PRAGA EM TEMPO DE PAZ (QUASE CORONA)

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PRAGA EM TEMPO DE PAZ

                                                                                                                Antonio de Campos

 

A praga caiu sobre mim

como se eu fosse o Egito

Colocou-me os cabelos em desalinho,

de meu olhos fez terra desolada

Um frio me percorreu toda a coluna,

vindo desaguar em minha cabeça

Os dentes, frutos batidos pelo vento:

a estação do sangue era inverno

Assim vaguei pelo deserto,

apenas o Sol quis ser o meu pastor

e fez evaporar-me a água do corpo,

tornando-me um poço inútil

1988

 

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