Teatro da Vida (Causos) e Poesias

A frase certa… O cara acordou com a “mãe de todas as ressacas!” Virou-se e, ao lado da cama, havia um copo de água e duas aspirinas. Olhou em volta e viu a roupa passada e pendurada. O quarto estava em perfeita ordem. Havia um bilhete de Cristiane, a sua esposa: “Querido, deixei o seu café pronto na copa. Fui ao supermercado. Beijos”. Na cozinha, um puto de um café o esperando. Aí, ele perguntou à filha: “O que aconteceu, ontem?” “Bem pai, você chegou, às 3 da madrugada, completamente bêbado, vomitou no tapete da sala, caiu por cima dos móveis, quebrando-os; fez xixi no guarda-roupa e machucou o olho ao bater na porta do quarto”. “E por que está tudo arrumado, café preparado, roupa passada, aspirinas para a ressaca e um bilhete amoroso da sua mãe?”, indagou o pai. “Bem, é que a mamãe o arrastou até a cama e, quando estava tirando a sua calça, você disse: “Não faça isso moça, eu sou casado.” Conclusões: uma ressaca – 235,00 reais, móveis destruídos – 1.200,00, café da manhã – 28,00 e dizer a frase certa, no momento certo e, para a mulher certa, não tem preço, companheiros.

Poesias

Saudade danada…  

 

 Robson Sampaio*

 

Recife,

cadê teus arraiais,

canaviais, mucamas

e sinhazinhas?

– Casa-Grande

 

Recife,

cadê teu forró,

ciranda, maracatu

e frevo?

– Carnaval

 

Recife,

cadê teu mar,

pontes, praças

e rios?

– Beberibe e Capibaribe

 

Recife,

cadê teus boêmios,

bares, batida gelada

e mulheres?

– Poesia

 

Recife,

não mais te encontro

e sinto uma saudade

danada…

 

*Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 Sou arrecifes…

    

Robson Sampaio*

 

Sou arrecifes,

de pedra esculpida nos

rebentes das ondas do mar

e na força dos ventos.

 

Sou arrecifes,

de arrebentação

de Sol no rosto

de águas azuis

de gosto de sal

de gente do frevo.

 

Sou arrecifes,

de pedra esculpida

de pontes rochosas

na sinuosidade

do Rio Capibaribe.

 

*Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

Vai homem…  

 

Robson Sampaio *

Vai homem,

segue a estrada,

 vive a vida,

a vivência da vida

 

Vai homem,

cruze a encruzilhada,

não olhe para trás,

tece o teu destino.

 

Vai homem,

sua a testa com trabalho,

bebe a água do rio,

ergue o teu futuro.

 

Vai homem,

ama a natureza,

purifica a tua alma,

reverencia a Deus.

 

Vai homem,

esquece o ódio,

ilumina a escuridão,

enaltece o amor.

 

Vai homem,

segue a estrada,

 vive a vida,

a vivência da vida.

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Poetas do Recife  

Robson Sampaio *

 

Perfume de poemas no ar,

casario repleto de fantasmas

que saem, quase sempre, em busca

da boemia do Recife Antigo.

São os poetas da vida, das ruas,

do bairro, do mar, dos arrecifes.

Andarilhos em busca

do bálsamo para a desilusão,

dos braços quentes e fogosos das

mucamas dos dias de hoje,

não mais amas das sinhazinhas fidalgas,

mas serviçais dos desejos da carne.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Maragogi

 

 Robson Sampaio *

 

   A vila era tão pequena,

mas tão pequenina,

que cabia na menina dos meus olhos.

O ruído do silêncio era tão quieto,

mas tão quieto,

e somente ouvido no suave

roçar do mar na areia

ou no sibilar das folhas

arrastadas pelo vento.

As águas, mares ao redor de ilhotas,

eram tão verdes ou, às vezes, tão azuis,

a parecer arco-íris fincado

no céu para sempre.

O povo, a natureza, as palhoças,

a vila toda, a contemplar,

lá no alto do Cruzeiro, a cruz dos mártires,

o símbolo da liberdade e da fé,

iluminada, apenas, pelo brilho

do sol e das estrelas.

Tudo era tão miúdo,

mas tão miúdo,

que o amor cabia na alma,

a alma no coração, o coração na vila,

a vila na menina dos olhos,

os olhos na saudade.

Saudade, que ainda se chama

Maragogi…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

 

A meu pai, Zeca  

 

Robson Sampaio *

O manto da morte sobressaiu-se

na escuridão da noite.

Ao amanhecer,

a tua alma confundiu-se com

esparsas nuvens.

O lacrimejar dos olhos não

me transformou em correntezas,

mas o meu coração inundou-se

com um mar de saudades,

pai…

Saudades de Dinah, Zé Neto, Robson,

César, Gibson e Jackson.

 

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Cruz do Patrão

Robson Sampaio *

Ecoam gritos eternos na

vastidão das noites e do mar.

Gritos de dor lancinante,

tão fortes que varam os

arrecifes, as almas emitem

sons quase selvagens.

São lamentos de negros

sem o sonho da liberdade,

feridos de saudades e de morte.

Submissos à espera do senhorio

estão os filhos da vida sem-vida,

confinados na Cruz do Patrão,

onde o tempo não sepulta a lenda

e a injustiça ainda açoita os insepultos,

escravos-fantasmas…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

rsampaioblog@gmail.com

 

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