Teatro da Vida Causos) e Crônicas Poéticas

*A morte do Márcio – Márcio era um antigo funcionário de uma cervejaria no interior de São Paulo. Ele era feliz no trabalho, embora seu sonho fosse ser degustador de cerveja, bebida que tanto adorava. Certa vez, trabalhando no turno da noite, ele caiu dentro de um tonel de cerveja. Pela manhã, o vigia deu a triste notícia: – É com profundo sofrimento que informo que Márcio se desequilibrou, caiu no tonel de cerveja e infelizmente morreu afogado. Um grande amigo de Marcio com a voz muito triste, pergunta: – Meu Deus!!! Será que ele sofreu? O vigia então responde: – Acredito que não, porque, segundo as imagens da câmera de segurança, ele chegou a sair três vezes do tonel para mijar…

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*Envie para os seus amigos bebedores,  mandaram para mim por engano.😂😂😂😂😂😂😂😂😂

Crônicas poéticas/ Robson Sampaio

 “Uma ruela estreita, espremida…”

A ruela é estreita, fedida e com poucas casas

espremidas, amarelas e rosadas.

Contudo, se a noite for boa, as casas estremecem com o

dobrar do burburinho da madrugada,

das conversas banais e das promessas mentirosas.

Rosa, morena jovem e faceira, nos seus 20 anos, não viu

as mulheres chegar e outras tantas partir…

O flerte já não mais existe naquela ruela estreita, fedida e com

poucas casas espremidas, amarelas e rosadas.

Para Rosa, dinheiro na mão, calcinha no chão… Ela não conhece

ainda e nem sabe que há um drama em cada pedaço de carne

exposta naquele bazar humano, mas, apenas, a certeza do prazer

descompromissado. Tal qual um produto cotidiano na prateleira da vida,

onde o sexo é primeira necessidade…

Eugênia, 65 anos, a mais velha moradora daquela ruela

estreita, fedida e com poucas casas espremidas, amarelas

e rosadas, suspira com saudades…

Recorda os antigos bordéis, onde os malandros faziam a

abordagem com uma Corte de ginga, gírias e palavras doces.

Sem tristezas e com um ar sonhador, olha o quadro

empoeirado no alto da parede azul do quarto.

Acaricia-se com os olhos e relembra a moça cheirosa, vaidosa

e cobiçada dos velhos tempos.

Era um tempo tão bom que não imaginava que ia acabar. O

recato despia-se na penumbra… Eugênia carrega o presente sem

queixas e contempla o futuro sem névoas.

E divaga com as visões de um passado que, como a própria expressão

sugere, é nostálgico…

Porém, se a noite for boa, certamente, naquela ruela estreita,

fedida e com poucas casas espremidas, amarelas e rosadas,

o domingo amanhecerá mais tarde.

E nessa hora furtiva da manhã tardia, haverá mulheres a chegar

e tantas outras a partir…

Tanto Rosa quanto Eugênia, dirão: “Enquanto houver homem e

mulher, haverá sexo”.

E, seguramente, uma passagem sem volta naquela ruela estreita,

fedida e com poucas casas espremidas, amarelas e rosadas…

 * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Escravos da Notícia

Redação vazia, máquinas paradas, telefones mudos. Apenas, o ruído

incessante do telex. O silêncio da Redação gera angústia e, assim, me sinto

neste momento. Acendo outro cigarro. Quantos, já fumei? Não sei, pouco

importa… A solidão aumenta, a partir do instante que passo a esperar o sinal

do pessoal da Off-Set: “Ok, tudo pronto, o jornal vai ser rodado.”

Só que a ordem ainda demora. Aí, penso no pessoal lá de casa, nos

compromissos do dia seguinte e, também, no chope gelado, que entorpece a alma

aliviando o cansaço. Verifico que necessito “tomar uma”. As horas passam,

monótonas, intermináveis, quase repetitivas neste, agora, “deserto da notícia…”

As que sobraram, nada valem, jazem no chão, em cima das mesas ou ao lado das

máquinas, abandonadas. O telefone toca e interrompe os meus pensamentos.

