Poesias

Vou “m’imbora pro” Recife…

 Robson Sampaio

Vou “m’imbora pro” Recife

do mar, das jangadas, das redes,

dos pescadores, dos peixes, do caçuá,

dos mangues, das ostras, dos siris,

dos caranguejos e da minha gente…

Vou “m’imbora pro” Recife

dos caboclinhos, da ciranda,

do maracatu, do baque-virado,

do Galo da Madrugada,

do Homem da Meia-Noite,

do frevo e dos meus foliões…

Vou “m’imbora pro” Recife

dos arrecifes, das pontes, dos becos,

das travessas, dos bares, dos botecos,

dos boêmios, da lua, das estrelas, do vento,

do sol, dos meus sonhos, da minha sina e

do meu Capibaribe…

Eu vou “m’imbora pro” Recife e

vou “m’imbora pra” mim mesmo!

23.02.10

Mamulengo?

 Robson Sampaio

A alma fora do corpo,

a carne feita em pedaços

triturada em vários braços

e o corpo fora da alma.

O preço do desapreço

transforma a dor em lamentos

e a vida não vale nada.

A alma fora do corpo

e o corpo fora da alma.

Os sussurros são fingimentos

de um prazer sem sentimentos,

a face talhada em dor

pela indiferença da gente.

A alma fora do corpo

tal qual um mamulengo…

20.09.92

Mamulengo?

Robson Sampaio

A alma fora do corpo,

a carne feita em pedaços

triturada em vários braços

e o corpo fora da alma.

O preço do desapreço

transforma a dor em lamentos

e a vida não vale nada.

A alma fora do corpo

e o corpo fora da alma.

Os sussurros são fingimentos

de um prazer sem sentimentos,

a face talhada em dor

pela indiferença da gente.

A alma fora do corpo

tal qual um mamulengo…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Esquecimento

Robson Sampaio

As palavras somem no vazio do tempo

e as lembranças, quase sempre,

transformam-se em simples histórias.

Os famosos são encantados, assim como

os poetas que, não raras vezes, até

são declamados em versos.

Já os anônimos, simplesmente desaparecem

ou, no máximo, tornam-se números.

Os meninos de rua fogem com medo

do carrasco, quando não morrem,

e  bastaria apenas um pouco de amor.

Sujos e empoeirados, os operários seguem aos

bandos, como se fossem turbas de miseráveis

a caminho do nada.

Enquanto paira o riso cínico dos poderosos,

a face emoldurada da danação da alma.

E assim, as histórias esquecem os homens comuns,

que não se encantam,

apenas fenecem…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Os invisíveis…

Robson Sampaio

Menino dos olhos

grandes e olhar vazio,

a mão no queixo

e o semblante triste.

É a dor da vida,

da indiferença

e do desamor.

A alma ferida,

as entranhas doídas,

a fome amarga

e o coração de pedra.

É a dor da vida,

da indiferença

e do desamor.

São os invisíveis!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Alma fragmentada…

Robson Sampaio

Faço versos

porque tenho a alma

fragmentada de doçura e amargor.

Teço ao longo da vida

as alegrias e as tristezas e, às vezes,

debruçado em uma janela qualquer

do mundo, aprecio o tempo passar.

Nem tão depressa nem tão devagar

como eu gostaria…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

As rosas…

Robson Sampaio

No jardim, as doze

rosas vermelhas.

E uma delas, murcha!

As demais:

O olhar

O piscar de olho

O sorriso,

As mãos dadas

O primeiro beijo

A paixão

A primeira vez

As outras tantas vezes

A vida a dois

A vida feliz

A vida infeliz

A rosa murcha…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Convite…

Robson Sampaio

O teu olhar

O teu sorriso

Convite de amor?

O teu gesto

O teu corpo

Convite de amor?

O teu cabelo

O teu afago

Convite de amor?

Tu, eu, nós – o Amor?

