Teatro da Vida (Causos) e Poesias

O que escrever, no túmulo, se você é… – ESPÍRITA: Volto já. INTERNAUTA: www.aquijaz.com.br. AGRÔNOMO: Favor regar o solo com Neguvon. Evita Vermes. ALCOÓLATRA: Enfim, sóbrio. ARQUEÓLOGO: Enfim, fóssil. ASSISTENTE SOCIAL: Alguém aí, me ajude! MANO: Fui. CARTUNISTA: Partiu sem deixar traços. POLICIAL: Tá olhando o quê? Circulando, circulando… ECOLOGISTA: Entrei em extinção. ENÓLOGO: Cadáver envelhecido em caixão de carvalho, aroma Formol e after tasting que denota presença de microorganismos diversos. FUNCIONÁRIO PÚBLICO: É no túmulo ao lado. GARANHÃO: Rígido, como sempre. GAY: Virei purpurina. HERÓI: Corri para o lado errado. HIPOCONDRÍACO: Eu não disse que estava doente?!?! HUMORISTA: Isto não tem a menor graça. JANGADEIRO DIABÉTICO: Foi doce morrer no mar. JUDEU: O que vocês estão fazendo aqui? Quem está tomando conta do lojinha? PESSIMISTA: Aposto que está fazendo o maior frio no inferno. PSICANALISTA: A eternidade não passa de um complexo de superioridade mal resolvido. SANITARISTA: Sujou!!! SEX SYMBOL: Agora, só a terra vai comer. VICIADO: Enfim, pó! ADVOGADO: Disseram que morri…, mas vou recorrer!!!

  

É melhor rir… – “Fora esse malfeitor!”: Finalmente, descobriu-se o verdadeiro vilão da história!.. Estudos europeus revelaram os efeitos das bebidas sobre o organismo. Existem evidências de que:  Vodka + Gelo = lasca os rins! Rum + Gelo = prejudica o fígado! Whisky + Gelo = judia o coração! Gin + Gelo = retrocessa o cérebro! Coca-Cola + Gelo = danifica o estômago! Pelo que parece é esse filho da mae do Gelo que estraga tudo! Estou tomando uma antipatia de Gelo … E eu que pensava que ele era inofensivo!!!

 

…Rir sempre – “O bêbado”: O bêbado é detido pela Polícia às 3 da manhã. O policial pergunta: – Aonde vai a esta hora? O bêbado responde:- Vou a uma conferência sobre o abuso do álcool e seus efeitos letais para o organismo, o mau exemplo, as consequências nefastas para a família, bem como o problema que causa na economia familiar e a irresponsabilidade absoluta. O policial olha sem acreditar e diz:  Sério? E quem vai dar essa conferência a esta hora da madrugada? – E quem pode ser?… A minha mulher. Logo que eu chegar em casa.
POESIAS

 

Filhos da Caatinga

 

Robson Sampaio

 

Ôxente, meu fio,

cadê o boi no cercado

e toda aquela plantação?

Foi embora no vento,

sumiu tudo no céu,

feito ave de arribação.

Agora, é só terra em brasas,

ardendo que nem tição.

 

Do gado só as cabeças,

igual à assombração.

Feito rio escorregadio,

a terra plantada se foi,

levada no deslize do chão.

Ai, que tamanha judiação.

 

Inhô, num gema não,

basta de choro e reza,

feitos só de lamentação.

A terra é seca e batida,

igual alma sem alumiação,

mas, de gente com fé no Santo,

indo e vindo, solta pelo Sertão.

 

São os filhos da Caatinga

sofrendo toda humilhação.

Mas, briga, mata, esfola ou morre,

mesmo sem ser Lampião.

Ôxente, sêo Capitão,

Virge, Santa Maria,

pra quê ser tão valentão?

Num tem nem quase a vida

e, muito menos, esse chão.

 

Cruz Credo, Ave Maria,

dê-me a benção Padim Ciço,

pois, é só dor no meu Sertão.

Mas, juro meu Santo querido,

que de fome, a gente num morre não.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Sinfonia dos Vagabundos

*Robson Sampaio

  

        Vagabundos, uni-vos!