A voz chega rápida e seca: “Tudo pronto, vamos rodar!”

Acabou mais uma noite de trabalho. É quando vem a dúvida: ir para

casa ou tomar um chope com os companheiros de “batente”. Discutir política,

futebol, criticar o Governo, reclamar do custo de vida, chorar o salário e,

invariavelmente, falar de jornal. É madrugada. Penso nas horas seguintes, de

levantar cedo, mas a garganta está seca e a barriga vazia. Vou, lentamente, para

o “Bar Savoy”. Vejo os companheiros, outros boêmios, e bêbados contumazes.

Falam, cantam, gesticulam, gargalham e bebericam.

Agora, já são quatro da matina. Chego em casa. A mulher abre a porta,

faz cara feia e diz: “Bonita hora, não é?” Aceno com a mão, tentando justificar:

“Tenha calma, paciência. A vida de jornalista é fogo, não tem horário certo.”

Ela não retruca e volta para a cama. Sigo atrás, meio sonolento e sem pressa.

Adormeço com o pesadelo da rotina de hoje.

 * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

O Sinal Divino

O velho-repórter toma mais uma dose do bendito uísque de todas as noites no templo maior dos boêmios da Imprensa: O Bar e Restaurante Dom Pedro. Num relance, velhas imagens ganham contornos como se fossem atuais. Ele revê o recém-nascido deitado na incubadora. Prematuro, 24 horas depois não resiste. Ao lado da mulher, Lúcia, passa momentos amargos. Em casa, abalado, não contém o desespero da dor e as lágrimas brotam. A sogra, dona Maria, o pega pelo braço e mostra Viviane, a sua filha, de um ano. Ela corre em sua direção, com os braços abertos, a chamá-lo de “papai”. Era o Sinal Divino do ter que recomeçar.

Depois, vieram mais duas filhas, dádivas da bondade de Deus: Danielle e Carolinne. Hoje, aos 52 anos, dos quais 32 de “batente”, revive o turbilhão de fatos marcantes. E, antes do ultimo gole, chora. A menina, que correu de braços abertos e sorriso no rosto, vai lhe dar um neto e com o seu nome. Mais lágrimas escorrem de novo pela face do velho-repórter, hoje já com as marcas dos tempos. E, Deus, 24 anos depois, mais uma vez, escreveu certo por linhas tortas. Amém, companheiros!

Robson Sampaio (Folha de Pernambuco – 18.05.99)

PS: Robson Sampaio Neto já tem 20 anos, o irmão Bruno, 19, e a irmã, Mariana, 10, filhos de Viviane; os primos Diego, 19, e Pedro, 12, filhos de Danielle; os primos Mauricinho, 9, e Thiago, 4, filhos de Carolinne.

 * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

rsampaioblog@gmail.com

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Teatro da Vida (Causos) e Poesias

 

“Orientações de um advogado para sexo seguro” – Você se lembra do tempo em que sexo seguro era usar camisinha para evitar doenças sexualmente transmissíveis e gravidez? Esqueça, os bons tempos acabaram. Confira as dicas que um homem deve observar no mundo feminista moderno! A coisa tá ficando assim: Sabe aquela gatinha que você conheceu na balada, deu o maior mole, e você convidou para um motel e ela topou? Primeiro, a leve a um hospital e peça um teste de dosagem de álcool e outras drogas, para evitar a acusação de posse sexual mediante fraude (Art. 215 CP). Depois, passe com ela num cartório e exija que ela registre uma declaração de que está praticando sexo consensual, para evitar acusação de estupro (Art. 213 CP). Exija ainda uma declaração de que ela está praticando sexo casual, para evitar pedido de pensão por rompimento de relação estável (Lei 9.278, Art. 7). Depois, vá a um laboratório e exija o exame de Beta-HCG (gonadotrofina coriônica humana), para ter certeza que você não é o pato escolhido para sustentá-la na gravidez de um bebê que não é seu (Lei 11.804 Art. 6).

