãos

e as beijei.

E elas transformaram-se

em águas do mar…

 

Salgadas, sim!

Dolorosas, sim!

Saudosas, sim!

 

Duas lágrimas nas palmas das mãos

e apenas um coração.

Numa dor que, só na saudade,

se é capaz de sentir em nome do amor…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Minipoemas

 

Lucinha…  

Um simples terraço,

duas cadeiras vazias

e, no meu coração,

o teu nome,

Lúcia Maria…

*À minha mulher, Lúcia. (RS)

 

Adeus…  

Um sorriso

Uma lágrima

Adeus.

Uma saudade a mais (RS)

  

Paixão…

Quando olho pra você,

não tem jeito: estremeço,

me alucino e acho que

vou explodir de paixão… (RS)

  

Frases (RS)

“Se a mulher não fosse a obra-prima de Deus, os homens não existiriam”. “A negra é a avó; a mestiça é a mãe; a mulata é a filha; e a morena é a neta deste País”. “Lucinha não é apenas a minha mulher, há 45 anos. É o anjo que Deus colocou ao meu lado”.“Só covardes batem em mulher”. “Minhas filhas e netos são provas da benção de Deus a mim e à Lucinha”. “Só diga a uma mulher que a ama, se for verdade”. “Nada de Gabriela, cravo e canela. Mas, Gabi, rosas e bem-me-quer”. “Numa briga de marido e mulher, ela sempre tem razão”. “Mulher e doce de coco são sinônimos

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Teatro da Vida (Causos) e Poesias

O Jogo do Bicho – Segundo a Wikipédia, a origem do jogo do bicho remonta ao ano de 1892, fim do Império e início da república brasileira. Jornais da época contam que, para melhorar as finanças do jardim zoológico que mantinha em Vila Isabel, no Rio de Janeiro, o barão João Batista Viana Drummond, senhor de terras e escravos, criou uma loteria em que o apostador escolhia um entre os 25 bichos do zoológico. Logo, o jogo do bicho fugiria do zoológico e nas ruas do Rio de Janeiro se transformaria em um sucesso invencível, apesar de ser considerado pelas autoridades como uma contravenção.

Ainda segundo a Wikipédia, corre uma história de que durante a ditadura militar, o presidente Castelo Branco, numa reunião na Sudene, teria cobrado de João Agripino, então governador da Paraíba, a extinção do jogo do bicho naquele Estado. Segundo consta, Agripino teria respondido que assim o faria desde que o marechal arranjasse empregos para os milhares de paraibanos que ganhavam a vida como cambistas. Ou seja, o jogo do bicho nunca acabou na Paraíba…

Em 1941, com a criação da lei de proibição dos jogos de azar no Brasil, o jogo do bicho foi definitivamente proibido. Até hoje é considerado uma contravenção, na forma do artigo 58 da Lei de Contravenções Penais. As pessoas que o exploram são passíveis de prisão e os apostadores são passíveis de multa. Uma verdadeira zebra!

 

Poesias

 

Santa-Mulher?

  

Robson Sampaio *

  

Que mulher é essa,

que vira Santa e move

a fé com a sua força?

 

Que mulher é essa,

que vira Santa e

transforma pagãos

em santos profanos?

 

Que mulher é essa,

que vira Santa e faz

da dor uma fonte de

esperança?

 

Estátua de pedra?

Alma de gente?,

Estátua de pau?

Santa-Mulher?

Estátua de barro?

Mulher-Santa?

 

Pedra de fé?

Fé de vida?

Mãe da gente?

Virgem-Santa?

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

O Canto do Galo  

      

Robson Sampaio *

 

Que canto é esse,

que sacode a multidão?

Que canto é esse,

que mexe com o coração

e que acorda o Recife?

 

É o canto do Galo,

é o som da Madrugada,

é o canto do Galo,

do Galo da Madrugada.

 

É o canto e o encanto

de gente nas ruas, ruas de gente,

mar de frevo, frevo da gente,

frevo do Galo.

* Enéas Freire

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Cigana encantada…

 

Robson Sampaio *

 

Gente sem destino, múltiplos caminhos,

andarilhos, zíngaros, tradição de milênios.

Na leitura da mão, a sorte dos outros

e o próprio destino ao vento. Desatino?

Oh, Carmem, cigana encantada,

amor impossível!

 

A altivez dos machos é reflexo ímpar

 e majestoso de um povo sem rumo.

A alvura das carnes nas fêmeas são

tessituras de desejos inatingíveis

e de mistério no ar.

Oh, Carmem, cigana encantada,

amor impossível!

 

Anéis, pulseiras, brincos, colares,

deslumbramentos nos adornos

e sorrisos enigmáticos.

E nas vestes largas e multicoloridas,

a beleza milenar das indianas

e egípcias.

Fascínio, segredo, sedução, exotismo,

fêmeas de vida errante, incerta.

Todas, filhas de Carmem, cigana encantada,

amor impossível…

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 (In)consciência!

 

Robson Sampaio *

 

Anjo, ele é.

Só que é um anjo diferente desses

que enfeitam igrejas, santuários, capelas

ou que aparecem corados, gorduchos e

risonhos em pinturas celestiais.

 

Anjo, ele é.

É um anjo do sofrimento, do abandono,

da fome, da miséria e do esquecimento.

Mas é um anjo, mesmo sem nada, sem-teto,

sem arcanjo e sem guarda.

 

Anjo, ele é.

De traços angélicos, de olhar infantil,

que chora de fome, que treme de frio; que

dorme nas calçadas ou nas mesas solitárias

dos bares vazios das noites-madrugadas.

 

É um anjo, sim.

De vestes esfarrapadas, de corpo sujo,

de andar sem rumo, de extrema penúria,

de querer ser santo na espera da morte.  

É o anjo da nossa (in)consciência!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Morena bonita…

 

Robson Sampaio *

     

A morena bonita

de cabelos negros,

presos com um laço de fita,

ficava debruçada na janela

a escutar um tango cigano.

 

Com os olhos marejados

de lágrimas e o olhar levado

pelo vento, às vezes, chorava

a dor da saudade do amor…

 

Anos e anos depois,

a janela ficava fechada

e não se via mais a morena

bonita de cabelos negros,

presos com um laço de fita;

e também não mais se ouvia

o tango cigano.

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

rsampaioblog@gmail.com

 

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