Poesias e minipoemas de Carnaval – 2018

Poesias 

Folião Sem Nome  

 *Robson Sampaio

Folião sem nome,

perdido no meio do racha,

homem mulher e criança,

passos quase sem graça

Olhos eufóricos de sonhos,

suor regado à cachaça,

segue folião sem nome

alegre no bloco que passa

Ferver, frever, frevar,

ritmo e dança de uma raça,

vai folião sem nome

frevar o frevo na praça…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 O Canto do Galo

 *Robson Sampaio

Que canto é esse,

que sacode a multidão?

Que canto é esse,

que mexe com o coração

e que acorda o Recife?

É o canto do Galo,

é o som da Madrugada,

é o canto do Galo,

do Galo da Madrugada.

É o canto e é o encanto

de gente nas ruas, ruas de gente,

mar de frevo, frevo da gente,

frevo do Galo.

  • A Éneas Freire, fundador do Galo da Madrugada

Poema Publicado na Agenda Cultural da Prefeitura do Recife –Fevereiro/Carnaval 2012.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Boneco-gente?

 *Robson Sampaio

No estrelar da noite olindense,

surge a cantar e a dançar

uma multidão de brincantes

a sorrir com uma alegria contagiante

sob o compasso de um gigante,

às vezes boneco, às vezes gente:

é o Homem da Meia-Noite.

Explodem os clarins, o passo,

os amores, as ilusões passageiras,

tão efêmeros, quantos eternos,

no gingado do frevo

de um Carnaval sem fim.

É o povo, é o canto, é Olinda,

é o Homem da Meia-Noite:

às vezes boneco, às vezes gente,

neste ritmo efervescente

do frevo pernambucano

Ao presidente do Homem da Meia-Noite, Luiz Adolpho

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Frevar Olinda                  

 *Robson Sampaio

Olha moçada,

é madrugada,

sai da calçada,

vem pra rua,

olha que lua,

escuta o frevo,

vamos frevar.

 

Apesar de tudo,

vamos cantar,

não fique mudo,

nada de choro,

é hora de sonho,

de brincadeiras,

até de namoro.

A esperança é linda,

ela não finda,

vamos frevar,

viver a vida,

cantar (frevar) Olinda.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

  

 

Morro

Resultado de imagem para Mulatas charge

 *Robson Sampaio

 

Morro,

De mulatas belas

Que remexem as cadeiras e

Comprovam que só elas

Com graça e perícia

Dançam um samba de amor,

Cadência e malícia…

Morro,

De gente com fome

De moleques que choram

De alegria que some

Ficando, apenas, um sorriso triste

Para quem a felicidade

Não mais existe…

Morro,

A tua vida é mundana

Cheia de vícios e misérias

A tua luta é insana

O teu progresso é o pandeiro

O teu hino é o samba

Do sambista brasileiro…

*Recife, 1965 (a 1a. poesia)

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Vou “m’imbora pro” Recife…

 *Robson Sampaio

Vou “m’imbora pro” Recife

do mar, das jangadas, das redes,

dos pescadores, dos peixes, do caçuá,

dos mangues, das ostras, dos siris,

dos caranguejos e da minha gente…

Vou “m’imbora pro” Recife

dos caboclinhos, da ciranda,

do maracatu, do baque-virado,

do Galo da Madrugada,

do Homem da Meia-Noite,

do frevo e dos meus foliões…

Vou “m’imbora pro” Recife

dos arrecifes, das pontes, dos becos,

das travessas, dos bares, dos botecos,

dos boêmios, da lua, das estrelas, do vento,

do sol, dos meus sonhos, da minha sina e

do meu Capibaribe…

Eu vou “m’imbora pro” Recife e

vou “m’imbora pra” mim mesmo!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Frases

  

“O Viagra é o Carnaval fora de época dos velhinhos”. “Já que o povão não tem

memória, tem, pelo menos, frevo, futebol, samba e forró. É mole ou não,

companheiros”?

  

Minipoemas

 

Folião      

Em passos trôpegos,

segue o folião pela

rua, agora, vazia.

E carrega o peso da

bebedeira e do fim

da fantasia. (RS)

Aurora     

No fim da tarde,

frevo-canção,

frevo-rasgado e

uma multidão.

Passo frenético,

blocos na rua e

clarins de momo.

Um viva, à Aurora! (RS)

 

 Quase um plágio

 Daqui não saio, daqui

ninguém me tira. Onde é

que eu vou morar, sorrir,

chorar, frevar, amar,

viver e morrer? No Recife,

para sempre!

 

Recife    

Recife dos arrecifes

e dos corais,

das noites mal dormidas

e dos amores à beira do

cais.

Recife do mar verde-azul,

do Rio Capibaribe, das

pontes, dos meus amores

e do frevo nas ruas que

não esqueço jamais. (RS)

 

 

rsampaioblog@gmail.com

 

Deixe um comentário:

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Current ye@r *