É melhor rir…

No motel ou em casa, use camisinha e nada de “sexo forte” pra evitar acusações de violência doméstica e pegar a Lei Maria da Penha nas costas. Além disso, você deve paparicá-las, elogiá-las, jamais criticá-las ou reclamar coisa alguma, devem ser perfeitos capachos, para não causar qualquer “sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral”, sem que tenha obviamente os mesmos direitos em contrapartida.(Lei 11.340 Art. 5). Na saída do motel leve-a ao Instituto Médico Legal e exija um exame de corpo de delito, com expedição de laudo negativo para lesões corporais (Art. 129 CP).

…Rir sempre      

E laudo negativo para presença de esperma na vagina, para tentar evitar desembolsar nove meses de bolsa-barriga, caso ela saia dali e engravide de outro (Lei 11.804 Art. 6). Finalmente, se houver presença de esperma na vagina da moça, exija imediatamente uma coleta de amostra para futura investigação de paternidade (Lei 1.060 Art. 3 inciso VI) e solicitação de restituição de eventuais pensões alimentícias obtidas mediante ardil ou fraude (Art. 171 CP). Fazendo tudo isso, agora você pode fazer “sexo seguro”. Se ainda estiver interessado!

 

 

 

 

 

 

 

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POESIAS

 

Sou arrecifes…      

 *Robson Sampaio

Sou arrecifes,

de pedra esculpida nos

rebentes das ondas do mar

e na força dos ventos.

 

Sou arrecifes,

de arrebentação

de Sol no rosto

de águas azuis

de gosto de sal

de gente do frevo.

 

Sou arrecifes,

de pedra esculpida

de pontes rochosas

na sinuosidade

do Rio Capibaribe.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 Recifense…

 *Robson Sampaio

Nas águas eternas do Rio Capibaribe,

naveguei sonhos e derramei lágrimas

de tristezas e de alegrias.

 

Nas ondas salgadas da Praia de Boa Viagem,

molhei o corpo e purifiquei a alma.

 

Nas pontes históricas do Recife,

forjei o destino e percorri as trilhas

da vida.

 

E, só assim, me tornei recifense…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Saudade danada…  

 *Robson Sampaio

 

Recife,

cadê teus arraiais,

canaviais, mucamas

e sinhazinhas?

– Casa-Grande

 

Recife,

cadê teu forró,

ciranda, maracatu

e frevo?

– Carnaval

 

Recife,

cadê teu mar,

pontes, praças

e rios?

– Beberibe e Capibaribe

 

Recife,

cadê teus boêmios,

bares, batida gelada

e mulheres?

– Poesia

 

Recife,

não mais te encontro

e sinto uma saudade

danada…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

(In)consciência!  

 

 *Robson Sampaio

Anjo, ele é.

Só que é um anjo diferente desses

que enfeitam igrejas, santuários, capelas

ou que aparecem corados, gorduchos e

risonhos em pinturas celestiais.

 

Anjo, ele é.

É um anjo do sofrimento, do abandono,

da fome, da miséria e do esquecimento.

Mas é um anjo, mesmo sem nada, sem-teto,

sem arcanjo e sem guarda.

 

Anjo, ele é.

De traços angélicos, de olhar infantil,

que chora de fome, que treme de frio; que

dorme nas calçadas ou nas mesas solitárias

dos bares vazios das noites-madrugadas.

 

É um anjo, sim.

De vestes esfarrapadas, de corpo sujo,

de andar sem rumo, de extrema penúria,

de querer ser santo na espera da morte.  

É o anjo da nossa (in)consciência!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

  

Duas lágrimas…  

 *Robson Sampaio

Amparei as duas lágrimas

em cada uma das minhas mãos

e as beijei.

E elas transformaram-se

em águas do mar…

 

Salgadas, sim!

