Teatro da Vida (Causos) e Poesias

 

“Tô duro” – Todo mundo conhece os dotes artísticos do cearense Chico Anysio. Além de ter sido um excelente humorista, há mais de 40 anos, também foi compositor, escritor e redator. Não é à toa que fez escola pelo Brasil afora. Golias, Renato Aragão, Jô Soares, Tom Cavalcanti e tantos outros, cada um no seu estilo próprio, sempre se espelharam no “Velho Chico”. Pois bem, estava o humorista em São Paulo para um show.

Resolveu, então, dar uma volta pela cidade. No meio do caminho, de repente, cai um pé d’água de arrombar. Aí, ele fica debaixo da marquise de um templo da Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo. Daqui há pouco, chega o bispo num carrão daqueles. Vê Chico e diz: “Entra Chico.” No que Chico Anysio responde:” Tô duro.” Até hoje, o bispo prefere ver o Diabo ao humorista, mesmo que seja no Céu.

 

Poesias

 

Saudade de você

 

*Robson Sampaio

  

Saudade?

Sim, saudade

do teu corpo.

Só de teu corpo?

Não.

De tua boca

tua pele, teu odor,

teu olhar.

 

Saudade

de tua voz, teus sussurros,

teus abraços, teus gemidos.

 

Saudade

de teu sorriso, tuas mãos,

tuas brigas,

do teu jeito se ser.

 

Saudade,

grande, imensa, descomedida,

a sangrar no meu peito e

a calar a minha voz.

Saudade,

de você…

 

*À Lucinha (minha mulher).

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Vou “m’imbora pro” Recife…

 

*Robson Sampaio

 

Vou “m’imbora pro” Recife

do mar, das jangadas, das redes,

dos pescadores, dos peixes, do caçuá,

dos mangues, das ostras, dos siris,

dos caranguejos e da minha gente…

 

Vou “m’imbora pro” Recife

dos caboclinhos, da ciranda,

do maracatu, do baque-virado,

do Galo da Madrugada,

do Homem da Meia-Noite,

do frevo e dos meus foliões…

 

Vou “m’imbora pro” Recife

dos arrecifes, das pontes, dos becos,

das travessas, dos bares, dos botecos,

dos boêmios, da lua, das estrelas, do vento,

do sol, dos meus sonhos, da minha sina e

do meu Capibaribe…

Eu vou “m’imbora pro” Recife e

vou “m’imbora pra” mim mesmo!

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Filhos da Caatinga  

 

*Robson Sampaio

 

Ôxente, meu fio,

cadê o boi no cercado

e toda aquela plantação?

Foi embora no vento,

sumiu tudo no céu,

feito ave de arribação.

Agora, é só terra em brasas,

ardendo que nem tição.

 

Do gado só as cabeças,

igual assombração.

Feito rio escorregadio,

a terra plantada se foi,

levada no deslize do chão.

Ai, que tamanha judiação.

 

Inhô, num gema não,

basta de choro e reza,

feitos só de lamentação.

A terra é seca e batida,

igual alma sem alumiação,

mas, de gente com fé no Santo,

indo e vindo, solta pelo Sertão.

 

São os filhos da Caatinga,

sofrendo toda humilhação.

Mas, briga, mata, esfola ou morre,

mesmo sem ser Lampião.

Ôxente, sêo Capitão,

Virge, Santa Maria,

pra quê ser tão valentão?

Num tem nem quase a vida

e, muito menos, esse chão.

 

Crz credo, Ave Maria,

dê-me a benção Padim Ciço,

pois, é só dor no meu Sertão.

Mas, juro meu Santo querido,

que de fome, a gente num morre não.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Pivete

 

*Robson Sampaio

 

Moleque de rua

Filho do cão

Frio na pele

Dor da solidão

Criança sem rumo

Pega o ladrão!

 

Moleque de rua

Filho do cão

Grito de raiva

Chute e bofetão

Canivete na mão

Não sei não…

 

Moleque de rua

Filho do cão

Talho na carne

Sangue não chão

Morte na calçada

O “dotô” sem razão.

Dai-me, a vida,

Dai-me, o pão!

Vai pivete pra prisão…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Réstia da Morte

*Robson Sampaio

 

As rugas são fendas

abertas na face de dor

daquela mulher.

A pele de outrora é um

tecido gasto pelo tempo e

pelo sofrimento a expor ossos.

Os olhos, sujos e esbugalhados,

refletem as cenas patéticas

do palco da vida.

O corpo é a imagem

do tudo e do nada.

Tênue réstia da morte…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

  

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