Teatro da Vida (Causos), Poesias e Minipoemas

Teatro da Vida (Causos), Poesias e Minipoemas

Antes de tudo, Otto foi um exímio contador de casos. Há quem o considere o “ultimo causeur”. Ficcionista, ele próprio transformou-se num personagem. Diz-se que certa noite, em plena ditadura militar, ele entornou uns uísques a mais no famoso Antonio’s, reduto da boemia intelectual do Leblon. Lá pelas tantas, subiu numa cadeira e fez um duro discurso contra o regime vigente. Mais um gole, Otto voltou ao palanque improvisado, agora para comunicar à assistência, em alto e bom som, quem era: “Anotem o meu nome: José Aparecido de Oliveira”.

Em tempo: José Aparecido de Oliveira, ex-secretário do ex-presidente Jânio Quadros, mineiro como ele, era amigo de Otto desde os tempos de juventude, nas Gerais. Se a história é verdadeira ou falsa, ninguém sabe. Nem o jornalista Benício Medeiros, autor de um excelente perfil sobre o “mais carioca dos mineiros”.

Poesias

Folião Sem Nome

*Robson Sampaio

Folião sem nome, perdido no meio do racha, homem mulher e criança, passos quase sem graça Olhos eufóricos de sonhos, suor regado à cachaça, segue folião sem nome alegre no bloco que passa Ferver, frever, frevar, ritmo e dança de uma raça, vai folião sem nome frevar o frevo na praça… * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

O Azul do poeta

*Robson Sampaio

Frágil e quase cego, as mãos trêmulas do velho poeta teimam em não obedecer o raciocínio. E os versos não ganham forma. Ergue os olhos para a janela e duas lágrimas escorrem na face, enquanto a sua escuridão é azul. Como azul foram as cores de todos os versos até então. A exemplo dos pássaros em gaiolas, resigna-se com a sua prisão e aguarda na morte a sua libertação para ter de volta todo o azul. * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Feliz, ele…

*Robson Sampaio

O poeta teve o bairro, o mar e o bar. Feliz, ele… Desprezou o outrora para que a rosa não lhe perturbasse os sonhos. O mar teve como o amor maior, onde derramou lágrimas para que não se perdessem no tempo. Como mágico das palavras (ou seria poesia, coisa só sua, íntima e necessária?), diz que a vida enganou a vida, o homem enganou o homem. E que multiplicou a sua dor e, também, a esperança. Feliz, enganou a todos nós, pois teve o bairro, o mar e o bar. Feliz, ele… E eu! * A Paulo Mendes Campos * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

O Divisor é o Tempo…

*Robson Sampaio

O divisor é o tempo… Torna a vida mais vida e a morte mais morte. Contraponto que induz à busca do nada. O divisor é o tempo… Encurta a distância do sempre na ilusão de tudo. A vida é a morte, a morte é a vida. O divisor é o tempo… * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Minipoemas

Recife

Recife dos arrecifes e dos corais, das noites mal dormidas e dos amores à beira do cais. Recife do mar verde-azul, do Rio Capibaribe, das pontes, dos meus amores e do frevo nas ruas que não esqueço jamais. (RS)

Folião

Em passos trôpegos, segue o folião pela rua, agora, vazia. E carrega o peso da bebedeira e do fim da fantasia. (RS)

Sertão

Chão de pedras e aperto no coração, rios de águas, mas, só nas lágrimas. Valha-me, Nosso Senhor! Os salmos dos anjos não chegam no meu Sertão! (RS) rsampaioblog@gmail.com

Livros de Robson Sampaio