Dolorosas, sim!

Saudosas, sim!

 

Duas lágrimas nas palmas das mãos

 e apenas um coração.

Numa dor que, só na saudade,

se é capaz de sentir em nome do amor…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Gotejos…

 *Robson Sampaio

Um tiquinho d’ água fluindo,

naquela vastidão de chão,

traz para a minha alma a

saudade de uma terra, que

nem o tempo me fez esquecer.

 

Lá adiante, corre um fiozinho d’ água

a inundar os meus olhos e as lágrimas

descem pela minha face molhada,

com a água daquele riachinho

transbordando de lembranças.

 

E daquele riachinho, a ermo,

na imensidão da terra seca,

pingam gotas de emoções a

deslizar tempo afora.

São os gotejos da minha vida.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Minipoemas

Alma

Um dia, em Paris, a

artista disse: “Quando

conhecer a tua alma,

eu pinto os teus olhos”.

E pintou nas duas

formas: aberto e

fechado.

II

Séculos depois, o poeta

disse: “Sem o dom dos

pincéis, eu não posso te

pintar. Mas, te amar de

corpo e alma”. (RS)

 

Recordações    

Na calçada, a mulher

rendeira e, na janela,

a moça brejeira.

Nos paralelepípedos,

a correria de meninos

e, na praça ao lado, o

canto de pássaros. E,

assim, o tempo voa e

mistura o ontem, o

hoje e o amanhã… (RS)

 

 Sertão        

Chão de pedras e

aperto no coração,

rios de águas,

mas, só nas lágrimas.

Valha-me, Nosso

Senhor!

Os salmos dos anjos

não chegam no meu

Sertão!  (RS)

Palafitas    

Eu moro no mar, “sêo”

“Dotô”, em riba de uns

cambitos de pau sem

vara de pescar.

E as ondas do mar não

embalam, como nas

canções de ninar.   (RS)

Desejo  

Na mão, a flor

No olhar, a paixão

No coração, o amor

Na cama, o desejo

jamais saciado… (RS)

Frases

A vida e a morte são irmãs siamesas. Mas, prefiro a primeira: sempre”.  “A gente sempre exige dos outros, o que nem sempre fazemos”.  Jornalista escreve quase tudo. Mas, quem escreve tudo mesmo é o dono do jornal”.  “Só diga a uma mulher  que a ama, se for verdade”.   “Jornalista, poeta, escritor, ator, compositor, cantor e  artista plástico. Ah, gente complicada”!  “A desigualdade neste País, só acaba  muda daqui a uns 500 anos”. “Nos anos de eleições, os políticos estão cheios de grande ideias. E o povo, Ó”! (RS)

 

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Teatro da Vida (Causos) e Poesias

 

A frase certa… O cara acordou com a “mãe de todas as ressacas!” Virou-se e, ao lado da cama, havia um copo de água e duas aspirinas. Olhou em volta e viu a roupa passada e pendurada. O quarto estava em perfeita ordem. Havia um bilhete de Cristiane, a sua esposa: “Querido, deixei o seu café pronto na copa. Fui ao supermercado. Beijos”. Na cozinha, um puto de um café o esperando. Aí, ele perguntou à filha: “O que aconteceu, ontem?” “Bem pai, você chegou, às 3 da madrugada, completamente bêbado, vomitou no tapete da sala, caiu por cima dos móveis, quebrando-os; fez xixi no guarda-roupa e machucou o olho ao bater na porta do quarto”. “E por que está tudo arrumado, café preparado, roupa passada, aspirinas para a ressaca e um bilhete amoroso da sua mãe?”, indagou o pai. “Bem, é que a mamãe o arrastou até a cama e, quando estava tirando a sua calça, você disse: “Não faça isso moça, eu sou casado.” Conclusões: uma ressaca – 235,00 reais, móveis destruídos – 1.200,00, café da manhã – 28,00 e dizer a frase certa, no momento certo e, para a mulher certa, não tem preço, companheiros.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

POESIAS

 

Saudade danada…  

 

 Robson Sampaio*

 

Recife,

cadê teus arraiais,

canaviais, mucamas

e sinhazinhas?

