Teatro da Vida (Causos: Antônio Maria X Carlos Heitor Cony) e- Poesias

“Você brochou!” – O pernambucano Antônio Maria, cronista, compositor, locutor esportivo e poeta, sempre foi conhecido pelo bom-humor e as tiradas engraçadíssimas, que encantavam os amigos e admiradores, especialmente, durante anos e anos na Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Pois bem, certa vez foi o nosso Antônio Maria para um evento cultural no Rio. Lá chegando e, apesar do corpanzil já que era bem gordo, foi confundido por uma coroa, ainda bem aprumada, com o escritor e jornalista Carlos Heitor Cony. “Cony, eu sou sua fã. Tenho lido muito os seus livros”. Antônio Maria, na ponta da língua: “Muito obrigado. Isto me incentiva ainda mais”. Pois bem, o papo evoluiu e, entre um uísque e outro, os dois terminaram a noitada em um hotel já que, naquela época, não existiam motéis como atualmente. Passados alguns dias, Antônio Maria se encontrou com o Cony e, às gargalhadas, contou o episódio. Cony também riu e perguntou bem curioso: “E aí, como é que foi?” Antônio Maria retrucou: “Você brochou!”

 

Poesias

 

Sertão  

 

 *Robson Sampaio

 

 

Gente sem rumo, pé na estrada

Pão dormido, alma penada

Povo sofrido, assombração!

 

(sem eira nem, beira, de cuia na mão)

 

 

Rio sem água, caçuá vazio

Gado sem pasto, boi sem cabeça

Povo sofrido, judiação!

 

(sem eira nem beira, de cuia na mão)

 

 

Gente sem rumo, pé na estrada

Terra em brasas, feito tição

Povo sofrido, Sertão!

 

* A Ascenso Ferreira

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Recifense…

 *Robson Sampaio

 

Nas águas eternas do Rio Capibaribe,

naveguei sonhos e derramei lágrimas

de tristezas e de alegrias.

 

Nas ondas salgadas da Praia de Boa Viagem,

molhei o corpo e purifiquei a alma.

 

Nas pontes históricas do Recife,

forjei o destino e percorri as trilhas

da vida.

E, só assim, me tornei recifense…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Recife: só cores    

 *Robson Sampaio

 

Recife…

Dos meus amores e dores

Dos meus sonhos e dissabores

Dos meus quitutes e sabores

Dos meus engenhos e licores

Das minhas certezas e temores

Dos meus jardins e flores

Dos meus perfumes e odores

Dos meus cânticos e louvores

Do meu frevo e compositores

Das nossas Marias e Dolores.

Recife, tu és só cores!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Tempo do Tempo

 *Robson Sampaio

 

Marcas do tempo

Tempo de nada

Tempo de tudo

Tempo de sempre

Tempo do homem

Homem do tempo

Tempo da vida

Tempo da morte

Tempo eterno

Tempo do tempo

(passado, presente

e futuro).

* A Rafael Coelho.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

(Quadro de Wilton de Souza)

 

Robson Sampaio *

Sol de fogo,

terra batida,

punhal e mosquetão.

Treme a caatinga

com medo do Capitão.

 

Calam-se, as armas!

Maria Bonita com

a flor na mão.

Treme em desejos

o amor de Lampião.

 

Fogo cruzado,

tocaia grande,

só danação!

Treme Angico,

Adeus, meu Capitão!

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Filhos da Caatinga

 

Robson Sampaio *

  

 Ôxente, meu fio,

cadê o boi no cercado

e toda aquela plantação?

Foi embora no vento,

sumiu tudo no céu,

feito ave de arribação.

Agora, é só terra em brasas,

ardendo que nem tição.

 

Do gado só as cabeças,

igual assombração.

Feito rio escorregadio,

a terra plantada se foi,

levada no deslize do chão.

Ai, que tamanha judiação.

 

Inhô, num gema não,

basta de choro e reza,

feitos só de lamentação.

A terra é seca e batida,

igual alma sem alumiação,

mas, de gente com fé no Santo,

indo e vindo, solta pelo Sertão.

 

São os filhos da Caatinga,

sofrendo toda humilhação.

Mas, briga, mata, esfola ou morre,

mesmo sem ser Lampião.

Ôxente, sêo Capitão,

Virge, Santa Maria,

pra quê ser tão valentão?

Num tem nem quase a vida

e, muito menos, esse chão.

 

Cruz credo, Ave Maria,

dê-me a benção Padim Ciço,

pois, é só dor no meu Sertão.

Mas, juro meu Santo querido,

que de fome, a gente num morre não.

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

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