Vinde louvar o Recife e

compor a Sinfonia dos poetas,

boêmios e miseráveis.

Vaguemos pelas ruas sujas e

fétidas, onde chagas de dor

e de desespero são expostas na

Sinfonia de todos os dias.

 

       Vagabundos, uni-vos!

Vinde louvar o Recife e

ouvir a ladainha das devotas

beatas a compor a Sinfonia

dos pecadores de corpo e de alma.

 

       Vagabundos, uni-vos!

Vinde louvar o Recife e

cantar o frevo-canção de dor,

de tristeza e de saudade,

num cântico excêntrico da

Sinfonia dos Vagabundos…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Choramingar da viola  

                

*Robson Sampaio

O choramingar da velha e ensebada viola

emite sons que parecem rezas abençoadas

por santos puros e impuros:

Sacrilégio?

 

O choramingar da velha e ensebada viola

entoa cânticos em dias de festas nas antigas

ruas e igrejas:

Profano e Religioso?

 

O choramingar da velha e ensebada viola

ecoa no oráculo sem perdão dos rituais sacramentos

e dos sentimentos do povo:

Inquisição?

 

O choramingar da velha e ensebada viola

já não alcança a surdez dos desertos de hoje:

A bença, mãe! A bença, pai!

Salvação?

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Desabafo

 

Robson Sampaio            

Eu queria falar

Faltaram palavras

Eu queria gritar

Faltou voz

Eu queria chorar

Faltaram lágrimas

Eu queria sorrir

Faltou alegria

Eu queria ser bom

Faltou compreensão

Eu queria ser mau

Faltou coragem

Eu queria ter fé

Faltou crença

Eu queria ser feliz

Faltou você

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Eu sou Capibaribe   

 

*Robson Sampaio

 

Dos mangues do rio arranquei

a carne da sobrevivência:

as iguarias das mesas das sirigaitas.

 

Das águas do rio tirei

o som da flauta;

a composição dos pássaros,

a sinfonia de todos os cânticos.

 

Vim de muito longe,

passei por Beberibe;

eu sou recifense,

eu sou Capibaribe.

 

Nas correntezas do rio embalei

os nossos sonhos,

o mergulho profundo:

ora vida, ora morte.

 

Vim de muito longe,

passei por Beberibe;

eu sou recifense,

eu sou Capibaribe.

(A Zé da Flauta)

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE).

Feliz, ele…    

Robson Sampaio

(* A Paulo Mendes Campos)

 

O poeta teve o bairro, o mar

e o bar.

Feliz, ele…

Desprezou o outrora para que a

rosa não lhe perturbasse os

sonhos.

O mar teve como o amor maior,

onde derramou lágrimas

para que não se perdessem no

tempo.

Como mágico das palavras (ou seria poesia,

coisa só sua, íntima e necessária?), diz que

a vida enganou a vida, o homem enganou o

homem.

E que multiplicou a sua dor e, também,

a esperança.

Feliz, enganou a todos nós, pois teve o

bairro, o mar e o bar.

Feliz, ele… E eu!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Mulher  

*Robson Sampaio

Mulher-menina

Mulher-amiga

Mulher-briga (ou intriga)

Mulher-amada (ou desejada)

Mulher-amor,

Ah, o amor!

 

Amor-gostoso

Sem aval (ou endosso)

Amor-verdade

Amor-instinto

Amor-paixão

Amor-amor

Mulher-saudade

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 Ah, essa mulher bonita!

 

Robson Sampaio

Ah, essa mulher bonita!

Inventa e reinventa modas.

Primeiro, ajustando o corpo

e, depois, a alma,

só para nos agradar.

Por isso, suave é o dia,

doce é essa mulher…

Sorriso delicado, ar atrevido,

espírito irreverente, misto de

mulher e menina, um quê de moleca

com um quê de sensual…

Enigmas em sintonia

com o verde-azul do mar…

Ah, essa mulher bonita!

Por isso, suave é o dia,

doce é essa mulher…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

 

 rsampaioblog@gmail.com

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