– Casa-Grande

 

Recife,

cadê teu forró,

ciranda, maracatu

e frevo?

– Carnaval

 

Recife,

cadê teu mar,

pontes, praças

e rios?

– Beberibe e Capibaribe

 

Recife,

cadê teus boêmios,

bares, batida gelada

e mulheres?

– Poesia

 

Recife,

não mais te encontro

e sinto uma saudade

danada…

 

*Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

 Sou arrecifes…

    

Robson Sampaio*

 

Sou arrecifes,

de pedra esculpida nos

rebentes das ondas do mar

e na força dos ventos.

 

Sou arrecifes,

de arrebentação

de Sol no rosto

de águas azuis

de gosto de sal

de gente do frevo.

 

Sou arrecifes,

de pedra esculpida

de pontes rochosas

na sinuosidade

do Rio Capibaribe.

 

*Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Vai homem…  

 

Robson Sampaio *

Vai homem,

segue a estrada,

 vive a vida,

a vivência da vida

 

Vai homem,

cruze a encruzilhada,

não olhe para trás,

tece o teu destino.

 

Vai homem,

sua a testa com trabalho,

bebe a água do rio,

ergue o teu futuro.

 

Vai homem,

ama a natureza,

purifica a tua alma,

reverencia a Deus.

 

Vai homem,

esquece o ódio,

ilumina a escuridão,

enaltece o amor.

 

Vai homem,

segue a estrada,

 vive a vida,

a vivência da vida.

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Poetas do Recife  

Robson Sampaio *

 

Perfume de poemas no ar,

casario repleto de fantasmas

que saem, quase sempre, em busca

da boemia do Recife Antigo.

São os poetas da vida, das ruas,

do bairro, do mar, dos arrecifes.

Andarilhos em busca

do bálsamo para a desilusão,

dos braços quentes e fogosos das

mucamas dos dias de hoje,

não mais amas das sinhazinhas fidalgas,

mas serviçais dos desejos da carne.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Maragogi

 

 Robson Sampaio *

 

   A vila era tão pequena,

mas tão pequenina,

que cabia na menina dos meus olhos.

O ruído do silêncio era tão quieto,

mas tão quieto,

e somente ouvido no suave

roçar do mar na areia

ou no sibilar das folhas

arrastadas pelo vento.

As águas, mares ao redor de ilhotas,

eram tão verdes ou, às vezes, tão azuis,

a parecer arco-íris fincado

no céu para sempre.

O povo, a natureza, as palhoças,

a vila toda, a contemplar,

lá no alto do Cruzeiro, a cruz dos mártires,

o símbolo da liberdade e da fé,

iluminada, apenas, pelo brilho

do sol e das estrelas.

Tudo era tão miúdo,

mas tão miúdo,

que o amor cabia na alma,

a alma no coração, o coração na vila,

a vila na menina dos olhos,

os olhos na saudade.

Saudade, que ainda se chama

Maragogi…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

 

A meu pai, Zeca  

 

Robson Sampaio *

O manto da morte sobressaiu-se

na escuridão da noite.

Ao amanhecer,

a tua alma confundiu-se com

esparsas nuvens.

O lacrimejar dos olhos não

me transformou em correntezas,

mas o meu coração inundou-se

com um mar de saudades,

pai…

Saudades de Dinah, Zé Neto, Robson,

César, Gibson e Jackson.

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Cruz do Patrão

Robson Sampaio *

Ecoam gritos eternos na

vastidão das noites e do mar.

Gritos de dor lancinante,

tão fortes que varam os

arrecifes, as almas emitem

sons quase selvagens.

São lamentos de negros

sem o sonho da liberdade,

feridos de saudades e de morte.

