Novo lançamento da Cepe acende a esperança de um mundo mais justo

Numa tarde ensolarada, dois personagens passeiam pela área histórica do bairro da Boa Vista, espaço de resistência cultural e de memória no Centro do Recife. Enquanto caminham, eles recordam suas trajetórias de militância, falam sobre as expectativas de mudanças no País, os desencantos com as reformas políticas e sociais que não aconteceram, as esperanças em um mundo mais justo. E planejam, nessa andança, uma ópera popular que dialogue com as suas vivências e com o povo. Esse é o enredo do novo lançamento da Cepe Editora, o livro do gênero novela Dois Andantes e um Satélite, do escritor José Alfredo dos Santos Abrão.

A live de apresentação do título será às 18h30 de sexta-feira (9), no canal da Cepe no YouTube, com José Alfredo, o jornalista Marcelo Mário de Melo, o escritor Lula Falcão e o jornalista e editor da Cepe Diogo Guedes, que fará a mediação. Todos os livros adquiridos no lançamento terão autógrafo do autor. Atenção! A ação, coordenada pela Superintendência de Marketing da Cepe, é válida apenas para o dia do evento.

As 156 páginas de Dois Andantes e um Satélite relatam um intenso bate-papo entre o casal fictício de amigos João Marcos do Amarante, que se define como homem avançado na meia-idade, e Antônia da Mata, artista de teatro. “É uma novela todinha improvisada, feita apenas em diálogo. Esses diálogos se inspiram nas minhas conversas com um amigo de adolescência em São Paulo, nos anos 70, o pai dele era um militante comunista, que vivia na clandestinidade, e a gente levava conversas intermináveis pelas ruas de Pinheiros, onde a fantasia ia substituindo as referências às nossas causas”, afirma José Alfredo Santos Abrão.

Ele transporta para o livro o mesmo método de improviso das conversas que mantinha com o amigo real paulistano, apenas “trocando o delírio pessoal por delírios emprestados à cultura pernambucana.” A ideia de fazer a ópera popular, explica o autor, faz parte desse desvario. “A ópera refere-se a uma hipotética e indefinida produção cultural, a algo que virasse um instrumento criativo de proselitismo político, algo que tivesse influência numa ‘catequese’ política das massas – como imaginavam os combatentes, no tempo das utopias”, comenta o escritor. 

A ideia de Amarante é construir uma ópera baseada no poema Satélite, de Manuel Bandeira (1886-1968), no qual o poeta modernista descreve a lua despojada de simbolismos românticos. A proposta inicial é um delírio. “Só depois que eles passam a noite num hotel, na Praça Maciel Pinheiro, a conversa cai na real, ancorada por Antônia em função de um ‘realismo’ mais ‘pragmático’ que ela exige do viajandão Amarante”, declara José Alfredo. É nesse ponto que a dupla resolve usar como mote para a ópera o Auto do Frade, do poeta João Cabral de Melo Neto (1920-1999), que conta o martírio de Frei Caneca, carmelita condenado à morte no Recife, em 1825, por causa dos seus ideais revolucionários.

Amarante, como descreve o autor, é mal resolvido com seu catolicismo. O personagem sonha com uma sociedade equilibrada pela religião e pela razão, com um mundo mais justo e igual, com mais solidariedade e participação popular. “Antônia sublimou a questão (religiosa) mais cedo, por uma revelação que teve quando ainda era moça, no cemitério de Flores, no Sertão de Pajeú”, diz o escritor. Depois do passeio de 24 horas pelo Mercado da Boa Vista, Largo da Santa Cruz, Rua da Conceição e Praça Maciel Pinheiro, eles esperam que a ópera prossiga “como ideia que move um andante em seu caminho e pode mudar mais gente ainda.”

“Em Dois andantes e um satélite, José Alfredo propõe não só um passeio pelo centro do Recife, em suas histórias, ficções e personagens, mas também um caminhar pelas trilhas das memórias, embates, erros e discussões estéticas de uma geração que viveu a necessidade de unir política, arte, formação popular e afetos. Até por esse tema, o livro só poderia ser contado como é, através de diálogos, com a alternância de vozes e pensamentos dos dois personagens, Amarante e Antônia”, analisa o editor da Cepe Diogo Guedes.

SOBRE O AUTOR – Nascido em São Paulo, José Alfredo Santos Abrão mora na capital pernambucana há nove anos e gosta de caminhar pela Boa Vista. Redator e roteirista, ele já publicou Cronomáticas e outros contos (Cepe-2016), Sete Relatos Enredados da Cidade do Recife (conto, 2019), Pegadas de Palavras (poesia, 1991) e Dias com Nuvens (poesia, 1999), entre outros títulos. Venceu o prêmio 100 Anos da Semana de Arte Moderna (MinC, 2018) com a novela Andares Entre Dois Andrades e o prêmio 200 Anos da Independência (Secretaria Especial de Cultura do Ministério da Cidadania, 2019) com o poema Ave Nossa Senhora da Independência.

Serviço

Evento: Live de lançamento do livro Dois Andantes e um Satélite com José Alfredo Santos Abrão, Marcelo Mário de Melo, Lula Falcão e Diogo Guedes

Quando: 9 de abril

Hora: 18h30

Local: Canal da Cepe no YouTube (bit.ly/canalcepe)

Preço: R$ 25 (impresso) e R$ 10 (e-book)

Onde comprar: Lojas físicas e site da Cepe (www.cepe.com.br/lojacepe/


Cleide AlvesJornalista/Assessoria de Imprensa
(81) 3183.2770 | 9.9966.1916www.cepe.com.br

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