Humberto evita votação de projeto no Senado que endurece regras para greve de servidores

No mesmo em que centenas de milhares de pessoas tomaram as ruas do Brasil numa greve geral convocada contra a reforma da Previdência do presidente não eleito Michel Temer (PMDB), o Senado tentou votar, nessa quarta-feira (15), o regime de urgência do projeto que endurece o direito de greve dos funcionários públicos.

Graças a um pedido de votação nominal feito pelo líder da Oposição, Humberto Costa (PT-PE), a proposta acabou retirada de pauta. O senador criticou duramente a inclusão da proposta na pauta justamente num dia de mobilização histórica, em que havia um levante popular em todo o país. “Precisamos tratar desse tema. É um assunto sensível que atinge milhões de servidores e seria absolutamente inoportuno atropelar a discussão e votar a matéria num dia de protestos em todo o Brasil”, ponderou Humberto.

Diante do apelo para evitar a rapidez da tramitação da matéria e ampliar a discussão, que contou com o apoio de senadores de partidos como o PT, Rede, PcdoB e PPS, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), decidiu retirá-la de pauta.

Parlamentares da base do governo ainda tentaram garantir a votação da urgência do projeto, de autoria do senador licenciado tucano Aloysio Nunes Ferreira (SP), hoje ministro das Relações Exteriores. Porém, saíram derrotados.

“É um governo ilegítimo e golpista, que quer meter uma mordaça nos servidores”, ressaltou o líder da Oposição. Humberto avalia que a ordem do dia no plenário não deveria incluir a apreciação do item porque não houve nem consenso na reunião de líderes sobre o mérito do texto, ocorrida na terça-feira.

Segundo ele, a votação iria atropelar o bom senso, até porque o projeto foi rejeitado na Comissão de Direitos Humanos do Senado. “É necessário que a gente sente e analise com calma o que diz a proposição para construir um entendimento. Não faz sentido querer apressar essa discussão”, afirmou.

De acordo com a proposta, a paralisação só poderá ser decretada depois que o poder público negar as reivindicações da categoria. O texto estabelece ainda que haja manutenção de pelo menos metade do efetivo, podendo chegar a 80%, como no caso de áreas como saúde e segurança.

 

João Carvalho

Jornalista

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