Teatro da Vida – Poesias

 

 

 

Poesias

O Dom Pedro  

*Robson Sampaio

Sentados nas cadeiras deste Império,

nós, jornalistas do batente, os poetas e

os boêmios, nos alegramos todas as noites

em busca da eternidade ou da verdade

única, talvez, só nossa.

Sentados nas cadeiras deste Império,

nós, jornalistas do batente, agora sem

os poetas e os boêmios, nos alegramos e

choramos mágoas e salários e, às vezes,

ficamos sós.

Sentados nas cadeiras deste Império,

nós, jornalistas do batente, agora com

os poetas e os boêmios, nos alegramos

outra vez e fazemos do sonho uma

realidade de cada noite.

Sentados nas cadeiras deste Império,

nós, jornalistas do batente, os poetas e

os boêmios, todos “alegres”, somos da

Corte das noites eternas…

 * A Júlio Crucho

  * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Almas do Dom Pedro  

*Robson Sampaio

O Dom Pedro é só emoções.

Vigas, pilastras e paredes

flutuam cotidianamente

levadas pelos ventos:

ora calmarias, ora tempestades.

Fusão do imaginário?

Em cada canto, uma face,

em cada face, uma história,

ou serão apenas bravatas?

Neste retângulo eterno,

erigido por almas e sentimentos,

esquecemos quem somos e

escondemos, mil vezes,

o próprio rosto…

*Ao Restaurante Dom Pedro

 * Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

Ayrton Senna

*Robson Sampaio

Frágil Homem de Aço!

Deus é o tempo, é a hora

Você, Senhor Velocidade!

Na última curva da Vida

Os deuses dormiam.

A morte, não!

A máquina insensível

Virou ferros contorcidos

E os anjos te encantaram…

Frágil Homem de Aço!

Deus é o tempo, é a hora

Você, Senhor Velocidade!

Semi-Deus das pistas

Semi-Deus alado

Ave ferida, ave arrebatada

Ídolo e sonho dos mortais…

Frágil Homem de Aço!

Deus é o tempo, é a hora

Você, Senhor Velocidade!

A curva é o limite.

Deus dá, Deus tira.

E no circuito dos Céus

Na ultrapassagem de nuvens e estrelas

Você, Senhor Velocidade,

Fará todas as “Poles” e estará

No “Podium” da Eternidade…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE). O poema foi pôster da Folha de Pernambuco, no dia 1º de maio de 1994, no dez anos da morte do piloto. Ayrton Senna
v Eterno Ayrton Senna,…

Em 3 de agosto de 2013, O poema “Ayrton Senna”, de minha autoria e publicado no meu livro “O Recife e Outros Poemas”, foi escolhido para a fanpage facebook.com/oficialayrtonsenna e http//migre.me/fEtrE.

…o nosso campeão

Foi pôster, da Folha de Pernambuco, em 1º. de maio de 2004, nos 10 anos da morte do piloto. E recebeu no dia, das 11h às 18h de ontem, mais de mil acessos em todo o mundo e com versão também em inglês.

Adeus, meu Capitão!  

Robson Sampaio *

Sol de fogo,

terra batida,

punhal e mosquetão.

Treme a caatinga

com medo do Capitão.

 

Calam-se, as armas!

Maria Bonita com

a flor na mão.

Treme em desejos

o amor de Lampião.

 

Fogo cruzado,

tocaia grande,

só danação!

Treme Angico,

Adeus, meu Capitão!

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

Sinfonia dos Vagabundos      

*Robson Sampaio

 

Vagabundos, uni-vos!

Vinde louvar o Recife e

compor a Sinfonia dos poetas,

boêmios e miseráveis.

Vaguemos pelas ruas sujas e

fétidas, onde chagas de dor

e de desespero são expostas na

Sinfonia de todos os dias.

 

Vagabundos, uni-vos!

Vinde louvar o Recife e

ouvir a ladainha das devotas

beatas a compor a Sinfonia

dos pecadores de corpo e de alma.

 

Vagabundos, uni-vos!

Vinde louvar o Recife e

cantar o frevo-canção de dor,

de tristeza e de saudade,

num cântico excêntrico da

Sinfonia dos Vagabundos…

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

AntiCristo? 

*Robson Sampaio

Ele não nasceu numa manjedoura,

nasceu na favela mesmo.

Não teve uma linda estrela

a guiar os passos de ilustres visitantes,

mas, apenas, uma vela acesa

e uma solidão a dois.

Não teve José e Maria,

só teve Severina mesmo.

Não cresceu feliz ao lado dos pais

e nem era dotado de luz.

Cresceu nos becos

e nas esquinas das ruas sujas,

povoadas de vícios e misérias.

Não ensinou o bem,

porque só aprendeu o mal.

Não fez milagres,

porque já não existem milagres.

Em comum com Jesus,

só mesmo o sofrimento

e, talvez, a morte.

Por causa da maldade dos homens,

um morreu crucificado na cruz

para salvar a todos nós.

Enquanto ele, crivado de balas,

numa rua imunda,

com o título de marginal.

Nem por isso, são tão diferentes.

* Jornalista, poeta, da Academia Recifense de Letras/Cadeira 22- Patronesse: Thargélia Barreto de Menezes, e da União Brasileira de Escritores (UBE/PE).

 

rsampaioblog@gmail.com

 

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