Professor da FGV EMAp analisa o cenário de epidemias no Brasil em 2019

O médico epidemiologista, professor e pesquisador da Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getulio Vargas (FGV EMAp) Eduardo Massad alerta para a possibilidade de um novo surto de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti neste verão. Massad afirma, no entanto, que é impossível medir a intensidade de tais surtos nos próximos meses, pois depende do tamanho da população de Aedes aegypti. O mosquito, segundo ele, é mais “competente” na transmissão da chikungunya do que da febre amarela e da zika.

“Sou muito pessimista em relação ao controle eficiente do Aedes aegypti, que é a terceira maior praga urbana, perdendo apenas para os ratos e baratas. O mosquito é muito adaptável, é impossível erradicá-lo. Contudo, existe um movimento de pessoas que não acreditam na eficácia e não aceitam a vacinação contra a febre amarela, uma das doenças transmitidas pelo mosquito. Isso é inaceitável, porque prejudica os níveis de cobertura”, aponta Eduardo Massad. Eduardo Massad afirma que uma das medidas para amenizar os casos de febre amarela é vacinar os macacos de parques e áreas verdes dos grandes centros urbanos.

Nos últimos três anos, Massad lembra que houve poucos casos de chikungunya e quase nada de dengue e zika, quando comparado com anos anteriores. “Esse fato é um mistério, por que não se deve a medidas de controle. Provavelmente, a causa foram os fatores climáticos que reduziram a quantidade de mosquitos. Ainda não sabemos se teremos um surto de febre amarela urbana, mas teremos a silvestre, que é a transmitida por macacos”, explica o médico epidemiologista. Para o especialista, não há medidas novas na prevenção das doenças transmitidas pelo aedes aegypti no Brasil e no mundo, além da tentativa de eliminar o criadouro do mosquito.

Vacina fracionada – Na opinião do pesquisador da FGV EMAp, houve pouca informação entre profissionais de saúde e a população sobre a vacinação fracionada, e todos foram pegos de surpresa. “Ela funcionou, mas deve proteger um pouco mais que um ano. Isso significa que, caso a epidemia de febre amarela entre os macacos volte, teremos que vacinar todos novamente”, assegura Eduardo Massad.

Sarampo – O professor e pesquisador da FGV EMAp diz que o governo federal não se preparou e não conseguiu controlar a transmissão do sarampo trazida por imigrantes venezuelanos. “Os níveis de cobertura estão em torno de 80%. O certo é chegar a 95%. O movimento contra a vacina prejudica a erradicação de uma doença que matou recentemente pessoas na Itália e na França.

Obesidade – Eduardo Massad lembra ainda de outra epidemia: o problema da obesidade no país, que, de acordo com ele, é a que mais gera danos à sociedade. “Ela causa hipertensão, diabetes e diversas outras doenças. A principal medida para controlá-la é a educação e uma política que proíba propagandas de alimentos obesogênicos”, aponta o pesquisador da FGV EMAp.

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