SUZANO

Antonio de Campos

 

Hoje é tempo de haters,

outro tempo não há,

lovers são do Paraíso raras aves

 

Uma caçamba

de lixo repleta, o doppler de suas mentes

À imagem de cálculos,

frios eram de seus horizontes o fio

 

Deixaram a sementeira do Mal

deitar raízes

aos mais daninhos dos joios

 

Games, Games, Games,

ao deus Vazio um cântico novo

 

Melodias de abutres

agarram os ares

Gás paralisante

toma conta da pátria do coração

 

Com poderosos venenos

e, depois, tiros ao alvo das brancas pétalas,

os lírios do campo

são impunemente assassinados

 

Onde o faxineiro da Escola?

 

Hoje, tempo de haters,

por nós mesmos choramos

De nossos olhos

lágrimas brotam, ainda

 

Amanhã, à mesa, antes do café,

ligamos a usina de lixo,

sacrário-cofre dos tóxicos

de nossas mentes e corações,

 

quando então, uns aos outros,

além de entorpecidos,

cegos, dizemos:

 

“É vida que segue!”

 março 14, 2019

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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