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Sempre…

Robson Sampaio

Enquanto puder chorar, eu vou chorar

Enquanto puder gritar, eu vou gritar

Enquanto puder sorrir, eu vou sorrir

Enquanto puder brincar, eu vou brincar

Enquanto puder pular, eu vou pular

Enquanto puder dançar, eu vou dançar

Enquanto puder cantar, eu vou cantar

Enquanto puder perdoar, eu vou perdoar

Enquanto puder voltar, eu vou retornar

Enquanto puder começar, eu vou recomeçar

Enquanto puder abraçar, eu vou abraçar

Enquanto puder beijar, eu vou beijar

Enquanto puder sonhar, eu vou sonhar

Enquanto puder amar, eu vou amar

Enquanto puder nascer, eu vou renascer

Enquanto puder viver, eu vou reviver

Sempre…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Tempo?…

Robson Sampaio

O ontem, o hoje, o amanhã.

Tempo é o passado, o presente e o futuro.

Ou foram, são ou serão tempos?

Amor e desamor, dor e sofrimento,

alegria e tristeza, iIusão e desilusão,

somente lembranças e saudades…

As bolas de gude, as de meia, as de couro,

o jogo de botão, o pião, a pipa, o badoque,

o mar, o rio, o passarinho, as estrelas, o sol,

a lua, as flores, a terra, o vento, a água, o fogo…

Nem ontem, nem hoje, nem amanhã,

nem horas, nem dias, nem anos.

Tudo passou no tempo…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Vermelhos…

Robson Sampaio

Terno, camisa, calça e sapatos brancos.

– Gravata vermelha.

Chapéu Panamá.

– Alvo como a Lua.

Paixão avassaladora.

– Coração.

Na mão, a rosa e, no olhar, os lábios amados.

-Vermelhos.

A alma branca.

– O amor eterno.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Humanos?

Robson Sampaio

Quando eu partir, não digam nada,

pois nada se tem a dizer na morte!

Apenas, que era um poeta e que

os seus versos foram poucos lidos

ou sentidos…

Afinal, a vida é a morte e a morte

é a vida.

Se não para que vivemos

(sobrevivemos) nesta passagem

tênue de sermos humanos?

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Ah, essa cabana!

Robson Sampaio

A aparência rústica

do teto de madeira

e dos lustres pesados,

de ferros, na cabana,

evocam lembranças de amor.

Do amor de outra cabana,

no pé da serra.

parte de madeira, parte de pedra.

As imagens chegam como

as chamas de uma lareira,

unindo agora em lembranças

almas tão distantes,

a recordar aconchegos, embora,

hoje, apenas saudades.

Do amor em uma cabana,

naquele pé de serra,

parte de madeira, parte de pedra,

fica a saudade de instantes,

longe de todos os lugares.

Ah, essa cabana!.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Infeliz..

Robson Sampaio

Perdi o amor

e fiquei só.

Olhei o sol

e não me alegrei.

Olhei a chuva

e, então,chorei.

Chegou a apatia e uma

indiferença incomum.

Olhei a rua e

não lhe vi passar.

Olhei para mim e

não me vi;

tão pouco você.

Então, compreendi:

jamais serei feliz…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Ferramenta do poeta

Robson Sampaio

A ferramenta de trabalho

do poeta é a emoção.

Daí, não posso vir a

ser um ateu.

No máximo, uma alma descrente,

ainda em dúvida,

dessa que não está totalmente

envolvida pela escuridão

Mas, sim, por uma tênue penumbra,

incapaz de evitar que o meu ser,

num rompante de fé e de temor a Deus,

deixe as sombras da incredulidade

e vá ao encontro da Eternidade que,

sendo Espírito Divino, também

é ferramenta do poeta…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Palavras (não-mágicas)

Robson Sampaio

As tuas palavras

já não têm a mesma magia,

daqueles tempos, daqueles dias:

deslumbrado não sabia

se era noite, se era dia.

As tuas palavras

já não têm a mesma magia,

quando eu chorava, quando eu sorria.

As tuas palavras

já não têm a mesma magia,

quando eu amava, quando eu me envolvia.

As tuas palavras

já não têm a mesma magia,

que eram a minha felicidade,

a minha alegria.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Espera. Ah, infeliz espera…

Robson Sampaio

Espera. Ah, infeliz espera…

Para não dividir os minutos

Só calculei os segundos

Soma do daqui há pouco

Demora de meia-hora

Instantes intermináveis

Horas e horas de angústia…

Espera. Ah, infeliz espera…

Épocas de desassossego

Multiplicador de desespero

Sem fim de sofrimento

Subtração do amor

Tempo perdido da dor

Vontade de ser eterno

Para esperas de sempre…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Máquinas mortíferas da Redação

Robson Sampaio

Parem as teclas destas máquinas,

quase sempre mensagens mortíferas.

