Teatro da Vida Causos) e Crônicas Poéticas

*A morte do Márcio – Márcio era um antigo funcionário de uma cervejaria no interior de São Paulo. Ele era feliz no trabalho, embora seu sonho fosse ser degustador de cerveja, bebida que tanto adorava. Certa vez, trabalhando no turno da noite, ele caiu dentro de um tonel de cerveja. Pela manhã, o vigia deu a triste notícia: – É com profundo sofrimento que informo que Márcio se desequilibrou, caiu no tonel de cerveja e infelizmente morreu afogado. Um grande amigo de Marcio com a voz muito triste, pergunta: – Meu Deus!!! Será que ele sofreu? O vigia então responde: – Acredito que não, porque, segundo as imagens da câmera de segurança, ele chegou a sair três vezes do tonel para mijar…

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*Envie para os seus amigos bebedores,  mandaram para mim por engano.😂😂😂😂😂😂😂😂😂

Crônicas poéticas/ Robson Sampaio

 “Uma ruela estreita, espremida…”

A ruela é estreita, fedida e com poucas casas

espremidas, amarelas e rosadas.

Contudo, se a noite for boa, as casas estremecem com o

dobrar do burburinho da madrugada,

das conversas banais e das promessas mentirosas.

Rosa, morena jovem e faceira, nos seus 20 anos, não viu

as mulheres chegar e outras tantas partir…

O flerte já não mais existe naquela ruela estreita, fedida e com

poucas casas espremidas, amarelas e rosadas.

Para Rosa, dinheiro na mão, calcinha no chão… Ela não conhece

ainda e nem sabe que há um drama em cada pedaço de carne

exposta naquele bazar humano, mas, apenas, a certeza do prazer

descompromissado. Tal qual um produto cotidiano na prateleira da vida,

onde o sexo é primeira necessidade…

Eugênia, 65 anos, a mais velha moradora daquela ruela

estreita, fedida e com poucas casas espremidas, amarelas

e rosadas, suspira com saudades…

Recorda os antigos bordéis, onde os malandros faziam a

abordagem com uma Corte de ginga, gírias e palavras doces.

Sem tristezas e com um ar sonhador, olha o quadro

empoeirado no alto da parede azul do quarto.

Acaricia-se com os olhos e relembra a moça cheirosa, vaidosa

e cobiçada dos velhos tempos.

Era um tempo tão bom que não imaginava que ia acabar. O

recato despia-se na penumbra… Eugênia carrega o presente sem

queixas e contempla o futuro sem névoas.

E divaga com as visões de um passado que, como a própria expressão

sugere, é nostálgico…

Porém, se a noite for boa, certamente, naquela ruela estreita,

fedida e com poucas casas espremidas, amarelas e rosadas,

o domingo amanhecerá mais tarde.

E nessa hora furtiva da manhã tardia, haverá mulheres a chegar

e tantas outras a partir…

Tanto Rosa quanto Eugênia, dirão: “Enquanto houver homem e

mulher, haverá sexo”.

E, seguramente, uma passagem sem volta naquela ruela estreita,

fedida e com poucas casas espremidas, amarelas e rosadas…

 * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Escravos da Notícia

Redação vazia, máquinas paradas, telefones mudos. Apenas, o ruído

incessante do telex. O silêncio da Redação gera angústia e, assim, me sinto

neste momento. Acendo outro cigarro. Quantos, já fumei? Não sei, pouco

importa… A solidão aumenta, a partir do instante que passo a esperar o sinal

do pessoal da Off-Set: “Ok, tudo pronto, o jornal vai ser rodado.”

Só que a ordem ainda demora. Aí, penso no pessoal lá de casa, nos

compromissos do dia seguinte e, também, no chope gelado, que entorpece a alma

aliviando o cansaço. Verifico que necessito “tomar uma”. As horas passam,

monótonas, intermináveis, quase repetitivas neste, agora, “deserto da notícia…”

As que sobraram, nada valem, jazem no chão, em cima das mesas ou ao lado das

máquinas, abandonadas. O telefone toca e interrompe os meus pensamentos.

A voz chega rápida e seca: “Tudo pronto, vamos rodar!”

Acabou mais uma noite de trabalho. É quando vem a dúvida: ir para

casa ou tomar um chope com os companheiros de “batente”. Discutir política,

futebol, criticar o Governo, reclamar do custo de vida, chorar o salário e,

invariavelmente, falar de jornal. É madrugada. Penso nas horas seguintes, de

levantar cedo, mas a garganta está seca e a barriga vazia. Vou, lentamente, para

o “Bar Savoy”. Vejo os companheiros, outros boêmios, e bêbados contumazes.

Falam, cantam, gesticulam, gargalham e bebericam.

Agora, já são quatro da matina. Chego em casa. A mulher abre a porta,

faz cara feia e diz: “Bonita hora, não é?” Aceno com a mão, tentando justificar:

“Tenha calma, paciência. A vida de jornalista é fogo, não tem horário certo.”

Ela não retruca e volta para a cama. Sigo atrás, meio sonolento e sem pressa.

Adormeço com o pesadelo da rotina de hoje.

 * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

O Sinal Divino

O velho-repórter toma mais uma dose do bendito uísque de todas as noites no templo maior dos boêmios da Imprensa: O Bar e Restaurante Dom Pedro. Num relance, velhas imagens ganham contornos como se fossem atuais. Ele revê o recém-nascido deitado na incubadora. Prematuro, 24 horas depois não resiste. Ao lado da mulher, Lúcia, passa momentos amargos. Em casa, abalado, não contém o desespero da dor e as lágrimas brotam. A sogra, dona Maria, o pega pelo braço e mostra Viviane, a sua filha, de um ano. Ela corre em sua direção, com os braços abertos, a chamá-lo de “papai”. Era o Sinal Divino do ter que recomeçar.

Depois, vieram mais duas filhas, dádivas da bondade de Deus: Danielle e Carolinne. Hoje, aos 52 anos, dos quais 32 de “batente”, revive o turbilhão de fatos marcantes. E, antes do ultimo gole, chora. A menina, que correu de braços abertos e sorriso no rosto, vai lhe dar um neto e com o seu nome. Mais lágrimas escorrem de novo pela face do velho-repórter, hoje já com as marcas dos tempos. E, Deus, 24 anos depois, mais uma vez, escreveu certo por linhas tortas. Amém, companheiros!

Robson Sampaio (Folha de Pernambuco – 18.05.99)

PS: Robson Sampaio Neto já tem 20 anos, o irmão Bruno, 19, e a irmã, Mariana, 10, filhos de Viviane; os primos Diego, 19, e Pedro, 12, filhos de Danielle; os primos Mauricinho, 9, e Thiago, 4, filhos de Carolinne.

 * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

rsampaioblog@gmail.com

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