Submissos à espera do senhorio

estão os filhos da vida sem-vida,

confinados na Cruz do Patrão,

onde o tempo não sepulta a lenda

e a injustiça ainda açoita os insepultos,

escravos-fantasmas…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

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Teatro da Vida (Causos) e Poesias

Não adianta, idade é experiencia! – A Receita Federal convoca o velhinho que caiu na malha fina, para dar explicações sobre a origem de sua receita. O fiscal da Receita nem ficou surpreso quando o velhinho apareceu com seu advogado. O auditor disse, ‘Bem, senhor, você tem um estilo de vida extravagante e sem emprego o tempo todo, como você pode explicar, dizendo que ganha dinheiro no jogo. A Receita Federal não considera crível essa explicação. ” Eu sou um Grande jogador, e eu posso provar isso “, diz o  velhinho. “Que tal uma demonstração? O auditor pensa por um momento e disse: ‘Ok … Vá em frente. ” Avô diz: “Eu aposto com você mil reais que eu posso morder meus próprios olhos.” O auditor pensa um instante e diz: ‘Tá apostado.” O velhinho tira o olho de vidro e morde. O queixo do auditor cai. O velhinho diz: ‘Agora, eu aposto dois mil reais que eu posso morder o meu outro olho.  Agora, o auditor, sabendo que o velhinho não é cego, topa a aposta. O velhinho tira a dentadura e morde seu olho bom.  O auditor atordoado e nervoso, pois percebe que apostou e perdeu duas vezes, tendo o procurador do velhinho como testemunha. “Quer ir para o dobro ou nada? O velhinho fala: ‘Aposto seis mil reais que posso ficar em um lado da sua mesa, e fazer xixi na lixeira do outro lado e que não cairá nenhum pingo sobre a sua mesa… O auditor, duas vezes queimado, é cauteloso agora, mas olha com atenção e decide que não há nenhuma possibilidade de ele fazer aquilo sem respingar sobre a mesa, então ele topa apostar de novo. *O velhinho fica ao lado da mesa e abre sua calça, mas apesar de forçar poderosamente, não consegue fazer o fluxo do mijo alcançar a lixeira do outro lado, então ele praticamente urina em toda mesa do auditor … O auditor da saltos de alegria, percebendo que ele acabou de ganhar a aposta. Mas percebe que o advogado do velhinho estava aos gemidos e com a cabeça entre as mãos. ‘Você está bem?’ o auditor pergunta ao advogado. “Claro que não!” diz o advogado. Esta manhã, quando meu avô me disse que tinha sido convocado pela Receita Federal, ele apostou comigo vinte e cinco mil reais que viria aqui e faria xixi na mesa do fiscal e que ele ficaria feliz com isso! (Na Internet)

 

 

 

 

 

 

 

POESIAS

 

Saudade de você

*Robson Sampaio

Saudade?

Sim, saudade

do teu corpo.

Só de teu corpo?

Não.

De tua boca

tua pele, teu odor,

teu olhar.

Saudade

de tua voz, teus sussurros,

teus abraços, teus gemidos.

Saudade

de teu sorriso, tuas mãos,

tuas brigas,

do teu jeito se ser.

 

Saudade,

grande, imensa, descomedida,

a sangrar no meu peito e

a calar a minha voz.

Saudade,

de você…

*À Lucinha (minha mulher).

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

A vida é a escola do poeta…  

 

  • Robson Sampaio *

A arte de escrever

é a arte de ler,

dizem os eruditos.

A arte de viver

é a arte de aprender,

dizem os leigos.

 

Por isso, leio pouco,

por isso, escrevo pouco.

Porém, vivo muito e,

talvez, aprenda muito.

Talvez, seja um poeta,

Talvez, só um prosador.

 

Mas, os versos brotam da vida

e a vida é uma escola.

Daí, leio pouco,

daí, escrevo pouco.

Por isso, repito:

Porém, vivo muito e,

talvez, aprenda muito.