Preciso da calma das manhãs

para o poema.

Deem tempo à passagem do amor

para fluir a inspiração.

Parem as teclas mortíferas,

quase sempre mensagens más.

Tornem-se cúmplices da minha visão

romântica, quase um canto de amor.

Parem, nem que seja por um breve instante,

pois a inspiração brota como num

ato de imolação.

Parem as teclas das máquinas,

quase sempre mensagens más.

Parem, assim poderei sonhar.

Não chorem notícias,

ainda há tempo para o poema de teclas,

apesar das mortíferas teclas da Redação.

E tirem as suas mãos mortíferas

da minha máquina humana

de fazer amor…

À Cidia Gonçalves, amiga do batente.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Minipoemas

Robson Sampaio

Lucinha…  

Um simples terraço,

duas cadeiras vazias

e, no meu coração,

o teu nome,

Lúcia Maria…

*À minha mulher, Lúcia. (RS)

Adeus…

Um sorriso

Uma lágrima

Adeus.

Uma saudade a mais (RS)

Paixão… 

Quando olho pra você,

não tem jeito: estremeço,

me alucino e acho que

vou explodir de paixão… (RS)

Frases (RS) – Robson Sampaio

Se a mulher não fosse a obra-prima de Deus, os  homens não existiriam”. “A negra é a avó; a mestiça é a mãe; a mulata é a filha; e a morena é a neta deste País”. “Lucinha não é apenas a minha mulher, há 50 anos. É o anjo que  s colocou ao meu lado”. Só covardes batem em mulher”. “Minhas filhas e netos são provas da benção de Deus a mim e à Lucinha”. “Só diga a uma mulher que a ama, se for verdade”. “Nada de Gabriela, cravo e canela. Mas, Gabi, rosas e bem-me-quer”. “Numa briga de marido e mulher, ela sempre tem razão”. “Mulher e doce de coco são sinônimos”.(RS)

Máquinas mortíferas da Redação

Robson Sampaio

Parem as teclas destas máquinas,

quase sempre mensagens mortíferas.

Preciso da calma das manhãs

para o poema.

Deem tempo à passagem do amor

para fluir a inspiração.

Parem as teclas mortíferas,

quase sempre mensagens más.

Tornem-se cúmplices da minha visão

romântica, quase um canto de amor.

Parem, nem que seja por um breve instante,

pois a inspiração brota como num

ato de imolação.

Parem as teclas das máquinas,

quase sempre mensagens más.

Parem, assim poderei sonhar.

Não chorem notícias,

ainda há tempo para o poema de teclas,

apesar das mortíferas teclas da Redação.

E tirem as suas mãos mortíferas

da minha máquina humana

de fazer amor…

À Cidia Gonçalves, amiga do batente.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Minipoemas

Robson Sampaio

Lucinha…  

Um simples terraço,

duas cadeiras vazias

e, no meu coração,

o teu nome,

Lúcia Maria…

*À minha mulher, Lúcia. (RS)

Adeus…

Um sorriso

Uma lágrima

Adeus.

Uma saudade a mais (RS)

Paixão… 

Quando olho pra você,

não tem jeito: estremeço,

me alucino e acho que

vou explodir de paixão… (RS)

Frases (RS) – Robson Sampaio

Se a mulher não fosse a obra-prima de Deus, os  homens não existiriam”. “A negra é a avó; a mestiça é a mãe; a mulata é a filha; e a morena é a neta deste País”. “Lucinha não é apenas a minha mulher, há 50 anos. É o anjo que  s colocou ao meu lado”. Só covardes batem em mulher”. “Minhas filhas e netos são provas da benção de Deus a mim e à Lucinha”. “Só diga a uma mulher que a ama, se for verdade”. “Nada de Gabriela, cravo e canela. Mas, Gabi, rosas e bem-me-quer”. “Numa briga de marido e mulher, ela sempre tem razão”. “Mulher e doce de coco são sinônimos”.(RS)

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