Teatro da Vida (Causos) e Poesias

 

Mulher que lê… – Um casal sai de férias para um hotel-fazenda… O homem gosta de pescar e a mulher gosta de ler. Numa manhã, o marido volta depois de horas pescando e resolve tirar uma soneca. Apesar de não conhecer bem o lago, a mulher decide pegar o barco do marido e ler no lago. Ela navega um pouco, ancora e continua lendo seu livro. Chega um tenente da guarda ambiental do parque, em seu barco, pára ao lado da mulher e fala: – Bom dia madame. O que está fazendo? – Lendo um livro, responde (Pensando: será que não é óbvio?). – A senhora está em uma área restrita em que a pesca é proibida, informa. – Sinto muito tenente, mas não estou pescando, estou lendo. – Sim, mas, a senhora tem todo o equipamento de pesca. Pelo que sei a senhora pode começar a qualquer momento. Se não sair daí imediatamente terei de multá-la e processá-la.   – Se o senhor fizer isso terei que acusá-lo de assédio sexual, ou, talvez de tentativa de estupro. – Mas eu nem sequer a toquei,  diz o tenente da guarda ambiental. – É verdade, mas o senhor tem todo o equipamento. Pelo que sei, pode começar a qualquer momento! – Tenha um bom dia madame – diz ele e vai embora.

Moral da história: Nunca discuta com uma mulher que lê, pois, certamente, ela pensa!

Poesias

 

Agosto    

 

 *Robson Sampaio

                         

A ventania varre o Recife todo.

É agosto. Mas, não varre a miséria,

a sujeira e a indignidade.

Porém, prenuncia o calor do verão.

É o mês do desgosto?

Nas ruas, becos e pontes, esvoaça saias,

despe o recato e reimagina vontades,

enquanto as mulheres sonham com

a vadiação…

Alegria?

 

Aos homens, suscita o bem-querer

e estimula a bebedeira do dia-a-dia.

Agosto, desgostos, vontades e vadiação…

Apocalipse das tentações?

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Recife: só cores

 *Robson Sampaio

   

Recife…

Dos meus amores e dores

Dos meus sonhos e dissabores

Dos meus quitutes e sabores

Dos meus engenhos e licores

Das minhas certezas e temores

Dos meus jardins e flores

Dos meus perfumes e odores

Dos meus cânticos e louvores

Do meu frevo e compositores

Das nossas Marias e Dolores.

Recife, tu és só cores!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 A vida da gente morrendo…  

 *Robson Sampaio

 

 Chope, cigarro, música, fantasia

e lá vai a vida da gente passando…

Outro chope, cansaço, queixas, salários

e lá vai a vida da gente passando…

 

Mais chope, cigarro, música, fantasia

e lá vai a vida da gente anoitecendo…

Agora pressa, que pressa, de pé no balcão,

que pressa que nada, fim de noite, sorrisos

e lá vai a vida da gente amanhecendo…

 

Sempre chope, cigarro, música, fantasia,

só madrugada, só fumaça, só bebedeira

e lá vai a vida da gente morrendo…

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

  

Feliz anonimato…  

 *Robson Sampaio

 

 Trôpego,

vago pelos descaminhos

das ruas do Recife,

tropeçando nos próprios

passos e com o peso da

realidade do nada…

 

Trôpego,

esbarro no anonimato feliz

dessa gente pela noite afora,

tão anônima quanto eu e

estes versos…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Prenúncio da morte?  

 *Robson Sampaio

 

 Na trilha de bobagens,

fragmentos vida afora,

fazemos ode ao Poder.

Bufões, por natureza,

cantamos vitórias e mentiras,

mas, só exclamamos meio verdades.

Assim, somos nós, como se a morte

não chegasse um dia desses qualquer…

 

Cegos ou céticos, fazemos ode ao Poder

e aplaudimos vaidades e egoísmos.

Somos pedaços de carne inconsciente,

sem percebemos um todo maior e

esquecidos da fragilidade humana.

Assim, continuamos a ser,

como se a morte não chegasse

um dia desses qualquer…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Recifense…  

 

*Robson Sampaio

 

Nas águas eternas do Rio Capibaribe,

naveguei sonhos e derramei lágrimas

de tristezas e de alegrias.

 

Nas ondas salgadas da Praia de Boa Viagem,

molhei o corpo e purifiquei a alma.

 

Nas pontes históricas do Recife,

forjei o destino e percorri as trilhas da vida.

E, só assim, me tornei recifense…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

A vida é a escola do poeta…

 

*Robson Sampaio

 

A arte de escrever

é a arte de ler,

dizem os eruditos.

A arte de viver

é a arte de aprender,

dizem os leigos.

 

Por isso, leio pouco,

por isso, escrevo pouco.

Porém, vivo muito e,

talvez, aprenda muito.

Talvez, seja um poeta,

Talvez, só um prosador.

 

Mas, os versos brotam da vida

e a vida é uma escola.

Daí, leio pouco,

daí, escrevo pouco.

Por isso, repito:

Porém, vivo muito e,

talvez, aprenda muito.

– A vida é a escola do poeta…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

 

rsampaioblog@gmail.com

 

 

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