– A vida é a escola do poeta…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Favela, cadela…    

*Robson Sampaio
 No ventre

filhotes famintos,

cães da desesperança.

No uivo sinistro, latidos só

de lamentos…

Favela, cadela…

 

No meio do lixo,

parida de vira-latas,

cruzada com cão raivoso,

mãe de triste matilha….

Favela, cadela…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

“Poetisa Ardente”  

*Robson Sampaio
O tom alaranjado do fogo nas vestes

adquire rapidamente a cor vermelha

ao queimar a carne.

 

As chamas transformam o corpo

da “Poetisa Ardente” em tocha humana,

sem, contudo, lhe atingir a alma.

 

A frustração da “Poetisa Ardente”,

ao se imolar na fogueira de livros,

é raio incandescente a traçar no Céu

o desespero cotidiano de todos nós.

 

E, certamente, Deus te dirá:

-Bom-dia, “Poetisa Ardente”, sorrias

para a Eternidade…”

 * Homenagem a uma servidora pública que, desesperada com a sua situação financeira, fez uma fogueira com os livros, se jogou dentro e morreu carbonizada em sua casa.

 * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Desabafo              

*Robson Sampaio

Eu queria falar

Faltaram palavras

Eu queria gritar

Faltou voz

Eu queria chorar

Faltaram lágrimas

Eu queria sorrir

Faltou alegria

Eu queria ser bom

Faltou compreensão

Eu queria ser mau

Faltou coragem

Eu queria ter fé

Faltou crença

Eu queria ser feliz

Faltou você

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Sem vacinas  

  *Robson Sampaio

  Cão vadio, solto nas favelas (sujo, esquálido

e faminto) – aos milhões.

 

Cão raivoso, solto nas ruas (colérico, danoso

e assassino) – aos milhares.

 

Cão farejador, solto nos quartéis (investigador, repressor

e violento) – aos milhares.

 

Cão de raça, solto nos condomínios (forte, limpo

e perfumado) – aos milhões.

 

Cão de caça, solto nos gabinetes (ditador, especulador

e opressor ) – aos milhares.

 

Cão infiel, solto nas tribunas (narcisista, embusteiro

e fisiológico) – aos milhares.

 

Matilhas sem vacinas – Todos!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 Indiferença        

*Robson Sampaio

 

Olhos esbugalhados,    

 

cabeça pendente,

mão no queixo,

semblante triste,

olhar no nada.

 

Alma ferida,

carne cortada,

solidão deserta,

aridez da vida,

vida feito pedra,

indiferença coletiva.

 

Olhos esbugalhados,

cabeça pendente,

mão no queixo,

fome amarga,

revolta no peito…

 * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Ah, essa mulher bonita!

*Robson Sampaio

Ah, essa mulher bonita!

Inventa e reinventa modas.

Primeiro, ajustando o corpo

e, depois, a alma,

só para nos agradar.

Por isso, suave é o dia,

doce é essa mulher…

Sorriso delicado, ar atrevido,

espírito irreverente, misto de

mulher e menina, um quê de moleca

com um quê de sensual…

Enigmas em sintonia

com o verde-azul do mar…

Ah, essa mulher bonita!

Por isso, suave é o dia,

doce é essa mulher…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Tigresa

*Robson Sampaio

Os olhos da tigresa

são esmeraldas incrustadas

nas águas verdes do mar.

Luzes que refletem o brilho

dessa mulher, porém, não

decifram os enigmas da sua

alma…

 

Os olhos da tigresa

são lanças flamejantes de desejo

e de paixão,

a rasgar entranhas e a ferir

com a dor bendita encravada

no coração…

 

Os olhos da tigresa são

a força felina de cada gesto,

a expor também a graça e a leveza,

enquanto o seu corpo resplandece

toda a beleza das fêmeas sensuais

e só domadas pelas carícias

do amor…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Espanto    

*Robson Sampaio

Sombras, sombras

e mais sombras

Dia, noite, madrugada,

Assombrosas,

Mal-assombradas,

Embruxadas,

Enfeitiçadas,

 

Dia, noite, madrugada,

 

Maléficas,

Soturnas,

Escuras

Fantasmagóricas

 

Dia, noite, madrugada

 

Pavorosas

Medonhas

Horrorosas

Macabras

Tênues réstias

das mortes.

 * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

e-mail: rsampaioblog@gmail.com

 

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Teatro da Vida (Causos) e Poesias

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

POESIAS

Tigresa

 *Robson Sampaio

Os olhos da tigresa

são esmeraldas incrustadas

nas águas verdes do mar.

Luzes que refletem o brilho

dessa mulher, porém, não

decifram os enigmas da sua

alma…

 

Os olhos da tigresa

são lanças flamejantes de desejo

e de paixão,

a rasgar entranhas e a ferir

com a dor bendita encravada

no coração…

 

Os olhos da tigresa são

a força felina de cada gesto,

a expor também a graça e a leveza,

enquanto o seu corpo resplandece

toda a beleza das fêmeas sensuais

e só domadas pelas carícias

do amor…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Meninos-fantasmas            

 *Robson Sampaio

 

Meninos sem rosto,

de tênues traços sem cor.

Meninos sem nome,

habitantes de pontes

e marquises.

Meninos-fantasmas,

que se esgueiram por becos

e esquinas desumanos.

Meninos sem rumos,

descaminhos da volta,

vândalos do inconsciente

social.

Meninos de vida na sarjeta,

Meninos da noite, opções do escuro.

Meninos de rua,

Crianças, apenas na idade…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Menina-Santa  

 *Robson Sampaio

   

Menina-criança,

roubaram a tua boneca,

o teu sorriso,

a tua alegria.

 

Menina-moça,

roubaram a tua meiguice,

os teus encantos,

o teu corpo.

 

Menina-mulher,

ainda menina e moça,

não hão de roubar

a tua alma, a tua paz,

a tua vida.

Menina-Santa,

como tantas outras…

* À Casa de Passagem (Recife-PE).

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

O poeta…

Robson Sampaio *

 

 O poeta não morre,

simplesmente, se eterniza

Ele é palavra, verbo, substantivo,

adjetivo, advérbio, pronome,

interjeição, interrogação, exclamação,

preposição, vírgula, ponto e vírgula,

ponto, dois pontos, cê-cedilha.

 

É o alfabeto: vogais – a,e,i,o,u;

consoantes – ch, lh, nh, k, w, y, z.

É poema, prosa, verso, frase,

inspiração, evocação, declamação,

emoção.

 

Ele não morre, eterniza-se

nas palavras da poesia.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

21.10.2017

 

A Inveja

Robson Sampaio

“A inveja, quando não mata,

aleija os pensamentos e

o estômago vomita as vísceras

reféns da raiva e do ódio”.

Dedilha na viola, o violeiro cego,

um cântico choramingado em

frente à praça da Igreja-Matriz.

E tasca mais versos, no choramingar

da viola: “Sentimento impuro, capaz

de gerar ciúme, insensatez ou ódio,

tamanho é o desatino

e que pode levar ao crime”.

E o violeiro cego dedilha, no

choramingar da viola, o arremate do

cântico: “E Caim matou Abel!”

* Jornalista e poeta da Cadeira 22, da Academia Recifense de Letras.

(07.07.15)

 

 

“Os 7 Pecados Capitais”

 

Robson Sampaio

 

“Avareza: apodrece a alma.

“Gula: Defeito também de pobre.

“Inveja: Pode levar ao enfarte.

“Ira: O caminho da insanidade.

“Luxúria: O espelho dos pobres

de espírito.

“Preguiça: Sombra e água fresca,

pois ninguém é de ferro.

“Vaidade: Todos temos, de mais

ou de menos.

 

* Jornalista e poeta da Cadeira 22, da Academia Recifense de Letras.

(03.09.12)

rsampaioblog@gmail.com

 

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