Especialista alerta para a importância da atividade física no tratamento do câncer de mama

Vinte minutos de exercício físico diário é o suficiente para contribuir para melhores respostas ao tratamento convencional da doença

Com a correria do dia a dia, as pessoas estão dando menos atenção à quantidade de exercícios físicos que o corpo necessita – e as consequências disso geram impactos diretos no aumento dos índices de casos de câncer. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que 80% dos casos de surgimento de tumores malignos estão relacionados ao nosso modo de vida, sendo o sedentarismo um dos principais protagonistas destas estatísticas.

Outro dado que reforça essa percepção vem de uma pesquisa realizada recentemente pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), que aponta que a prática frequente de atividade física pode reduzir o risco de desenvolvimento de 26 tipos de câncer, entre os quais o de mama, neoplasia que mais atinge a população feminina no Brasil. Em 2017 foram registrados cerca de 60 mil novos casos da doença, o que faz do câncer de mama o mais prevalente entre as brasileiras, correspondendo a 28% de todos os casos diagnosticados da condição.

Segundo a mastologista da Oncoclínica Recife (unidade Grupo Oncoclínicas) Alessandra Saraiva, é preciso lembrar que mesmo após o diagnóstico de câncer de mama, os exercícios físicos exercem um papel preponderante para a saúde da mulher e evolução positiva do tratamento.  “O incentivo à prática constante de exercícios físicos e ingestão de alimentos saudáveis surgem não apenas como iniciativas essenciais para frear os índices aumentados da doença como também forma de potencializar o processo de tratamento para mulheres com câncer de mama. Uma série de pesquisas científicas sugere que indivíduos que praticam atividade física e seguem uma dieta equilibrada têm melhores respostas às terapêuticas e, portanto, apresentam taxa de sobrevivência maior ao câncer cinco anos após o diagnóstico”, diz a especialista.

A médica explica que é importante oferecer à paciente a oportunidade de 150 minutos de atividade física semanal, ou seja, 20 minutos por dia. “O movimento regular faz com que sejam eliminadas do sangue as moléculas de gordura, chamadas de lipídios, que servem como forma de alimento para as células tumorais. Isso significa que as atividades físicas dão um suporte extra para que o corpo possa combater o inimigo, reduzindo suas chances de crescimento”, afirma.

Essa melhora nos índices de resposta contra o tumor de mama pode ser obtida a partir de mudanças leves na rotina com a adoção de atividades aeróbicas simples, como caminhada, corrida, bicicleta e dança, por exemplo. Outras formas de movimento do corpo como a yoga também são recomendadas. “A prática de movimentos libera substâncias como a endorfina, hormônio responsável pela sensação de bem estar, e contribuem efetivamente para a redução das dores crônicas, fadiga e estresse, além de promover melhora no sono, todos estes fatores que proporcionam melhores respostas ao tratamento”.

Ainda de acordo com ela, tais benefícios oncológicos derivados da prática de atividade física contribuem para a diminuição no risco de recidiva da doença. “Ao colaborar para o controle e redução de peso, a paciente estará também reduzindo as chances de retorno do tumor, já que o sobrepeso e a obesidade são fatores que levam à maior chance de recidiva”, frisa. Outro ponto importante é que o exercício físico pode proporcionar a melhora da autoestima da paciente. Contudo, a especialista lembra que a atividade física não substitui o uso de medicamentos específicos para controle da doença, devendo ser entendido como mais um aliado.

“Consideramos a prática de esportes um complemento dos tratamentos convencionais de quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia ou cirurgia de retirada da mama. Mas é importante deixar claro que os exercícios devem ser realizados em qualquer período da vida. Atividades regulares proporcionam bem estar global do paciente com câncer, contribuem para melhores respostas ao tratamento e diminuem o risco de recorrência da doença”, completa.

Ele destaca ainda que, embora a atividade física seja importante durante o tratamento de câncer de mama, é essencial que seja praticada respeitando as limitações da paciente. “Se a mulher está sedentária durante anos, não é recomendado que comece com um treino pesado. Todo movimento é benéfico ao corpo e cabe à equipe multidisciplinar envolvida nos cuidados com a paciente orientar sobre as opções adequadas conforme o histórico pessoal”, finaliza a especialista.

 

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