Teatro da Vida (Causos) e Poesias

IDADE – Já aconteceu de você, ao olhar para uma pessoa da mesma idade, pensar: “eu não sou assim tão velho”? Veja o que conta uma amiga: Estava sentada na sala de espera para a consulta com um novo dentista, quando observei o seu diploma na parede. Li o seu nome e recordei de um moreno alto que tinha esse mesmo nome. Era da minha classe do colegial, uns 30 anos atrás e eu me perguntei: “Seria o mesmo rapaz por quem eu tinha me apaixonado à época?” Entrei na sala de atendimento e, imediatamente, afastei esse pensamento. Esse homem grisalho, quase calvo, gordo, enrugado, era demasiadamente velho e desgastado pra ter sido o meu amor secreto. Depois que ele examinou os meus dentes, perguntei se ele tinha estudado no Colégio Santa Cecília… – Sim, respondeu-me. – Quando se formou? perguntei. – Em 1965 . Por que esta pergunta? – É que…bem…você era da minha classe, exclamei. E então aquele velho horrível, cretino, careca, barrigudo, flácido, lazarento, esclerosado, filho da puta me perguntou: – A senhora era professora de quê? (Na Internet).
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POESIAS

Templos sublimes?  

   *Robson Sampaio                                            

Savoy, Gambrinus,

Portuguesa e Cristal…

Ainda os frequento com a

memória que, às vezes,

se faz espírito…

Templos sublimes?

 

Dom Pedro, Royal,

Seu Lunga e Bar 75…

Os trago na memória que

sempre se faz espírito

e corpo presente.

Templos sublimes…

 

Dia-a-dia ou Noite-Madrugada?

 

No ar, o som da canção,

que vira poesia;

na mesa, o gole do uísque,

que lava a alma e os pecados;

na mão, o cigarro de sempre;

e no olhar, o tempo que passa

e as marcas que ficam…

  * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 Mendicância

   *Robson Sampaio                                            

Nos olhos,

a dor da vida.

 

No rosto,

rugas profundas dessas dores

e a insensibilidade

dos que não a carregam.

 

Na mão estendida,

o gesto em busca da solidariedade.

 

No peito, a incredulidade

do sofrimento.

  * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Vida de Cola

   *Robson Sampaio                                            

Menino de rua

Rua da morte

Morte da vida

Vida de Cola

Cola da fuga

Fuga da fome

Fome do medo

Medo da gente

Gente do nada

Vazio somente

  * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Bobagens?    

           *Robson Sampaio                                            

Sonhos sonhados

Vidas vividas

Desejos desejados

Espaços imaginários

Bobagens?

 

Cantos cantados

Choros chorados

Lágrimas salgadas

Espaços imaginários

Bobagens?

 

Dores doídas

Frevos frevados

Amores amados

Espaços imaginários

Bobagens?

Lindas bobagens,

que devem ser vividas

 * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Olhos flamejantes…     

 *Robson Sampaio

Olhos flamejantes,

os teus…

– Diamantes ou rubis?

Brilho incandescente,

 fonte natural de desejo

 

Olhos flamejantes

os teus…

– Diamantes ou rubis?

Luz maior que o Sol

vontade de me queimar.

 

Olhos flamejantes,

os teus…

– Diamantes ou rubis?

Faíscas ardentes,

brasas para me arder.

 

Olhos flamejantes,

os teus…

– Diamantes ou rubis?

Raios a riscar o Céu e

a penetrar nos meus…

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Meninos-fantasmas      

  *Robson Sampaio

Meninos sem rosto,

de tênues traços sem cor.

Meninos sem nome,

habitantes de pontes

e marquises.

Meninos-fantasmas,

que se esgueiram por becos

e esquinas desumanos.

Meninos sem rumos,

descaminhos da volta,

vândalos do inconsciente

social.

Meninos de vida na sarjeta,

Meninos da noite, opções do escuro.

Meninos de rua,

Crianças, apenas na idade…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

e-mail: rsampaioblog@gmail.com

 

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