Lançamento literário – Projeto Tengo Lengo Tengo – Padre João Câncio – Novo horário

oão Câncio, o padre vaqueiro, livro do jornalista e escritor Vandeck Santiago, será lançado nesta quinta-feira (13), a partir das 19h, na Sala São Francisco do Museu do Cais do Sertão, dentro da programação do projeto Tengo Lengo Tengo – ação cultural do Governo do Estado que marca os trinta anos de morte de Luiz Gonzaga e do padre João Câncio, idealizadores da Missa do Vaqueiro de Serrita. Além da fotobiografia também será aberta no mesmo horário a exposição do projeto, que promete aos visitantes uma viagem sensorial ao universo e à cultura sertaneja.

A história de vida de João Câncio, ordenado aos 28 anos, em Petrolina, e que teve a cidade de Serrita como sua primeira paróquia, é contada ao longo de 120 páginas e em mais de 60 fotografias do livro que tem apoio cultural da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe). O padre, que aprendeu a usar o cavalo para se aproximar e se fazer presente nas comunidades onde atuava, logo pegou gosto pela vaquejada e se tornou famoso nas pegas de boi da região. Na convivência com o povo humilde, se revelou devoto da religiosidade popular. “Eu era ignorante absoluto nas coisas do povo. Como quase todo sacerdote, saí de minha realidade e fui para uma redoma chamada seminário. Quando devolvido ao povo, foi para impor uma religião que achava correta e não para viver uma religião cristã. Eu percebia que a religiosidade já estava nas pessoas, que a sua fé própria, singular, era a maior força da Igreja”, assegurou certa vez João Câncio em depoimento resgatado no livro.

Em formato de uma grande reportagem, a fotobiografia traz depoimentos de personagens importantes que conviveram com o padre. Entre muitos, estão os dos vaqueiros Júlio Duqueira e Valírio Luciano que testemunharam o surgimento da Missa – celebração da Igreja Católica em que os ritos tradicionais foram resignificados a partir da realidade nordestinaFoi realizada pela primeira vez em julho de 1971, em plena Caatinga, no mesmo local em que Raimundo Jacó, vaqueiro respeitado da região, foi assassinado 16 anos antes.

A obra revela também a relação de admiração e amizade entre João Câncio e Luiz Gonzaga, primo de Raimundo Jacó, e a mobilização de ambos para que a Missa do Vaqueiro se transformasse em um evento conhecido nacionalmente. O autor teve o cuidado de contar as muitas histórias que se entrecruzaram à vida de João Câncio contextualizando-as à realidade do Brasil dos anos 1970, período marcado pela repressão da ditadura militar e momento em que temas como política e questões sociais ganhavam protagonismo na Igreja Católica.

O padre João Câncio foi homem de temperamento forte e de convicções seguras. E à sua maneira, fez da Missa do Vaqueiro um grito de revolta à injustiça social que marcava a vida do povo sertanejo. Naquela seca de 70, que matou gente à pampa, foi organizada uma frente de serviço. O pessoal trabalhava o dia todo e recebia dois cruzeiros. Eu fiquei revoltado com isso, e tive ideia de celebrar missa com o pessoal, que na realidade eram conversas informais. Era para que o povo pudesse falar. Numa dessas conversas, alguém comentou que existia missa pra toda categoria de gente, mas não havia missa para os vaqueiros. A gente então começou a falar do que poderia ser uma missa para os vaqueiros, e um deles sugeriu que fosse na Lage [Sítio das Lages, zona rural de Serrita], onde Raimundo Jacó fora assassinado”, afirmou João Câncio em entrevista dada na época também registrada no livro.

O livro João Câncio, o padre vaqueiro é apresentado pela viúva Helena Câncio. A história de amor entre o padre e a adolescente 22 anos mais jovem é relatada em depoimento comovente. “Eu não estou pagando uma dívida com a história vivida por João. Estou cumprindo com um compromisso de coerência comigo mesma, construindo

a minha história, aprendendo e ensinando o que a vida me ensinou, dentre tantas coisas, a ser resistente, a ser forte. E nessa peleja que é viver, vou fazendo o que gosto, que é contribuir com a cultura da minha região, do meu estado e do meu país”, destaca em trecho do seu texto. Em 2001, Helena, ao lado dos filhos, criou a Fundação Padre João Câncio que desenvolve extenso trabalho de incentivo à cultura sertaneja e fortalecimento da Missa do Vaqueiro. João Câncio morreu no dia 10 de fevereiro de 1989, ano que completaria 53 anos de idade.

EXPOSIÇÃO – Paralelo ao lançamento da fotobiografia, o projeto Tengo Lengo Tengo também inaugura nesta quinta-feira (13) a exposição que ficará aberta até o dia 27 de agosto na Sala São Francisco. Dividida em três seções, a mostra usará recursos visuais, efeitos sonoros, cenográficos e muita música para revelar ao visitante a riqueza geográfica e cultural do Sertão. projeto Tengo Lengo Tengo é realizado pela Secretaria de Turismo, com apoio da Cepe, Museu Cais do Sertão, Prefeitura do Recife e da Janela Gestão de Projetos.

Serviço:

Lançamento da fotobiografia João Câncio e abertura da exposição Tengo, Lengo, Tengo

Quando: 13.06.2019, quinta-feira

Horário: 19h
Local: Museu Cais do Sertão

Endereço: Avenida Alfredo Lisboa, s/n, Bairro do Recife

Roziane Fernandes

Assessora de Imprensa

www.cepe.com.br

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