Teatro da Vida (Causos) e Poesias

Advérbio vira verbo – Um colégio, no Centro do Recife, era conhecido, há muito tempo, como “pagou, passou”. E, ainda, tinha o apelido de a “Ponte da Aliança”, uma antiga marchinha carnavalesca com a seguinte letra: “Lá na Ponte da Aliança/Todo mundo passa/As lavadeiras falam assim! Todo mundo passa”. Então, certa vez, o professor fez uma pergunta sobre análise gramatical a um aluno. Queria saber o que significava aqui, gramaticalmente falando (advérbio de lugar). Aí, o espertalhão do estudante chutou que se tratava de verbo. O professor arretado, com o tamanho do absurdo, mandou que ele conjugasse. O garoto pensou, pensou e soltou esta pérola: “Eu aqui/Tu ali! Ele acolá!/ Nós de banda/Vós de lado/Eles de frente”. A classe inteira veio abaixo e o sem-vergonha burro ganhou um tremendo zero.

POESIAS

(In)consciência!  

*Robson Sampaio

Anjo, ele é.

Só que é um anjo diferente desses

que enfeitam igrejas, santuários, capelas

ou que aparecem corados, gorduchos e

risonhos em pinturas celestiais.

Anjo, ele é.

É um anjo do sofrimento, do abandono,

da fome, da miséria e do esquecimento.

Mas é um anjo, mesmo sem nada, sem-teto,

sem arcanjo e sem guarda.

Anjo, ele é.

De traços angélicos, de olhar infantil,

que chora de fome, que treme de frio; que

dorme nas calçadas ou nas mesas solitárias

dos bares vazios das noites-madrugadas.

É um anjo, sim.

De vestes esfarrapadas, de corpo sujo,

de andar sem rumo, de extrema penúria,

de querer ser santo na espera da morte.

É o anjo da nossa (in)consciência!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Vida, espera da Morte…  

*Robson Sampaio

Vida, espera da Morte

Morte, verdade da Vida…

Medo ou paz infinita ao dormir

com a luz e acordar com a escuridão?

De adormecer com o trinar dos pássaros,

de suaves cantos; ou despertar com

cânticos e orações celestiais?

Vida, espera da Morte

Morte, espera da Vida…

Sangue esparramado, lágrima sentida,

lamento abafado, sonhos estilhaçados,

dor fatal; o tudo, o nada…

E nós, coadjuvantes de sempre

ou intérpretes primitivos desse

Mistério?

Vida, espera da Morte

Morte, verdade da Vida…

Medo ou paz infinita ao dormir

com a luz e acordar com a escuridão?

* Ao poeta e imortal Antônio Campos

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Boi no laço?  

*Robson Sampaio

Rebanho no pasto,

boi no laço,

corte inclemente,

fartura na mesa,

só de “oiá”…

Em “riba” do jumento,

só sofrimento,

terra batida,

chuva é miragem,

barriga vazia,

só rapadura,

só lambuzar.

Rebanho no pasto,

boi no laço,

fartura na mesa,

só de “oiá”…

“Óia” a caatinga,

vaqueiro valente,

só boiadeiro.

Cadê, o pasto?

Cadê, o boi?

Penitência e

assombração?

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Karina/Gaivota

*Robson Sampaio

Karina, menina-moça,

os céus te acolheram

com a graça das gaivotas,

tal qual disse o poeta do

“Ofício da Busca”.

O teu voo tem pousada certa:

longe dos homens, mortais,

e bem perto de Deus, eterno.

Assim, como a gaivota,

É frágil, bela e terna.

Te amo (amamos)!

  • Ao poeta e imortal da Academia Pernambucana de Letras Waldemir Maia Leite.
  • * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Poetas    

*Robson Sampaio

Os poetas,

se não são imortais,

pelo menos, são eternos.

Os poemas surgem como

relâmpagos em noites de inverno;

ou com o brilho das estrelas em noites

enluaradas.

Também, nas mesas dos bares,

na saudade do amor perdido,

na aflição de uma mãe;

ou no sorriso das crianças.

E, ainda, nos reflexos prateados

da Lua sobre o Rio Capibaribe,

marco indelével do Recife.

Por isso, digo: os poetas,

se não são imortais,

pelo menos, são eternos.

* A Roberto Santos, poeta

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Louco?      

*Robson Sampaio

Cada um carrega

a sua fantasia,

mesmo que seja a

própria cruz.

Uns preferem o mutismo,

outros, o alarde.

Nem por isso,

o ruído é diferente,

menos ensurdecedor,

ou o caminhar é inverso.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Poesias inacabadas…                                                                                              

*Robson Sampaio

Recife,

de tardes-noites-madrugadas

de saudades das bem-amadas

de passos incertos nas calçadas…

Recife,

de gosto de peles salgadas

de corpos suados, de bocas molhadas

de vontades nem sempre saciadas…

Recife,

de belezas e cores encantadas

de cirandas e frevos eternizadas

de poesias inacabadas…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Deixe um comentário:

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Current ye@r *